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EDITORIAL - Noutra dimensão
01/04/2013, às 07:54:37

A perspectiva da exploração de terras raras em Araxá vai muito além do que ocorreu em termos de mineração no município até hoje. Os impactos dessa nova atividade são proporcionalmente inversos, como o ambiental. Pois além da necessidade de se minerar uma quantidade muito menor, na área a ser reutilizada será solucionado um passivo ambiental criado anteriormente. Assim como no social, porque a intenção dos investidores não é só a de processar terras raras e exportar para que esse material seja utilizado lá fora. O objetivo é produzir em Araxá não só a matéria-prima transformada em produto, como o principal componente da indústria de alta tecnologia: os imãs permanentes.

Esse possível legado de educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico a partir das terras raras é mais promissor, embora Araxá já seja diferenciada em termos de qualidade de vida graças à mineração, principalmente, do nióbio. Isso porque a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) tem uma postura de vanguarda e responsabilidade social, de efetiva participação no contexto municipal. Diferente das empresas que se sucedem na mineração do fosfato no município, antes Arafertil, Bunge, Fosfertil e, hoje, Vale. Pois estão cada vez mais distanciadas das atividades e interesses da população da terra de onde provêm suas atividades. Nesse último caso, não tem valido a máxima de que quem planta colhe.     

A utilização anterior dessa mesma área a ser minerada agora em função das terras raras, localizada na bacia do Barreiro, dentro da intrusão vulcânica, chegou a comprometer a qualidade e a vazão da nossa água mineral, ainda na ditadura militar, no início da década de 1980. Hoje, trinta anos depois, esse impacto apenas atenuado pode ser definitivamente solucionado e, ironicamente, graças a uma nova atividade de mineração. O rejeito ali depositado numa época em que não existiam a preocupação, a lei e os recursos de hoje em prol do meio ambiente, pode ser até coprocessado. Quiçá, essas providências culminem inclusive na melhoria da qualidade e quantidade dessa água mineral. Apesar dos males, uma boa lição disso tudo foi a mobilização da comunidade que fez surgir o Pro-Araxá, uma espécie de tratado para preservar o que ainda restava do Barreiro na época, assinado em 1984, entre o Estado, o município e as mineradoras.    

Desse acordo, pode se dizer que surgiu uma nova consciência, como agora em relação ao que está por vir. Isso porque, até então, o município não participava de nenhuma decisão em relação ao Barreiro de Araxá. Era uma ditadura, também expressa nos decretos de lavra que existem no Barreiro e que têm a quina do Grande Hotel e Termas de Araxá como eixo principal. Na verdade, acudiram a tempo porque quando esse comprometimento foi descoberto, a água da fonte Dona Beja em vez de vir do lado do Barreiro, verteria na mineração. No entanto, não salvou a Cascatinha, como tantos bradaram naquele tempo. Apesar de tudo, essa área parou de receber o rejeito já na década de 1990.

A bióloga Rosângela Rios que participou diretamente de tudo isso como chefe do Departamento Municipal de Meio Ambiente volta à cena, ou melhor, à área “antropizada”. Mas agora com a oportunidade de sanar de vez esse impacto mitigado e promover o seu reflorescer. Ela coordena para a nova empresa araxaense, a Araxá Mineração e Metalurgia (AMM), o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da área. Rosângela assegura diante da experiência profissional vivenciada não só no município que, além de ser uma área que já foi impactada, a empresa vai trabalhar com um volume muito pequeno e superficial de material. “É uma jazida para 40 anos e nós sabemos que se desenvolvermos a tecnologia aqui em Araxá, em toda a região você tem ocorrência de terras raras onde tem as efusões vulcânicas. Então, nós vamos poder de repente ser um polo para atender a região vizinha. Como a Vale está desenvolvendo o projeto do Titânio. Então, você vai ter assim uma série de valores que vão ser agregados a esse recurso e puxa a educação que o nosso país precisa, a qualidade de vida e, o mais importante, nós vamos estar trabalhando com sustentabilidade, porque o grande ganho das terras raras é otimizar o recurso natural”, diz ao Clarim.

A polêmica bióloga que carrega consigo essa história da mineração em Araxá, explica que em toda essa tecnologia que utilizamos hoje - Ipad, Iphone, TVs de LED etc. - existem os metais de terras raras. Esses magnetos que permitem gastar menos minerais e ter mais tecnologia, minimizando os impactos ambientais. “É a otimização do recurso na vida natural, preservando para as gerações futuras. É o conceito do desenvolvimento sustentável. Não há preocupação ambiental, porque além de termos hoje tecnologia, o volume é inexpressível em relação aos outros minerais e dou a minha palavra de estudiosa há trinta anos: nós vamos resolver um problema ambiental”, ressalta Rosângela.

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