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Casa com alma
02/04/2013, às 08:10:04

 

Escrever sobre casa é sempre uma oportunidade de revirarmos nossas memórias.  Não me lembro, ao certo, quando começou minha paixão por casas e, tampouco, em que momento eu abracei esse universo que definiu não só a minha escolha profissional, mas se transformou na atividade mais prazerosa, em minha principal “diversão”.

Criado em apartamento, me acostumei desde cedo a ouvir minha mãe argumentar com meu pai que uma família com filhos pequenos precisava de espaço e que a falta de um quintal para lazer ao ar livre precisava ser compensada com passeios a parques, clubes e viagens.

Após morar anos em apartamento, nós nos mudamos para uma bela casa: espaçosa com grande jardim e piscina. O curioso é que, diferente do senso comum, isso não determinou minha felicidade; o que me faz afirmar que casa é muito mais que espaço físico; precisa ter alma.

Minhas principais lembranças, meus arquivos preferidos, aqueles aos quais recorro de tempos em tempos, estão ligados à atividades, aos sons, aos sentidos e aos cheiros. Para mim, a casa gostosa é aquela na qual tenho minha mãe próxima a mim, às vezes, em uma cozinha – nunca isolada -, na qual é possível escutar os sons do fogão, da torneira, e os cheiros do preparo da comida. Enfim, sentir a presença daqueles que amamos.

Quando projeto uma casa ou reformo um apartamento, tento me colocar ali e, com essas lembranças, percorrer o espaço. Procuro visualizar os ambientes como a criança que não se sente só; ou um adulto que se deslumbra com belas surpresas do ponto de vista estético; ou ainda aquele que se sente acolhido, confortavelmente sentado na poltrona, observando sua família.

A casa é, sem dúvida, o melhor lugar para se estar. Por isso, costumo ver com desconfiança quem busca, a todo o momento, fugir, embarcar desesperado para qualquer lugar no fim de semana, no feriado ou nas férias. Por mais que eu entenda que o mundo mudou e que o nosso jeito de morar não  é o mesmo de 30 anos atrás, me preocupo com o caminho que adotamos; com a maneira a qual usamos a casa e como definimos a nova forma de morar.

Infelizmente, nossos lares estão cada vez mais vazios! Reflexo dos tempos, espelho de uma vida acelerada. Não importa. O fato é que raríssimas vezes, ao visitar uma residência, percebo que ali existe vida, que ela está preenchida e que, realmente, fazemos uso desse lugar tão precioso. Será que esse é o caminho ou estamos todos, aos poucos, criando belos cenários e cada vez mais nos distanciando de uma verdadeira casa com alma?
    
Diego Revollo, arquiteto paulistano, artigo publicado na revista Casa e Jardim, edição março/2013, ilustração Carla Pilla. Diego é filho do araxaense Victor Hugo Porfírio Borges e de Carmem Revollo (em memória).


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