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Decisão, Decisões – Araxá e o Futuro
10/10/2012, às 09:03:18

 

Os homens comuns tomam decisões comuns;
os homens especiais tomam decisões especiais;
gênios antecipam o futuro.

   “Se você sugerisse a alguém em 1783, no final da Guerra da Independência dos Estados Unidos, que algum dia Nova York se tornaria a principal cidade do mundo seria considerado tolo. Em 1783, as perspectivas de Nova York não eram nada promissoras. Em 179-, sua população era de apenas 10 mil pessoas. Filadelfia, Boston e até Charleston eram portos mais importantes.

   O estado de Nova York tinha apenas uma vantagem significativa – uma abertura para o oeste através dos montes Apalaches, cadeia de montanhas que corre mais ou menos paralela ao oceano Atlântico. É difícil acreditar que aquelas montanhas suaves fossem uma barreira tão grande; mas na verdade, elas não ofereciam quase nenhuma passagem utilizável em seus 4 mil quilômetros de extensão.

   Mas em 1790, De Witt Clinton, então prefeito de Nova York e logo depois governador do estado teve uma ideia que para muitos era loucura ou delírio. Clinton propôs que se construísse um canal atravessando todo o estado até o lago Erie, ligando Nova York aos Grandes Lagos e às terras férteis mais a oeste. A ideia foi chamada de Loucura de Clinton e isso não é de se surpreender, pois o canal teria de ser escavado com pás e picaretas, até uma largura de doze metros atravessando 580 quilômetros de terreno inóspito. Seriam necessárias 83 comportas, cada uma com 27 metros de comprimento para dar conta de todos os desníveis do terreno. Jamais se tentara a construção de um canal desse grau de dificuldade em qualquer lugar do mundo colonizado. Thomas Jefferson julgou a ideia insana. O presidente James Madison se recusou a dar auxílio do Governo Federal.

   Restou então que ou o estado de Nova York prosseguiria sozinho com o plano ou não teria o canal. Apesar dos custos, dos riscos e da ausência quase total de pessoas com as competências necessárias, o estado decidiu executar o projeto com os recursos próprios.

   O canal foi aberto ao tráfego em 1825, depois de apenas oito anos de construção. O efeito do canal sobre o destino de Nova York foi inimaginável. A participação nas exportações nacionais saltou de menos de 10% em 1820 para mais de 60% em meados do século. E o mais fantástico: no mesmo período a população da cidade passou de 10 mil pessoas para mais de meio milhão.

   Pelo canal passaram 13 mil navios no primeiro ano de inauguração e o custo para transportar uma tonelada de carga entre as cidades de Buffalo e Nova York caiu de 120 dólares para seis dólares.” (Do livro “Em Casa: Uma Breve História da Vida Doméstica”, de Bill Bryson, páginas 212 a 215, Editora Companhia das Letras, 2011).

   Não são conhecidas todas as críticas à decisão do prefeito de Nova York. Mas o fato é que ele antecipou o futuro. Araxá vive, nos dias de hoje, uma transformação na sua área central que, guardadas as devidas proporções, se assemelha à arrancada surpreendente de Nova York com a construção do canal Erie.

   Ronaldo Alencar Porfírio Borges – Araxá, Ago/2012

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