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EDITORIAL - Aquém do afeto
31/03/2014, às 09:45:46

 

Antonio Anastasia sempre demonstrou afeição por Araxá, mesmo antes de ser governador. Como ele mesmo disse, aqui esteve ao assumir o governo e, da mesma forma, não poderia deixar de vir agora na iminência de deixá-lo para poder ser candidato a senador nas eleições de outubro próximo. No entanto, apesar da grande estima dele pela terra, onde inclusive é cidadão honorário, Araxá mais uma vez não foi contemplada à altura do que contribui para o Estado. Especialmente, com a atividade mineradora que permite ao governo mineiro fazer vultosos investimentos através da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), como a própria construção da Cidade Administrativa na capital mineira.

Sintomaticamente, nessa última visita  como governador, Anastasia repetiu que estava com a consciência tranquila em relação a Araxá, o que deu a conotação de que tentava convencer até a si próprio. No discurso de despedida, o governador disse: “Fico com a minha consciência tranquila, Araxá que é uma cidade que tanto ajuda Minas Gerais e pudemos de fato retribuir”. Durante a entrevista coletiva concedida à imprensa, ele repetiu: “Eu fico muito tranquilo, durante esses anos foram tantas as parcerias com Araxá que eu fico feliz aqui de ter a consciência tranquila”. Mas, mesmo os araxaenses fazendo um esforço de memória e considerando os recursos que o Estado destinou para o próprio patrimônio situado no município, ainda assim, não compreendem por que Anastasia não correspondeu às expectativas de que não mais iriam ficar com o chapéu na mão. Esperanças reforçadas pelo fato de que pela primeira vez Araxá alcançou importante representatividade na Codemig, com o ex-prefeito Antônio Leonardo Lemos Oliveira na vice-presidência. Nem assim, foi possível diminuir a distância que a estatal mantém em relação à cidade talvez para não ser tão cobrada para que o município receba os investimentos realmente pleiteados pela comunidade. A impressão que fica é a de que o araxaense Antônio Leonardo está sempre entre a cruz e a espada no exercício do cargo, apesar dos seus esforços e postura contemporizadora.  

Nos últimos cinco anos, de 2009 pra cá, o governo do Estado investiu no Barreiro em mais uma reforma do Grande Hotel que está arrendado à iniciativa privada e pelo qual recebe os royalties, na restauração da Capela Nossa Senhora das Graças, além da complementação do Lago Norte e desapropriação do Alto Paulista. Na cidade, os investimentos mais relevantes foram o término das melhorias no Aeroporto Romeu Zema, a construção do trevo de acesso e o repasse do Distrito Industrial (DI) para Araxá (assim como ocorre para os demais municípios mineiros), a destinação de R$ 1,25 milhão para a construção do anexo da Santa Casa, além da inclusão da cidade em alguns programas, como o Olho Vivo e o Ver Minas, depois de muito empenho do deputado estadual Bosco. Quanto os R$ 2 milhões para a revitalização da av. Senador Montandon que o próprio governador ainda em 2009 comprometeu-se a destinar, não é possível informar se já foram repassados ou não porque as obras caminham a passos lentos.

E agora no apagar das luzes, porque ele deixa o mandato no próximo dia 4, o governador anuncia duas obras que realmente vêm de encontro aos anseios da população e que há muitos anos têm sido reivindicadas, a recuperação da av. José Ananias de Aguiar (do Comboio) bastante danificada em função do tráfego pesado provocado pelas mineradoras e a implantação da Vila do Artesanato que não só atende os artesãos da cidade, como vai melhorar a paisagem imprópria para o turismo que ainda prevalece no Barreiro, com investimentos previstos de R$ 8 milhões e R$ 5 milhões respectivamente. E ele também reafirmou o compromisso de repassar os R$ 10 milhões para a implantação da Cidade Tecnológica, assumido em praça pública em novembro de 2012.    

Outros pleitos continuam na estaca zero, como o término do Expominas Araxá, cuja situação é vergonhosa diante dos demais centros de convenção existentes no Estado, inclusive construídos com recursos da Codemig. Aliás, a administração municipal pleiteou à estatal que doasse a área remanescente localizada próxima ao Expominas para o município implantar a Cidade Gastronômica, no que não foi atendida. Nem depois, quando a prefeitura então solicitou apenas parte da área para a construção do campus da UFTM. Se houvesse vontade política, essa área no setor Sul que tem servido à especulação como patrimônio da estatal poderia sim ser repassada a Araxá mesmo se dependesse de autorização legislativa como alegado.

Para os de fora, até parece que Araxá está sendo ingrata com o governo estadual diante do que aqui foi citado, afinal, mais de R$ 20 milhões são esperados em investimentos nessa última leva de promessas, só que desconhecem a desproporção entre o que o município dá a Minas Gerais e recebe em contrapartida. O que remete a outra história ocorrida em meados do século passado, quando o município teve o seu território bastante reduzido em função da construção do Grande Hotel, que acabou se deteriorando nas mãos do poder público estadual que apenas usufruía das suas instalações e da receptividade oferecida pela cidade sem dar a devida atenção à manutenção e administração deste enorme patrimônio, hoje arrendado à iniciativa privada e que continua sem ser até conhecido por boa parte da população local.

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Clarim
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