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EDITORIAL - Pequena mas grande diferença
11/10/2012, às 06:49:03

   É verdade que a disputa eleitoral pela Prefeitura de Araxá nunca foi tão acirrada como neste pleito, pelo menos das que se tem notícia desde a redemocratização do país. Afinal, a diferença do primeiro para o segundo colocado foi de apenas 184 votos num universo de 56.081 votos válidos. No entanto, a disputa em si encerra grandes significados, assim como o resultado que parece providencial.

   O principal enfrentamento dessas eleições polarizou-se entre duas coligações com forças político-partidárias desproporcionais. De um lado, a coligação vencedora que tinha o prefeito da cidade como a maior expressão política, apoiado por dois dos dez vereadores da Câmara Municipal, sendo um deles, a candidata a vice-prefeita. Do outro lado, a coligação que não venceu com um deputado federal como candidato a prefeito, apoiado por outros dois deputados federais, um deputado estadual, um ex-prefeito, um vice-prefeito e oito dos dez vereadores, sendo um deles, a candidata a vice-prefeita. Além do mais, enquanto a primeira tinha apenas 30 candidatos a vereador do seu lado na disputa, a outra tinha 90.

   Essa grande diferença entre as forças políticas que disputaram o pleito também se verificou no tempo de rádio e televisão, pois a coligação que venceu não chegou a ter sete minutos com seis partidos coligados. Já a segunda colocada, contava com mais de treze minutos e quatorze partidos coligados. Essa grandeza foi pensada, como se não quisessem mesmo deixar qualquer dúvida de que venceriam o pleito. Afinal, deixaram de lado todas as antigas divergências que no passado chegaram às raias do pessoal, passando de antigos adversários políticos a novos aliados da noite para o dia, após anos e anos, pleito a pleito, em lados opostos. Todo mundo passou a ser “bom”, para derrotar o candidato “ruim”. Estavam unidos para ganhar, mas não para governar. Tanto é que a própria grandeza passou a ser o maior obstáculo desde o início, a começar pela falta de conteúdo para preencher tanto tempo disponível no horário eleitoral gratuito. Muita gente como candidato e cabo eleitoral, também exige muito mais gastos de campanha, sendo um problema a mais. No entanto, o maior mal de toda essa grandeza foi querer e fazer acreditar que realmente já tinham ganhado as eleições. O tom de já ganhamos, a prepotência, a soberba, os ataques exagerados, a visão do poder subiu mesmo à cabeça de todos e causou opressão.

   Como um rolo compressor, pretenderam passar por cima da vontade do eleitorado e da sua tão necessária e cobrada memória. É muito pouco tempo para o eleitor esquecer que estavam separados na última disputa municipal há quatro anos, quanto mais que o candidato a prefeito deles os enfrentou na reeleição para deputado federal há apenas dois anos. Nessa embolada, se entre eles chegaram ao consenso através de um objetivo que justificasse a suposta união, com certeza não era o mesmo da população. Olha que desde o início do processo eleitoral, assim que foi fechado, o chamado chapão foi alvo de críticas, justamente pela falta de identidade, de convencimento, de coesão. Então, faltou o élan, o carisma, a verdadeira emoção e companheirismo, foi como se existisse um entusiasmo forçado, como se estivessem indo para o sacrifício e não para a tão falada vitória. É lógico que o eleitor de boa fé mesmo, pode nem ter percebido tudo isso, apostando tudo e acreditando no melhor, mas era parte da minoria.

   Já o candidato vencedor, alvo de uma constante e cega oposição política feita no decorrer da sua gestão como prefeito, encontrou uma vice-prefeita que apesar de presidir o partido do governador foi descartada das conversas iniciais que culminaram com o fechamento do chapão. Mais uma vez, menosprezaram os demais acreditando na força dessa tênue união, de que os outros viriam por obrigação ou pressão. Juntos, esses dois candidatos foram beneficiados com o instituto da reeleição, inclusive pelo bom resultado das obras e serviços alcançados nesta gestão que, apesar de bombardeada e mal divulgada, tem sido dinâmica e, sobretudo, corajosa. Então, foi visível como essa pequena formação tornou-se grande pelo convencimento, passando a emanar entusiasmo e calor humano no decorrer da campanha.

   Essa coligação menor também se fortaleceu porque optou por trabalhar em sua quase totalidade com o pessoal de Araxá, nos programas de televisão, rádio e nos impressos. Essa valorização dos profissionais locais foi outro ponto motivador, além da linha de campanha que procurou o tempo todo evitar os ataques, não responder às provocações, não preocupar-se com a vitória ou derrota, ser humilde na busca pelo voto. Tanto é que mesmo sentindo o crescendo do seu candidato a prefeito num momento crucial da campanha, o que era indício de vitória, preferiu não responder no mesmo nível o disparate das pesquisas manipuladas.

   Outros fatores influenciaram a disputa, mas esses foram os mais importantes. Que fosse um voto de diferença, ainda assim, seria marcante por ser a vitória do menor contra o maior. E ainda bem que a diferença na votação foi pequena, para que seja mantido o tom da humildade, da conciliação, como deseja a população. Dessa forma, é mais difícil a sensação de poder tomar conta de novo do cenário político da cidade. Essa pequena diferença também é uma luz, no sentido de que ainda tem muita coisa para ser revista e executada pelo governo municipal.  

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Clarim
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