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EDITORIAL - Enraizados problemas
12/12/2012, às 08:36:06

 

Com a crescente dificuldade de acesso inclusive ao atendimento de saúde particular e de convênio neste país, parte desta demanda migra para a rede pública que, se já não tinha condições de funcionar bem, se torna pior a cada dia. E com a falta de uma eficaz política pública de saúde num país onde se estabeleceu o atendimento universal através do Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, igual para todos independentemente do poder aquisitivo do usuário, a situação chega ao ponto dramático. Não é só em Araxá que esse atendimento não é satisfatório, a assistência à saúde é um problema conjuntural do Brasil que deságua nos municípios e cuja solução não tem sido buscada pelos políticos.

A federação empurra para os Estados, que empurram para os municípios que empurram para o cidadão que no fim fica desassistido. Embora todos os impostos pagos neste país, para não falar da criação de contribuições como a CPMF que foi estabelecida como uma solução que nunca veio para essa área crucial. Em cidades maiores, como Uberlândia e Uberaba, os renomados especialistas em qualquer área da Medicina não atendem nem mesmo pela Unimed, é só particular e os valores destas consultas são bem maiores do que os cobrados em Araxá. Outro fato é que lá também é preciso agendar a consulta particular com o especialista com muita antecedência, de no mínimo um mês, sem falar do tempo que leva para o paciente ser atendido embora tenha hora marcada. As duas cidades vizinhas têm cursos de Medicina, hospitais escolas, enfim, uma estrutura bem maior do que a de Araxá e, mesmo assim, tantos os eleitores de lá como os de cá clamam por mais saúde.  

Mas tudo isso não isenta os governos municipais da sua responsabilidade com a saúde pública, especialmente em Araxá que tem uma arrecadação bem superior a da grande maioria dos municípios brasileiros. No entanto, não houve otimização desses recursos em relação à saúde pública ofertada em Araxá, pelo contrário, esse atendimento foi ficando cada vez mais obsoleto. Assim que o SUS foi reformulado ainda no governo do ex-prefeito Olavo Drummond (1997/2000), já se falava na municipalização da saúde em Araxá, o que só ocorreu muitos anos depois a fórceps. O Pronto Atendimento Municipal (PAM) criado naquela administração, até 2009 funcionou no mesmo lugar e mais como uma recepção para encaminhar doentes de urgência e emergência do que como um pronto socorro, faltava resolutividade. E mesmo com a sua mudança para a Santa Casa, o PAM continua a ser um problema ao invés de solução. Hoje, se discute se deve ser administrado pelo município ou pelo hospital.  

A situação da Santa Casa de Misericórdia agravou-se ao ponto de estar praticamente com as portas fechadas ao final de 2008, quando inclusive a maternidade chegou a ser desativada e os plantões de ortopedia e neurologia estavam suspensos. A transferência do PAM para a Santa Casa a partir de 2009 foi uma das providências que se tomou dentre tantas outras para melhorar o atendimento à saúde e, mesmo investindo mais do que o limite constitucional na área, o município continua envolvido com antigos problemas. Somente na Santa Casa foram investidos cerca de R$ 16 milhões nos últimos quatro anos e, no entanto, ainda prevalecem as reclamações. Como a falta da UTI Neonatal, o difícil acesso aos especialistas e às cirurgias eletivas, até mesmo a exames como uma simples mamografia, a inadequação do laboratório municipal e a duvidosa qualidade dos exames da própria rede, assim como o questionado agendamento nas unidades básicas. Em termos de Programa Saúde da Família (PSF) que é a outra porta de entrada do paciente na rede pública, além do pronto atendimento, houve um significativo avanço nesta gestão, mas mesmo assim 40% da população ainda estão sem esta cobertura.  

Também é preciso que a população entenda que não é qualquer um que deve ser atendido em até 20 minutos no PAM, porque existe uma metodologia para isto, ou seja, um caso grave deve ser atendido na hora, já uma consulta nem deveria ser prestada ali. Mas, sem esse entendimento e diante das carências na prestação dos serviços básicos, as doenças se agravam e geram emergências ou muitas vezes o PAM realmente é visto como um lugar onde se consegue uma consulta médica e avolumam-se os problemas. Depois de tanto tempo, Araxá já deveria ter alcançado a média complexidade dentro do SUS e continua longe disto, mal consegue resolver o atendimento básico.

Está provado diante dos vultosos investimentos feitos neste governo, que os problemas de saúde em Araxá exigem muito mais do que os recursos propriamente ditos, falta gestão em todos os aspectos. Estão só correndo atrás, enquanto é preciso buscar a dianteira, recuperar o tempo perdido, na verdade reestruturar esse atendimento. Tanto que de 2004 pra cá, de acordo com o IBGE, diminuiu o número de médicos que de um para cada 900 habitantes passou para cada 1,2 mil. O que demonstra claramente que a cidade cresceu e a assistência médica ficou ainda mais difícil. O caso é complexo, mas a solução poderia ser mais simples se fossem realmente diagnosticados e tratados os problemas em suas raízes.


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