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EDITORIAL - Acreditar para acontecer
21/05/2013, às 07:56:44

Uma das principais dificuldades do prefeito Jeová Moreira da Costa em realizar o projeto Cidade Tecnológica é fazer com que a população conheça e acredite nesta proposta. Neste mundo em constante evolução e, a cada dia mais veloz, a tecnologia chega a assustar. Literalmente, de acordo com o “Aurélio”, tecnologia “é um conjunto de conhecimentos, especialmente princípios científicos, que se aplicam a um determinado ramo de atividade”. Portanto, tecnológica adjetiva a cidade voltada para o conhecimento. Ou seja, é preciso existir nessa cidade que se quer materializar esses princípios científicos que levam às descobertas que motivam o progresso.

Para descomplicar, primeiro é preciso compreender que qualquer empreendimento, ainda mais dessa envergadura, exige proposição. É preciso tentar por em execução esse projeto para que efetivamente seja realizado e, para isto, existem os pontos de partida. O mais fácil deles, é conhecer o que já existe nesse sentido, os parques tecnológicos. O prefeito conheceu esse conceito em 2011, durante uma missão internacional em visita ao Parque Tecnológico de Valladolid, na Espanha. Ele verificou in loco que é possível incentivar a chamada “indústria limpa”, voltada para o uso de tecnologias que são desenvolvidas por empresas de vários segmentos e em parceria com universidades, sejam de telefonia, energia renovável, geoprocessamento, sistemas de informação, eletro-eletrônicas, fibras ópticas etc.

No exterior, ele também percebeu que apesar de ser um município pequeno do interior do Brasil, Araxá é conhecido, especialmente em decorrência de uma de suas riquezas minerais, o nióbio. Afinal, 80% desse produto que fortalece o aço e tem outras importantes aplicações são fornecidos pelo município e graças ao empreendedorismo da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). Desde a descoberta do nióbio até o ponto de sua utilização nos dias atuais, há uma grande história cheia de desafios. Boa parte dos araxaenses sabe que esse metal era praticamente desconhecido no mundo todo, como conta o admirável ex-presidente da empresa, José Alberto Camargo, no livro de sua autoria “O Vendedor de Nióbio”. Ele e equipe saíram de Araxá para apresentar o nióbio ao mundo e, só para exemplificar, levaram uns vinte anos para conquistar o mercado chinês. O município ganhou muito e continua ganhando graças a esse esforço que nunca deve ser esquecido, não só em razão do que a companhia gera em termos de arrecadação, como também em decorrência de outros legados.

Como uma coisa sempre leva a outra, o prefeito conheceu a geração de energia eólica durante a primeira viagem ao exterior, quando soube que é produzida com a utilização de um metal de terras raras. E numa tremenda coincidência, ou não para os que não acreditam nisto, tão logo retornou dessa viagem ele foi procurado pelos representantes da canadense MBaC que foi fundada com o pé em Araxá e obteve o direito de lavra de uma área onde existe um depósito de rejeito da mineração do nióbio, o que facilita minerar metais de terras raras que são tão necessários hoje em dia e que, por enquanto,  estão sob o domínio chinês. A China é responsável por uns 90% da produção desses metais tão usados na fabricação de leds, de imãs permanentes que, por sua vez, estão nos celulares, tablets, notebooks, TVs etc.

Nesse instante, começou a surgir o projeto Cidade Tecnológica, com a simples constatação de que um município que tem nióbio e onde estão sendo desenvolvidos processos para a produção de metais de terras raras pode ir muito além, pode fomentar o conhecimento, pode agregar muito mais valor a essas riquezas. Daí para se chegar ao fosfato, outro importante mineral explorado em Araxá e exportado praticamente in natura (apenas a matéria-prima) para ser utilizado lá fora, é um pulo. E essa Cidade Tecnológica pode ter outros eixos, não só o da mineração, mas o do agronegócio e o do turismo que também são outras importantes vocações de Araxá. Para ser implantado, o projeto precisa de empresas e instituições interessadas em estar em Araxá. O município é como um catalisador, incentivador desses investimentos que podem vir, não só empresariais, como educacionais, porque tecnologia exige estudo, pesquisa, princípios científicos.

Como diz um antigo dito popular, “nada cai do céu”. Não adianta apenas sonhar com a implantação desse projeto, é preciso agir, buscar, prospectar, mostrar e ter foco. Nesse sentido, onde o prefeito bate aqui e lá fora tem sido motivado a ir em frente, por empresas, universidades americanas, europeias e brasileiras, fundações como a do Cefet-MG ou a do governo português para o desenvolvimento, instituições não governamentais. Todos esses têm apostado no sucesso da iniciativa, inclusive o próprio governo de Minas Gerais que disponibilizou R$ 10 milhões para o projeto. Mas a própria cidade ainda duvida, uns até colocam obstáculos. Pois é o momento crucial, se Araxá que é a maior interessada não abraçar essa iniciativa para facilitar o caminho, não acreditar que tudo tem um começo, meio e fim, que as ações têm o seu tempo em curto, médio e longo prazo, que ninguém faz nada sozinho, não haverá interesse de fora suficiente para conquistar esse espaço aqui. Se fosse tão improvável e inviável como uns insistem em pregar, por ceticismo mesmo ou por puro interesse político, o prefeito não ia arriscar-se ao ponto de eleger a Cidade Tecnológica como o principal projeto desta nova administração municipal. Se ele vai só plantar a semente ou fazê-la vingar, o crédito e a vontade do povo podem influenciar muito nesse futuro promissor.

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Clarim
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