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EDITORIAL - Um novo tempo virá
11/11/2013, às 08:06:53

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Câmara Municipal de Araxá e o Ministério Público (MP) representa no mínimo um freio à prepotência dos vereadores diante da opinião popular, o que sistematicamente tem distorcido o valor desta representatividade. De forma que o voto seja um instrumento de ascensão pessoal, uma escada para a “perpetuação” no poder e não em busca da melhoria de vida da coletividade, das soluções de problemas comuns que afligem o cidadão e impedem o desenvolvimento socioeconômico.

Esse jogo que se evidencia de todas as formas já corroeu o sistema político-eleitoral do país, no qual os parlamentares não só fazem como interpretam as leis priorizando uma vontade egoísta, agindo com segundas intenções em tudo, tendo a eleição como foco absoluto. Ou seja, o que determinada ação lhe renderá em termos de votos, de fortalecimento de uma futura campanha política, de recursos e adeptos, de chances para galgar o poder. Como nas últimas eleições municipais em Araxá, quando um grande e diverso grupo político reuniu-se não em torno de propostas para a cidade, mas de propósitos pessoais e da ânsia de retomar o comando dos poderes públicos – Executivo e Legislativo -, passando por cima de antagonismos na tentativa de mascarar para o eleitor a motivação egocêntrica de todos.

Em relação ao Poder Legislativo, essa antecipada articulação chegou a preparar um caminho, como no caso do aumento do número de cadeiras de dez para quinze, embora a grande maioria da população araxaense tenha se manifestado contrariamente a essa decisão. Essa medida só atendia os interesses da classe política, de todos os que pretendiam direta ou indiretamente se beneficiar com o resultado eleitoral e, assim, fortaleceu-se ao ponto de ignorar a vontade popular sob o discurso de que a comunidade estaria melhor representada, com uma Câmara mais abrangente em relação aos segmentos sociais. O que não ocorreu e, pelo contrário, tem sido cada vez maior a descrença do povo no Poder Legislativo de Araxá.

Não foi possível para esse grande grupo que participou junto do último pleito através de 14 partidos políticos conquistar e fatiar o Poder Executivo, porque para o povo não deu liga. Então, restou à oposição ao atual governo municipal unir-se em torno do Poder Legislativo. E com nove votos em quinze, elegeram o presidente e a mesa diretora a partir de acertos que passam longe da vontade popular, como o aumento do número de comissionados. Outro objetivo foi o de minar a imprensa, excluindo unilateralmente os tradicionais veículos de comunicação da prestação de serviços à Câmara e substituindo-os por assessores políticos. Enquanto os veículos recebiam em média no máximo R$ 5 mil cada um por mês, cada novo assessor tem um salário mensal de R$ 6 mil, sendo que os primeiros têm custos para informar a população, geram empregos e pagam impostos, já o segundo pode ser considerado até mesmo um cabo eleitoral pago com o dinheiro público.

Há indícios de que inclusive alguns desses vereadores pretendiam ter os seus próprios veículos de comunicação ou usar os ditos “marrons” em detrimento dos já existentes, para divulgar apenas o que reforçaria as suas chances de reeleição ou subida para cargo mais relevante dentro da carreira política. É notória a atitude da maioria dos vereadores em elogiar a imprensa quando publica algo do seu agrado e em execrá-la quando critica, expõe, questiona. Quanta “ingenuidade”, como se fosse possível comprar credibilidade, como se o eleitor de hoje continuasse ser de tão fácil manipulação como antes do avanço do acesso à informação.

Essas atitudes desencadearam a reação do Ministério Público (MP) que merece aplauso face à determinação da promotora Mara Lúcia Silva Dourado na cobrança de mais transparência e respeito aos princípios constitucionais pela Câmara Municipal. Se não foi um resultado de todo satisfatório para a população, não é culpa do MP. Pode ser por ignorância dos vereadores, que assim como tiveram as atitudes ora questionadas, sequer ventilaram a possibilidade de aproveitar o momento adverso para dar uma grande guinada de ação junto à opinião popular. Se de pronto eles tivessem aceitado reduzir pelo menos de 6 para 3 o número de comissionados por Gabinete, o que é mais razoável diante do que se verifica em outros municípios da região, além das outras importantes medidas como a realização de concurso público, tomando para si essa mudança, a satisfação obtida junto à massa de eleitores seria outra e lhes renderia votos de forma positiva, merecedora.

Ainda mais em tempos nos quais a sociedade bem informada, cansada de ser ludibriada e usada por esses interesses, cobra mudança de atitude, se conscientiza cada vez mais do poder do voto. Se não for para as eleições de 2014 que mais uma vez estão muito próximas sem que nada seja feito em relação à esperada reforma político-eleitoral pretendida pela população, será em 2016, em 2018, porque as respostas virão cada vez mais fortes através das urnas. O tempo urge e o político que não se renovar não terá mais espaço neste mundo mais evoluído, aberto, transparente e consciente.

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Clarim
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