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EDITORIAL - Saber morrer
08/10/2013, às 07:34:55

A expectativa de vida quase dobrou nas últimas cinco décadas num acelerado ritmo e hoje já está em torno dos 73 anos. A mulher balzaquiana (de uns 30 anos) de ontem, é considerada muito mais jovem nos dias atuais. Para o homem que tem uma expectativa de vida menor do que a da mulher, antes chegar aos 60 anos já estava bom demais e, hoje, ele consegue ter uma vida normal com muito mais de 70. Atualmente, muitas pessoas que se cuidam esperam chegar pelo menos aos 90 anos ainda com a cabeça boa e com saúde física para viver de forma independente. Os recursos que visam mais longevidade têm sido constantemente desenvolvidos.

Esse processo de envelhecimento da população é gradativo e acompanha a evolução do homem que proporciona mais qualidade de vida em geral, com melhores condições de saúde, moradia e educação. No entanto, a sociedade está muito mais lenta para assimilar essa expressiva transição de um mundo com mais idosos e menos jovens. Pois se vivemos muito mais, por outro lado, temos filhos cada vez mais tarde e menos do que antes, sendo que o índice de natalidade já é menor do que dois em muitos países. Essa falta de consciência gera um grande conflito, disparidades e atrocidades, dada a mentalidade retrógada e preconceituosa que ainda resta e que impede a devida valorização do idoso pela sociedade. Por isso, a população idosa ainda não possui condições adequadas de vida, inclusive para que possa ser cada vez mais útil. Ainda está arraigada na população a ideia de que os idosos são um estorvo e têm que ser encostados, desprezados, colocados à margem da vida social, embora nem tanto quanto antes.

Esse tipo de pensamento é próprio de pessoas que não se colocam no lugar do outro, que não pensam que o jovem de hoje é o idoso de amanhã, que não acreditam que vão envelhecer um dia e ter as mesmas necessidades e que a tendência de não morrerem tão cedo é ascendente. Apesar das gerações mais novas serem mais inteligentes e conscientes do que as de antes, continuam carecendo de exemplos quanto aos valores morais e, por isto, muitas se prendem ao materialismo, ao consumismo, ao hoje sem amanhã. No entanto, não retrocedemos na lei do progresso. Nós podemos até estacionar, mas não perdemos o que já adquirimos em termos de evolução. O que motiva o otimismo, a convicção de que mais cedo ou mais tarde tudo vai mudar para melhor, talvez não com a velocidade que queremos, mas tudo se transforma a partir do próprio homem.

É um difícil exercício de vida nos imaginar o “velho” de amanhã, com muitas necessidades que não temos hoje, sem a vitalidade e os atrativos do corpo. Mas como tudo tem o outro lado, fica muito mais leve nos exercitarmos para viver esse futuro se pensarmos em como a maturidade nos ajuda espiritualmente, nos modifica ao ponto de nos tornar “novo”, nos faz enfrentar a vida com outros olhos, nos dá coragem, segurança, alegria por ainda estar vivo, poder pensar, amar, sentir o mundo com muita experiência. Essa visão privilegiada que só quem envelhece alcança aos poucos, proporciona equilíbrio em relação aos anseios, medos e impulsos da juventude.

É ter noção do quanto rapidamente a vida se esvai e, por isto, não podemos deixar para depois o bem que podemos fazer agora, especialmente para nós mesmos; de que temos que ir nos desprendendo das coisas mundanas, dos vícios, do egoísmo, da inveja, da maldade, na tentativa de viver melhor para saber morrer. E com essa tomada de consciência, criar um mundo mais fácil para quem ainda pode contribuir muito com a vida de todos.






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Clarim
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