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EDITORIAL - Cortar na carne
02/12/2013, às 09:24:11

O político no exercício do cargo eletivo precisa ter muita coragem e a consciência tranquila para tomar as duras decisões que com certeza vão cruzar o caminho daqueles que priorizam o interesse público em relação ao que rende votos à primeira vista. Ainda é muito comum o apadrinhamento político em detrimento da necessidade e da competência e Araxá não foge deste contexto. Pelo contrário, costuma predominar nos municípios mais privilegiados em recursos e considerados estratégicos pelos poderes de outras esferas, principalmente quando estão no interior.

Por muitos anos, o número de contratados na administração municipal de Araxá não se resumiu aos casos excepcionais e temporários previstos na Constituição Federal de 1988 e aos comissionados que são de livre nomeação e exoneração do governante – mas que mesmo assim, pelo bem do município devem atender os critérios técnicos além dos políticos. Ao ponto dos contratados chegarem a representar mais de 60% do número total de servidores da Prefeitura de Araxá apesar da lei, o que só foi revertido com a realização do último concurso público e posse dos aprovados, quando passou a ser repeitado o limite de 30% estabelecido em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público.

A observância a esse limite é o primeiro passo, mas também é preciso quebrar o paradigma de que servidor concursado é acomodado e não tem comprometimento com o trabalho. Para isso, é preciso capacitar, valorizar e cobrar, pois existem instrumentos que quase nunca são utilizados desde o período probatório. A meritocracia é uma importante ferramenta, como por exemplo, buscar dentro do quadro de efetivos aqueles que fazem por merecer uma liderança, um cargo de confiança. Assim como incentivar a formação e atualização deles e recompensar a produção. Essa boa gestão seria até mesmo uma revolução, porque também é fundamental que os chefes neste conjunto - dos supervisores aos assessores e secretários - sejam exemplos positivos de trabalho, conhecimento, relacionamento, eficiência e respeito pela coisa pública. O que muitas vezes não tem ocorrido no poder público municipal.

Deve ser muito difícil para um servidor concursado e que tem experiência no trabalho receber menos e ainda engolir um chefe que está ali só porque ajudou o prefeito a ganhar a política ou até mesmo ser encostado tendo os seus conhecimentos menosprezados. Conviver com um chefe que não dá à mínima quanto às próprias obrigações, que quer tirar vantagem em tudo no curto período em que pode usufruir das benesses do poder público e que apesar de ser pago pela comunidade não lhe dedica a devida atenção ou mesmo chega a desprezá-la é dose para todos nós. Aquele que com medo de perder o cargo prejudica o colega, passa por cima de todos, trai os aliados para bandear-se politicamente, usa os recursos ou o poder em proveito próprio e não para o bem do município é como uma doença crônica no poder público brasileiro, de difícil cura. Tem gente que não dá conta de ser justo, procura crescer e favorecer quem quer em detrimento de outros, independentemente das qualidades de cada um.

É preciso mesmo muita força, ser homem público no verdadeiro sentido da palavra para virar esse jogo, fazer uma boa gestão, buscar ao máximo a adequada aplicabilidade dos recursos públicos, não compactuar com antigos erros e vícios. Ao invés de dar continuidade aos esquemas viciados do poder público, substituí-los pela correção, perseguir o cumprimento das leis e não buscar brechas para se favorecer politicamente. No Brasil de hoje, ter um governante assim ainda parece utopia.

Mas é preciso caminhar neste sentido para se chegar aos resultados, de forma gradativa e minimizando os impactos, sendo justo, perspicaz e inclusive humano para não desamparar e sim abrir caminho à mudança pessoal. Esses resultados recompensariam os esforços, ampliariam os horizontes, descortinariam as realizações, retornariam em benefício da comunidade como um todo.

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Clarim
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