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EDITORIAL - Onde está o cerne da questão?
21/01/2013, às 09:09:09



É inexplicável a falta de entendimento entre a administração municipal e a classe médica de Araxá, um problema que não é de hoje, mas torna-se ainda mais complicado justamente num governo em que o prefeito municipal é médico. É tanto conflito que para a população essa passou a ser a causa de todos os problemas existentes na rede pública de saúde do município, embora seja mesmo a consequência. Na verdade, os médicos precisam ser a solução e, portanto, passou da hora de fazer um check up e corrigir os erros que podem ser sanados no município, independentemente da difícil conjuntura da área da saúde pública no país.

Afinal, com esse clima divergente, realmente os recursos que o município possui e tantas parcerias que podem ser fechadas - públicas e privadas – deixam de ser um facilitador para ser mais um agravante. Não é preciso forçar muito a memória para lembrar que há muito mais de quatro anos, antes da atual administração municipal, os problemas já tomavam conta dessa área em Araxá. Só para ficar claro que não é uma questão pontual, é preciso reconhecer alguns avanços que nem são considerados diante desse impasse.

Anteriormente, o Pronto Atendimento Municipal (PAM) quase não tinha resolutividade, porque funcionava num prédio inadequado situado à rua Calimério Guimarães, onde as pessoas aguardavam atendimento até do lado de fora. Os casos de urgência e emergência mesmo eram apenas encaminhados do PAM para a Santa Casa de Misericórdia que à época era o único hospital de Araxá a atender pelo SUS ou então para outra cidade. Hoje, o hospital da Casa do Caminho atende em média 90% de pacientes pelo SUS e é um exemplo de que mesmo assim é possível ser eficiente. Além da implantação do sistema SUS Fácil pelo governo federal que controla a regionalização das vagas de internação.

De lá para cá, a cidade passou a contar com uma cobertura muito maior pelo Programa Saúde da Família (PSFs) que passou de 5 para 14 unidades e com mais uma Unidade Integrada de Saúde (Uni), a Unioeste. E a Santa Casa foi contemplada com uma grande reforma física para abrigar o PAM, que incluiu nova recepção, maternidade, ampliação da Unidade de Terapia Intensiva (mais dez leitos), implantação de um tomógrafo e de um arco cirúrgico.

Então, por que o atendimento à saúde da população é visto como se estivesse pior do que antes? O município nunca investiu tanto recurso na Santa Casa como nos últimos quatro anos, foram quase R$ 16 milhões. Enquanto anteriormente essa “ajuda” não era tão sistemática e nem tão grande, além de ser geralmente prestada pelas empresas mineradoras a pedido do Poder Executivo. Tanto que houve até a exigência naquele tempo (meados de 2000) para que fosse realizada uma auditoria na Santa Casa, seguida pela elaboração de um Plano Diretor, para que pudesse receber os recursos privados e resolver de vez os problemas que se acumulavam, como o pagamento de dívidas. No entanto, mesmo assim, a Santa Casa estava literalmente para fechar as portas ao final de 2008. E quanto à prestação de contas de tanto recurso investido pelo município no hospital na gestão passada, quase a metade, mais de R$ 7 milhões, foram utilizados no pagamento dos médicos, especialmente os plantões.

Remoer esses fatos é como colocar o dedo na ferida ao invés de medicar, de dar o tratamento adequado à saúde de Araxá como a população cobra e merece. Mas isso acontece porque apesar desses aspectos positivos, a melhora não vem sendo sentida, principalmente em relação à classe médica. Se há cobrança aos profissionais nesse atendimento, por outro lado, a remuneração deles tem sido realmente discrepante, com uns recebendo o vexame de um salário base de R$ 1,8 mil, enquanto outros até quinze vezes mais com o acúmulo de trabalho. Por que essas distorções não foram corrigidas?

Recentemente, duas audiências judiciais foram feitas em decorrência de ações do Ministério Público (MP) na busca de acordos entre médicos e a administração municipal, uma com pediatras em dezembro passado e outra com anestesistas e obstetras no início deste mês. E houve acordos, mas tomara que se tornem o condão da reversão desse quadro crítico, porque infelizmente não tem sido esta a impressão. Pelo contrário, as partes continuam exacerbadas em detrimento do povo. Apesar disso, ainda existe uma expectativa positiva porque os acordos estabelecem que o município passe a remunerar diretamente os médicos pela prestação dos serviços através de processos licitatórios.

Até então, havia o repasse de recursos à Santa Casa pelo município no sentido de assegurar esses pagamentos. O que no mínimo provocava um empurra-empurra de responsabilidades, com ingerências de um lado e de outro. Essa proposta com certeza não é a solução definitiva, porque é mesmo necessário levantar e sanar as raízes dos problemas. Mas a expectativa é a de que seja pelo menos o começo de uma necessária mudança para melhor na rede pública de atendimento à saúde, conforme Araxá merece ser contemplada.

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Clarim
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