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EDITORIAL - Maus exemplos
05/08/2013, às 08:10:31

Araxá tem sim avançado turisticamente, mas não da forma que poderia por causa das dificuldades de sempre. Um dos grandes empecilhos enfrentados não só para o incremento turístico, como em todas as outras áreas de desenvolvimento econômico do município, é a política tacanha. Alguns exemplos dessa falta de visão do potencial turístico de Araxá são recentes.

A prefeitura pediu a autorização da Câmara Municipal para investir R$ 600 mil numa área de 22 mil m² situada à margem da av. Geraldo Porfírio Botelho para implantar a Cidade Gastronômica. O projeto é a criação de um espaço turístico que teria como âncora uma fábrica de cerveja artesanal, associada ao Clube da Cozinha Araxaense e outros parceiros interessados em explorar as áreas de alimentos, bebidas, produtos típicos e entretenimento em geral. A ideia começou a ser materializada a partir da Cerveja Wäls que em dez anos de atividades conseguiu fôlego para ampliar o seu negócio com a construção de uma fábrica, cujo investimento está orçado em R$ 20 milhões. A qualidade do produto da Wäls que já trabalha com exportação e está consolidada dentre as quatro melhores cervejas artesanais do Brasil, rendeu-lhe o título de Melhor Cerveja Artesanal da América Latina em 2012.

No entanto, o projeto de lei que autoriza o Executivo a adquirir uma área estratégica para a Cidade Gastronômica, porque está no corredor turístico Araxá/Barreiro, tramita há mais de dois meses na Câmara Municipal e é criticado por vários vereadores. Para se ter um parâmetro, o valor do investimento na área corresponde a 3,5% do orçamento anual do município ou ainda menos do que o dobro da folha mensal de pessoal da Câmara Municipal que passou a girar em torno de R$ 350 mil (dados de abril passado), com o aumento dos vereadores de 10 para 15 e a contratação de mais 40 cargos comissionados a partir desta legislatura.

Na gestão passada, em 2011, a Prefeitura de Araxá entendendo a importância da cultura para a atividade turística decidiu apoiar a produção do filme “Vazio Coração” e a realização da primeira edição do Araxá Cine Festival. À época, custou muito a articulação política para conseguir a aprovação da Câmara Municipal ao projeto de lei que lhe autorizava a repassar R$ 700 mil para a realização do filme, que tem 80% das locações em Araxá. Mas, perduram as críticas pontuais contra essa iniciativa, mesmo diante do sucesso do festival que trouxe a Araxá grandes expressões da arte cinematográfica brasileira e da qualidade do filme que contou com um elenco de primeira categoria, como Lima Duarte, Bete Mendes, Murilo Rosa, Othon Bastos, dentre outros, e será lançado nacionalmente e internacionalmente pela Globo Filmes, com distribuição da Califórnia Filmes, em novembro próximo.

Especialmente para os araxaenses, principalmente para àqueles que precisam “ver para crer”, o filme será exibido no encerramento da segunda edição do Araxá Cine Festival que acontece este ano no Teatro Municipal de Araxá – que apesar das contundentes críticas locais e pontuais, arranca aplausos de renomados artistas que têm se apresentado por lá. A intenção é a de que a segunda edição que está ainda melhor do que a primeira e inclusive conta com a participação de longas metragens que também vão concorrer no tradicional festival de Gramado (RS) este ano, seja a consolidação do evento. Quiçá seja mesmo, apesar das pedras no caminho.

Na contramão do incentivo turístico, a Câmara Municipal aprovou por 12 votos a 0, um projeto de lei que permite lotear a encosta direita do Barreiro, com terrenos de no mínimo 400m² de área ao invés de 1000m², conforme previa o Plano Diretor Estratégico que está sendo alterado para atender os interesses dos proprietários e empreendedores. O Poder Executivo que a princípio vetou a redução desse limite, depois encaminhou projeto substitutivo para apreciação do Legislativo que mantém esse tipo de adensamento na área. Trata-se da urbanização de boa parte da área verde remanescente na bacia do Barreiro, situada atrás do antigo Hotel Colombo e, em todos os debates até o momento, o principal questionamento contrário ao investimento não tem merecido nem mesmo resposta, o problema de mobilidade urbana que será provocado na av. Geraldo Porfírio Botelho. Trata-se da única via asfaltada de acesso da cidade à estância hidromineral e que hoje já fica congestionada sem haver essa ocupação, quando da realização de eventos ou mesmo nos fins de semana mais movimentados no complexo.

A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) já investiu R$ 12 milhões na desapropriação do Alto Paulista, onde havia moradores muito próximos da área de mineração e que enfrentavam problemas como falta de água potável, esgoto a céu aberto e poluição sonora devido às explosões. Por que não, investir na desapropriação dessa outra área para manter a paisagem urbana da região, impedir que seja ainda mais descaracterizada? Com o acirramento da polêmica, os proprietários passaram a divulgar que poderiam vendê-la a uma mineradora e, por isto, construir casas lá é melhor – e tem gente que acredita que é possível minerar ali, inclusive terras raras. É justo que os proprietários recebam pela área de uma forma ou de outra, mas não mudando a Lei de Uso e Ocupação do Solo para aumentar o ganho às custas do interesse coletivo.

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Clarim
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