Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu

Digite pelo menos 2 caracteres!
cbmm
banner_pma]  
EDITORIAL - Sem fazer jus aos privilégios
10/08/2012, às 09:40:55

 

   Araxá tornou-se cidade em 19 de dezembro de 1865, mas há alguns anos o seu aniversário é comemorado no dia do padroeiro São Domingos, em 8 de agosto, considerado feriado municipal. A mudança deve-se ao intenso movimento do comércio nos dias que antecedem o Natal, quando não convém fechar as portas em decorrência do feriado municipal. Assim, a fundação da cidade tem sido lembrada nas duas datas, mais um privilégio dentre tantos que diferenciam essa terra. Geralmente, as economias municipais são mais fortes em um ou outro segmento, já em Araxá rendem com a mineração, o agronegócio e o turismo. Frutos de um rico solo que possui águas minerais, minérios e também de um clima ameno, embora já esteja afetado como em todo o mundo.

   A formação da sua população representa outra dádiva, a cultural. Com toda a brasilidade dos índios e negros que foram os seus primeiros habitantes, Araxá depois assumiu os ares cosmopolitas de hoje. Primeiro oriundos dos bandeirantes, dedicados à pecuária graças às águas salobras do Barreiro. Esses se misturaram a várias etnias que também vieram pelas águas minerais consideradas curativas e que levaram à criação da Estância Hidromineral do Barreiro. A construção do Grande Hotel e Termas, com toda a sua magnitude, atraiu não só as grandes lideranças do país, como também do exterior. Na terra araxaense, aportaram sírio-libaneses, italianos, franceses, mais recentemente os japoneses, dentre outros. Além das águas especiais, a própria exploração mineral, principalmente a partir de 1970, fomentou a miscigenação com os que vieram para trabalhar na indústria e acabaram criando raízes na cidade.

   Tantas riquezas materiais e humanas que continuam a privilegiar a cidade, embora ainda não se desenvolva a altura destas. O araxaense vê no seu entorno outros municípios próximos que também estão na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e, mesmo não sendo tão ricos, estão num ritmo mais acelerado de desenvolvimento e ofertam serviços na condição de polo de suas microrregiões que Araxá ainda não tem, como as superintendências estaduais de ensino e de saúde. Patrocínio e Patos de Minas servem como parâmetros de comparação.
    
   Patrocínio é uma cidade quase dez anos mais nova, criada em 1874 depois de ser desmembrada do próprio município de Araxá. Mas não só quase já a alcança com os seus 85 mil habitantes contra os 93 mil araxaenses, como tem indicadores de que deve ultrapassá-la em breve. Na saúde, por exemplo, Patrocínio conta com cinco hospitais em pleno funcionamento. Embora tenha a sua economia muito concentrada no cultivo de café, tendo a maior produção mineira do grão, Patrocínio já sente a sua diversificação principalmente com a mineração, onde a Vale deve investir R$ 3,6 bilhões nos próximos anos.

   Patos de Minas é outro exemplo de superação, pois se tornou cidade 27 anos depois de Araxá, em 1892, mas já tem quase 140 mil habitantes. Mesmo sendo bem maior, a economia de Patos de Minas ocupa o 19º lugar na arrecadação geral do Estado, enquanto a de Araxá está no 12º, ou seja, a concentração de renda que existe no município araxaense é muito maior. Outro fato é que Patos de Minas tem grande parte da sua economia centrada no setor agrícola, com destaque para o milho, embora também já explore o fosfato. De acordo com o IBGE, a indústria, o comércio e serviços de Patos de Minas cresceram mais de 130% nas décadas de 1980 e 1990.

   Os municípios vizinhos só não alcançaram Araxá na qualidade de vida, dada as suas peculiaridades, inclusive a beleza. Porém, a população araxaense tem um custo de vida elevado, acima das cidades da região. Tanto que é um grande paradoxo a opinião da maioria dos que são de fora e vêm morar em Araxá ou mesmo passar uma temporada, porque considera não só a vida mais cara, como caracteriza a sua sociedade pejorativamente, como fechada, conservadora, bairrista ao extremo, que teme a concorrência sem saber competir com lisura, preconceituosa, soberba e materialista. São realmente adjetivos de causar tristeza, sendo mais fácil contestá-los, ignorá-los, do que admitir que existem e influenciam negativamente o desenvolvimento local. E enquanto não forem levados em conta, não serão extirpados para a cidade evoluir como merece e oportuniza a sua natureza.

Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Tecnologia