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Mares e árvores
18/12/2012, às 07:56:22

Filosofia nunca foi uma daquelas matérias que me deixavam livre de problemas nos finais dos anos letivos da minha vida. Estudar e tentar entender os pensamentos dos maiores pensadores da humanidade pensando como eles, causava um curto-circuito nos meus neurônios vadios, além do quê eles só faziam isso e não era para nota.

Não obstante, recomendaria, se pudesse, a todo homem sentar-se numa pedra diante do mar para observar as ondas se projetando na rocha. Também julgo útil contemplar da mesma forma indolente a uma árvore. Ora, mas por que tudo isso?

Tenho reparado que as coisas da minha vida foram e são até hoje muito parecidas com o comportamento da natureza. Em alguns casos a semelhança chega a ser assustadora.

Falo da insistência das ondas que, pouco a pouco, convencem a pedra a mudar de formato; da árvore que recicla a sua folhagem, despindo-se do seu passado e se tornando nova a cada estação. Assim também é a fera, que permite que a presa se aproxime sem a atacar, se não tiver fome. Ela nunca mata por prazer.

Sem querer ser piegas, penso que tudo à nossa volta oferece dicas que poderiam ser aplicadas perfeitamente às nossas vidas.

Convém lembrar ainda que – assim como acontece com o mar e com a árvore – tudo aquilo que fazemos cria a tendência de produzir resultados iguais. Gentileza provoca agradecimento; solidariedade induz a mais solidariedade; o deboche acorda a ira; o desprezo traz a dor da angústia; a injustiça castiga com o remorso. Acho que dá para chamar isso de equilíbrio.

Nestes dias de Natal, em que nos aproximamos mais da família, dos colegas, dos vizinhos e dos amigos, nós bem que podíamos praticar um pouco além da gentileza, do agradecimento e da solidariedade, só para ver se esse tal equilíbrio vem mesmo.

Mas insista um pouquinho. Faça como a onda, que não desiste nunca. Faça como a árvore, que não cansa de se renovar. A vida pode mudar muito em muito pouco tempo.

Mar e árvore fazem a sua parte. Desequilíbrio mesmo vem do homem. Chego mesmo a imaginar que somos nós mesmos que construímos cuidadosa e inconscientemente as nossas próprias doenças e, assim sendo, as poderíamos igualmente evitar se conseguíssemos coletivamente lançar sobre nossos próximos um olhar menos competitivo e um pouquinho mais fraterno.

Dois tapinhas nas costas daquele cara chato, que nunca te deu mais que um “bom dia”, seguidos de um sorriso nos corredores da empresa em que você trabalha pode ser a centelha do fogo santo da amizade. E, se não for, você não gastou nada agindo assim. Além disso, você se sentirá melhor como ser humano. Ele, que não quis mesmo conversa com você, pior.

Não desista do bom equilíbrio. Não deixe que a onda desista da pedra e venha, um dia, bater na árvore.

 

Carlos Alberto de Oliveira é escritor e contador de histórias e estórias.

www.contobom.com

carlosalberto@contobom.com



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