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EDITORIAL - Nova postura
22/04/2014, às 07:36:35

A Bem Brasil decidiu estreitar o seu relacionamento com a comunidade, considerado distante desde o início da sua efetiva operação em Araxá, em dezembro de 2006. Em síntese, a conjunção de dois fatores contribuíram para esse afastamento, o de ter se implantado numa região cada vez mais inserida no perímetro urbano e o de não dominar o tratamento ambiental do processo de produção, pois é a primeira indústria de batatas pré-fritas do país. As críticas decorrentes dessas questões ao invés de suscitarem uma efetiva comunicação com a comunidade, pelo contrário, calaram a empresa. O que levou a uma distorção, pois o mau-cheiro exalado do processo de produção passou a ser preponderante em relação aos benefícios dessa instalação.

Hoje, a Bem Brasil gera 380 empregos diretos, garante mercado para a batata plantada na região e, talvez o mais significativo, gera uma arrecadação municipal de R$ 57 milhões por ano, ou seja, de quase R$ 5 milhões por mês. A decisão da empresa em se instalar no município ocorreu em 2003, a partir de alguns diferenciais oferecidos pela prefeitura para atraí-la, sendo que a previsão inicial era a geração de 156 empregos diretos, com um investimento de R$ 56 milhões. Araxá tinha a área que não só pertencia à prefeitura, como constava no Plano Diretor Estratégico aprovado em dezembro de 2002 como de urbanização restrita, situada do lado direito do acesso à BR 262, na continuidade da av. Italo Ros. A primeira diretriz no Plano Diretor para essa região autorizava apenas a implantação de chacreamento (lotes de 1 mil m² a 3 mil m²) e de indústrias alimentícias porque lá já existiam uma cachaçaria e a estufa hidropônica importada pela prefeitura para o cultivo de tomates, além de estar dentro do limite da distância necessária em relação à estação da Cemig devido à necessidade de geração de energia elétrica com menor risco de interrupção. Aliás, a estufa acabou colaborando muito para atrair a indústria para o município, porque poderia ser um grande ganho para a produção de mudas. Mas, com o seu crescimento e expansão muito além do previsto, em três anos a estufa não teve capacidade para atender a sua realidade. Hoje, já foram investidos R$ 110 milhões.

Do lado esquerdo dessa área, já existiam os bairros Pão de Açúcar, Pedra Azul, Orozino Teixeira, Ana Antônia e, paralelamente ao crescimento da indústria, outros foram implantados como Jardim Natália, José Cincinato de Ávila, João Bosco Teixeira etc., justamente porque o Plano Diretor considerava essa outra região como de expansão urbana, permitindo a implantação de loteamentos residenciais, inclusive com lotes populares menores do que 360m². Os moradores já estavam lá antes da indústria, fazendo divisa com a área de ocupação restrita. Mas, como foi pioneira no país e inspirou-se nos processos dos maiores produtores de batata pré-frita do mundo, Argentina e Holanda, onde o clima é temperado, a princípio a Bem Brasil não cogitou a possibilidade de emanação do mau-cheiro. No entanto, em decorrência do tratamento biológico dos resíduos que são matéria orgânica, o odor é provocado pelas altas temperaturas. No início desse processo, outros também não consideraram o potencial poluidor da indústria, porque inclusive houve até uma mudança no Plano Diretor Estratégico proposta pela Câmara Municipal passando aquela área situada à direita do acesso à BR 262 de ocupação restrita para de expansão urbana, permitindo então a implantação de novos loteamentos residenciais bem próximos da empresa para atender os interesses dos empreendedores imobiliários. Embora quando ocorre, o fétido odor é mais sentido na região em frente à Bem Brasil, onde estão os bairros mais antigos, por causa da direção dos ventos.

Talvez, a indústria tenha evitado essa proximidade com a comunidade até descobrir uma saída para solucionar esse mau-cheiro, que começou a ser minimizado há algum tempo com a cobertura do tratamento anaeróbico. Tanto que houve um período sem as constantes reclamações, mas com a estiagem e o forte calor deste ano, parte das bactérias da fase do tratamento anaeróbico morreu no biodigestor e a lagoa da etapa do tratamento aeróbico que não é coberta acabou recebendo mais resíduos sólidos que provocaram de novo o mau-cheiro. Então, numa salutar mudança, a Bem Brasil resolveu preocupar-se com a comunicação e abriu as portas para mostrar in loco o problema e o que está sendo investido para solucioná-lo, com a implantação de mais um biodigestor e de outra lagoa de tratamento, assim como as suas instalações e a relação de trabalho com os funcionários. Na última semana, a empresa recebeu autoridades, lideranças empresariais, presidentes de associações de bairro, formadores de opinião e imprensa.

Todos tiveram a ampla liberdade de participar de um debate durante a visitação e, com raríssimas exceções, a grande maioria dos presentes nesses encontros, especialmente os representantes dos moradores mais atingidos pelo problema, deixaram claro que reconhecem a importância da empresa para o município e lhe deram crédito em mais uma tentativa de buscar a solução o mais rápido possível. Numa atitude ponderada, porque ninguém quer que o mau-cheiro continue incomodando a população, mas também não quer inviabilizar a indústria ao ponto da comunidade deixar de ter os bônus da sua presença no município. Pelo contrário, além de apostar na solução desse impacto que embora esteja dentro dos parâmetros da legislação ambiental incomoda, espera-se uma participação cada vez maior da Bem Brasil em relação ao município, inclusive nas ações de responsabilidade social e de sustentabilidade ambiental.

Não dá para perder o que já é um grande ganho para Araxá, mas a empresa informou que para expandir-se conforme está planejado será construída uma nova unidade em Perdizes devido as limitações locais, como a falta de água e o crescimento urbano. A Bem Brasil hoje ocupa a vice-liderança no país no mercado de produção de batatas pré-fitas atendendo 25% dessa demanda, sendo que os 75% restantes são importados, principalmente da Argentina e Holanda. Realmente, a empresa pagou um preço por esse pioneirismo, mas desde 2012 virou a contabilidade e tem como meta assumir a liderança no mercado brasileiro a partir de 2018, quando deve responder sozinha por 41% dessa demanda (502.470 toneladas ano). Ainda assim, os 55% restantes terão que ser importados. Hoje, em muitas embalagens da Sadia, Perdigão e outras importantes marcas é só conferir a procedência: produto fabricado em Araxá. A família Roqueto foi lá fora aprender como criar uma indústria de batatas pré-fritas, assim como ainda está aprendendo a lidar com as imprevisibilidades desse processo no âmbito ambiental, mas já não tem dúvidas de que está chegando lá. Então, nessa questão da sustentabilidade, Araxá também expande o seu know-how.

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Clarim
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