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EDITORIAL - Patrimônio de Araxá
19/07/2013, às 08:13:53

A tentativa da Câmara Municipal de permitir um maior adensamento de importante área do Barreiro parece ter sido impedida a tempo. E no aspecto positivo, pelo menos fez as atenções voltarem para a estância hidromineral que historicamente tem sido dissociada da cidade. É como se todo aquele patrimônio não pertencesse a Araxá, seja antes quando o complexo do Barreiro era gerido diretamente pelo governo do Estado, como depois de ter sido arrendado à iniciativa privada.

Esse impasse quanto à ocupação de uma área particular que está muito próxima ao Grande Hotel e, cuja normatização cabe à Lei Municipal de Uso e Ocupação do Solo, evidencia a necessidade de uma interação que nunca existiu de todos que detêm propriedades ali, seja o Estado, município e particulares.

Especificamente, o interesse sobre essa área que está situada atrás do antigo Hotel Colombo e margeia a alameda José Guimarães Rios (antiga estrada) demonstra o quão distante o Barreiro está de Araxá. A atitude dos vereadores para reduzir de 1 mil m² para 400m² o tamanho mínimo dos lotes a serem implantados na área, reforça a falta de preocupação com o futuro da estância hidromineral e, pior ainda, contribui para a sua depreciação. O que sempre existiu em decorrência de interesses econômicos, contrários a sua preservação e ocupação com sustentabilidade. O município perdeu uma parte significativa do seu território para que o Parque do Grande Hotel fosse construído, cujo entorno depois foi severamente impactado pela atividade mineradora, ao ponto da licença de lavra das minas ter como marco o coração do Barreiro.

No início dos anos 1980, foi preciso muita luta e protesto dos araxaenses para que fosse firmado o Pro-Araxá, uma espécie de compromisso entre o governo do Estado, as mineradoras e o município para impedir a total degradação da estância, cujas águas minerais e paisagem já não mais resistiam à exploração desenfreada. E mesmo com condicionantes para recuperar e revegetar o que já tinha sido destruído pela mineração, a Cascatinha nunca mais foi a mesma. Até hoje, na chegada ao Barreiro é visível a encosta minerada, onde o tom de terra ainda substitui o verde.

Quase trinta anos depois do Pro-Araxá, apesar do avanço da consciência ambiental com o decorrer do tempo, por 12 votos a 0 a Câmara Municipal tenta permitir uma ocupação no Barreiro quase três vezes maior do que a discutida exaustivamente pela população durante a elaboração do Plano Diretor Estratégico (PDE), em 2002. Hoje, já existe problema de mobilidade urbana no complexo do Barreiro, onde durante feriados, eventos e mesmo nos fins de semana aumenta muito o número de veículos dificultando o trânsito por lá, inclusive de pedestres. Só existem dois acessos entre a cidade e o Barreiro, pela av. Geraldo Porfírio Botelho e pela alameda José Guimarães Rios que é tombada, não há viabilidade para a construção de pelo menos mais um, o que exige todo o cuidado.

O empreendedor interessado em adquirir essa área para implantação desse tipo de loteamento é de Uberaba, talvez por isto não se importe com as consequências de tal iniciativa. Mas quem mora aqui, tem obrigação de zelar por esse patrimônio, principalmente os “representantes do povo”. E não é possível que não exista outro tipo de ocupação para aquela área que possa ser rentável para os proprietários, o que é de pleno direito, para o empreendedor, mas que também favoreça não só o Barreiro, como a cidade. Quiçá, um grande empreendimento de incremento turístico ou mesmo residencial, mas no padrão estabelecido de pelo menos 1 mil m² de área, o que não só valoriza o próprio imóvel, como impede um grande adensamento e ainda favorece a permeabilidade do solo, porque ali é por onde a água da chuva escorre e reabastece o lençol freático que sustenta as fontes.

Ainda há tempo de repensar essa postura, tanto que o prefeito Jeová Moreira da Costa vetou às emendas do Legislativo e teve a hombridade de voltar atrás em relação ao projeto substitutivo que mantinha essa redução. Também são dignos de aplausos, os vereadores Amilton Moreira e Marcílio Faria que, nesta semana, admitiram na tribuna da Casa não ter conhecimento da extensão dessa medida ao votarem favoravelmente à mudança, deixando claro que vão rever essa postura diante da repercussão negativa dessa iniciativa junto à população. Assim, devem agir os demais vereadores que não votaram de má-fé a favor do grande patrimônio de Araxá.  

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Clarim
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