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EDITORIAL - Válida heterogeneidade
22/11/2013, às 09:13:51

O povo brasileiro origina-se da mistura de diversas raças, sendo em síntese, do índio como o primeiro habitante desta terra que foi colonizada pelo europeu que escravizou e trouxe o negro da África. Assim, essa miscigenação resultou não só na descaracterização desses biótipos, como também na incorporação de diferentes culturas na formação da sociedade brasileira.

Cada etnia tem a sua importante contribuição no contexto socioeconômico deste país e também no espiritual, embora ainda seja preciso banir os preconceitos que não são só raciais. Apesar de ainda reforçarem as atitudes separatistas entre “negros” e “brancos” até com políticas públicas, neste país de pardos é difícil distinguir um do outro pelo tom da pele, sendo que na verdade a realidade divide-se de forma massacrante entre ricos e pobres.

Se a maioria é negra dentre os que têm menor poder aquisitivo, deve-se à situação de escravidão que prevaleceu por mais de trezentos anos num país descoberto há pouco mais de quinhentos anos. Não é a cor da pele que define uma posição de domínio ou não, mas o dinheiro e a inteligência e o conhecimento que nem sempre representam a sabedoria que parece ser intrínseca em cada um de nós. Se a liberdade existe, se somos todos iguais enquanto seres humanos, por que reforçar essa discriminação com o estabelecimento de cotas e privilégios? Basta priorizar os mais pobres, dar-lhes oportunidade de ascensão, porque assim essa maioria de negros estará sendo atendida sem preconceito. Não existe lógica no incentivo ao preconceito velado existente neste país, em especial em relação aos negros. Ninguém pode ser humilhado, discriminado, tolhido nos seus direitos, não só os negros, cuja herança genética corre no sangue da quase totalidade dos brasileiros. É uma hipocrisia a criação de leis que na verdade reforçam essa discriminação, torna-os diferentes dos outros.

Já o regaste histórico cultural é muito válido, por isto, justifica-se o Dia Nacional da Consciência Negra. É preciso resgatar a digna contribuição do negro na história deste país, tão mal contada reinteradas vezes de forma massificante pelos colonizadores. Também para exemplificá-los como cidadãos que tiveram mais dificuldades para estudar, trabalhar e ascender e mesmo assim chegaram lá, o que tem mais valor. E nesse aspecto, o chamado movimento negro de Araxá que se tornou de afrodescendentes a exemplo do que ocorreu em todo o país - talvez para projetar essa heterogeneidade brasileira - merece críticas. Sem de fato retratar e ampliar essa contribuição, ao ignorar pessoas como a vereadora Credinéia dos Santos (Néia da Uninorte) - mulher e negra que venceu as barreiras e galgou um espaço político como representante do Poder Legislativo de Araxá através do voto popular. Ela ainda é um dos poucos exemplos araxaenses nesse sentido, mas não figurou dentre outros cidadãos negros exaltados em exposição que ficou por um bom tempo em cartaz na própria Câmara Municipal. Com a humildade que lhe é peculiar, Néia mencionou o fato na tribuna da Casa esta semana, sentindo-se discriminada por aqueles que se intitulam representantes da raça negra em Araxá. 

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Clarim
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