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EDITORIAL - As extrapoladas contas da Copa
06/02/2014, às 08:47:10

Em 30 de outubro de 2007, quando houve o anúncio oficial pelo comitê executivo da FIFA de que a Copa do Mundo de 2014 seria no Brasil, calculava-se um gasto total de R$ 12,5 bilhões pelos governos e iniciativa privada em infraestrutura nas cidades sedes, reforma e construção de estádios, mobilidade urbana, aeroportos, portos, segurança, telecomunicações e turismo. Mas de acordo com estimativas oficiais atualizadas em novembro passado, esse total chega a R$ 28,1 bilhões, sendo R$ 8,7 bilhões em financiamento federal, R$ 6,5 bilhões do orçamento federal, R$ 7,3 bilhões de recursos locais (governos estaduais e municipais) e R$ 5,6 bilhões privados. Até então, os investimentos para a construção e reforma de arenas consumiram a maior parte dos recursos, mais de R$ 8 bilhões, enquanto as melhorias no transporte público ou construção de novas vias somam R$ 7 bilhões.

No último ano, até dezembro passado, gastou-se 14% a mais do que o previsto nos doze estádios que sediarão os jogos e 10% a menos nos investimentos de mobilidade. Em 2007, já sabíamos que todos os estádios existentes no país não possuíam os requisitos básicos exigidos pela FIFA para abrigarem uma partida de futebol. Ou seja, teriam que ofertar as mesmas condições de conforto e segurança encontradas nos estádios de países desenvolvidos, assim como o Brasil teria que ter a logística necessária para hospedar 32 equipes e suas comitivas durante um mês e para a transmissão global de 64 partidas. No entanto, na época havia uma grande euforia brasileira que antecedeu a grave crise econômica mundial desnudada a partir de outubro de 2008. O Brasil tudo podia, tinha galgado a sexta posição na economia mundial, sendo um dos países mais promissores do Brics, o PIB crescia acima das expectativas com a atração de muitos investimentos externos etc., enfim, era um ufanismo geral que também causava eufemismo – as palavras tornavam-se muito mais leves ao traduzirem o que contrariava essa propalada direção.

Seis anos depois, a realidade do país é outra, bem diversa da imaginada na época. Os argumentos do então governo federal de que a Copa do Mundo proporcionaria muitos empregos, aumento do fluxo turístico, a revitalização das áreas urbanas e garantiria investimentos de peso no país já não são assim tão promissores, alguns chegam a se esvair à medida em que a data se aproxima. Da lista de obras no país para a Copa do Mundo, 14 projetos foram retirados, sendo 12 relacionados a transporte, um a porto e um a aeroporto. Quanto ao fluxo turístico, por enquanto mantém-se a expectativa de que as cidades sedes devem receber cerca de 500 mil turistas no total, o que equivale a 10% do que o país recebe no ano todo. Mas é muito otimista diante de um cenário de recuperação da crise mundial e da própria falta de preparação do Brasil para sediar o evento, onde a maioria dos estádios continua em obras e ainda não foi cumprido nem 20% do previsto em termos de infraestrutura. Um fiasco, que contraria o anunciado.

Como geralmente acontece os brasileiros estão protestando tardiamente sob o ponto de vista da Copa do Mundo, pois já não há muito mais o que fazer devido à exiguidade do tempo. A cinco meses do torneio, essas manifestações na verdade só aumentam a insegurança e podem repercutir mais negativamente no que já não é tão bem esperado. A questão é que este ano também é eleitoral e, neste aspecto, mais uma vez a população tenta expressar a sua insatisfação diante de todo um contexto, embora muitas vezes motivada por interesses meramente políticos. Apesar de tudo, a perspectiva ainda é de muito pouca renovação nas urnas diante da manutenção do atual sistema político-eleito brasileiro. Sem falar do paradoxo de que, se o Brasil ganhar a Copa, pode ser pior.

É a segunda vez que o país sedia uma Copa do Mundo, na primeira em 1950 foi derrotado na partida final pelo Uruguai, no Maracanã. E depois de mais de sessenta anos, o Brasil não precisou disputar a condição de sede, pois foi candidato único devido a uma manobra já revista pela FIFA. A partir de 2000, estabeleceu-se um rodízio entre os continentes que abrigariam o campeonato. Então, em 2006 foi a vez da Europa, em 2010 da África e em 2014 da América do Sul, onde apenas dois países se candidataram, a Colômbia e o Brasil. No início de 2007, antes do anúncio oficial do país sede de 2014, a Colômbia retirou a sua candidatura sob a justificativa de que não conseguiria cumprir todas as exigências para sediar o evento. Já o Brasil, fez festa como candidato único com toda a prepotência de então e foi oficialmente designado como sede no final daquele ano. Logo em seguida, a FIFA anunciou o fim do rodízio para evitar as candidaturas únicas.

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Clarim
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