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EDITORIAL - De presente
19/12/2013, às 07:52:46

 

Araxá chega aos 148 anos com muitas demandas, especialmente em razão do seu acelerado crescimento nos últimos anos. De acordo com dados do IBGE, a população do município que somava 95.385 habitantes em 2010, está projetada em 118.659 para 2013, um aumento de mais de 6% ao ano num curtíssimo período. Se de 2002 a 2009 a população aumentou em média 3,4% ao ano, significa dizer que nos últimos quatro anos esse crescimento quase dobrou, foi 76,4% maior. Ainda bem que em termos de Orçamento Municipal, o crescimento também tem sido considerável. No entanto, as ações de governo e políticas públicas têm deixado a desejar, ou seja, não estão conseguindo alcançar as demandas apesar dos recursos disponíveis.

A insatisfação popular também vem num crescendo este ano, porque o governo municipal está desacelerado, enquanto essa expressiva explosão demográfica evidencia-se no trânsito impraticável na região central, na piora dos serviços públicos, na demora ou mesmo falta de atendimentos básicos na saúde, na necessidade de mais Cemeis e Emeis, na falta de segurança, nas obras inacabadas etc. Paira no ar uma sensação de descontrole, de que o governo municipal está sempre correndo atrás, impedido de planejar e cumprir metas diante de tantos problemas emergentes. Como se o governo estivesse acontecendo ao acaso, contando com a sorte, sem conseguir abraçar as prioridades. Às vezes, segue lá adiante, sem resolver o essencial agora.    

Não é falta de recursos, mas de capacidade para acompanhar a velocidade de hoje em todos os sentidos. É como a impaciência de um adolescente ao tentar ensinar os mais velhos a fazer uso das tecnologias disponíveis. Pois as receitas correntes do município que são as destinadas à manutenção das atividades governamentais (tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado quando destinadas a atender despesas correntes) somaram R$ 195,9 milhões em 2011, R$ 206,7 em 2012 e estão projetadas em R$ 231,5 milhões para 2013 e R$ 241 milhões para 2014. As receitas correntes fecharam em R$ 85,4 milhões em 2006, então, nos últimos seis anos cresceram 163,7%, em relação a 2012.

Não houve déficit e sim uma desaceleração do crescimento da receita municipal em decorrência da crise econômica mundial desencadeada no final de 2008. E nem há perspectiva de que isso ocorra pelo menos nos próximos quatro anos, porque a projeção no PPA (Plano Plurianual de Ação) é a de que as receitas correntes em 2017 cheguem a R$ 253 milhões, ou seja, um crescimento no período de 9,2% que é bem menor em relação aos últimos anos, mas mesmo assim não apresenta decréscimo. Isso porque a atividade mineradora que representa cerca de 70% do ICMS de Araxá recuperou-se rapidamente da crise e está em franco desenvolvimento, como também porque o aumento populacional reflete-se numa economia mais pujante e, consequentemente, numa maior arrecadação, apesar das novas demandas.

É visível o número de negócios abertos na cidade nos últimos tempos, especialmente em termos de comércio e serviços, inclusive para atender o surgimento de novos bairros. E pelo menos em relação às moradias, Araxá tem sido privilegiada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, com o incentivo da prefeitura. Cerca de mil casas já foram entregues à população de baixa renda, outras 500 estão quase concluídas e mais 500 devem ser contratadas no próximo ano, conforme o levantamento da demanda a ser atendida feito pela Caixa Econômica Federal, de 2 mil unidades.

Morar em Araxá é um grande presente e, para retribuir à cidade, é preciso assegurar-lhe essa qualidade de vida no futuro. Quiçá, melhorá-la ainda mais através da boa governança. Para isso, é preciso dar conta do recado, modernizar e desburocratizar a administração pública com os instrumentos de gestão que hoje estão disponíveis, primar pela competência, aplicar bem os recursos evitando o supérfluo e o desperdício, mas sem economizar no que é imprescindível, fazer bem feito para não ter que refazer, priorizar o arroz com o feijão, agilizar e concluir as obras pendentes, traçar metas viáveis e realmente executar os projetos esperados pela população, valorizar as pessoas sem ser condescendente.

Tudo isso, com um combustível essencial, a informação e a transparência. Sem confundir propaganda de governo com a necessária divulgação sobre o que, como, quanto, onde e porque estão sendo aplicados os recursos públicos, o que é uma obrigação nem sempre cumprida de forma eficaz. Tarefa árdua, porém esperada, cobrada por uma população que se acostumou a ter o melhor, que nivela por cima, que tem consciência do quão privilegiada é esta terra. 

 

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Clarim
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