Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu

Digite pelo menos 2 caracteres!
cbmm_1
 
A cor da consciência
20/11/2012, às 07:55:51

 

Parece meio estranho falar em um dia dedicado à consciência negra. Eleger um dia do ano para lembrar o homem de que este deve aceitar a si mesmo não parece coerente.

Eu tive grandes e excelentes amigos negros. Brancos e japoneses também. Nem reparava nisso.

Prefiro pensar que este dia existe para lembrar a todos que um dia neste país houve escravidão e destacar seus horrores, assim como o dia mundial do holocausto. A barbárie cometida por Hitler contra os judeus é algo sem precedentes e nunca igualado na história da humanidade.

Porém, todas as formas de intolerância têm o mesmo nascedouro. Sem nenhuma ciência das técnicas que identificam e explicam os mistérios da mente, tendo por base apenas a minha pouca vivência, arrisco a dizer que a origem dessa doença social são as personalidades malformadas, que precisam eleger um semelhante como inferior.

De Hitler aos proprietários de escravos, o resultado do preconceito é sempre desastroso.

Nesse sentido, sentem-se atingidos não somente os negros, mas também os gordos, os excessivamente magros, os nordestinos, os albinos e todo o ser humano fora dos padrões cosmopolitas. Ultimamente, tem-se verificado também o deslocamento maciço de peruanos e bolivianos para o Brasil, que também têm sofrido segregação, alguns tratados ainda como escravos.

A imensa maioria da população brasileira se diz livre de preconceitos. Mas todos são capazes de relatar inúmeros testemunhos de discriminação por causa da diferença da cor da pele. Ora, se temos tantos não preconceituosos, como é possível haver tantos depoimentos assim?

Não é negra a consciência de que precisamos.

É a consciência de que temos muito mais semelhanças do que diferenças. A humanidade precisa perceber que as características que nos fazem diferentes são meramente superficiais, são somente as que são notadas externamente e não podem ser fortes o suficiente para separarem uma raça de outra, atribuindo a uma delas algum grau de inferioridade.

Não há justiça em tornar a vida de um homem mais difícil, com todos os seus caminhos mais penosos por causa da cor da sua pele ou seja lá por qual motivo for. O sol nasce todos os dias para toda a humanidade. Não há religião crível cuja doutrina pregue a desigualdade entre os homens.

Então por que não conseguimos nos livrar deste mal secular?

É uma piadinha na escola. É a ausência do negro no livro didático. Não se vê o negro ali. O negro não se vê ali. A empregada da novela é negra. São os detalhes, as pequenas coisas que vão formando um sólido e inconsciente preconceito, de lado a lado.

Não é raro ver homens que exercem o ódio a outro homem, simplesmente por serem de diferentes raças. Alguém que pare o seu carro para socorrer um cão ferido, levando-o ao médico veterinário, e que não tenha coragem de, sequer, tocar num homem nas mesmas condições. Em que mundo vivemos? O que esperar dele? Que cotas raciais continuem construindo um muro para a proteção dos negros?

Muito melhor pensar na criação de uma consciência fraterna que não ameace à raça alguma.

É a certeza de que, se houver consciência, ela não precisa ter cor.



Carlos Alberto de Oliveira é escritor e contador de histórias e estórias.

 

 

www.contobom.com

carlosalberto@contobom.com

Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Tecnologia