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EDITORIAL - Ao cerne da corrupção
12/05/2014, às 08:00:39

 

A campanha “Voto Consciente: o que você tem a ver com a corrupção?” lançada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) é forte e estrategicamente elaborada para envolver a sociedade através das associações/entidades, segmentos religiosos, empresas, lideranças comunitárias, órgãos de segurança pública, mídia e principalmente das escolas, porque é muito mais fácil conscientizar o futuro eleitor do que modificar a postura daquele que não faz nada ou contribui com a corrupção já tão enraizada no país. Para que milhões de eleitores sejam atingidos na consciência, a campanha faz um apelo para que mudem o próprio comportamento nas pequenas atitudes que na verdade acabam banalizando a corrupção. É mesmo necessário um esforço conjunto em direção a uma mudança cultural e social, o que não se faz de repente e muito menos isoladamente, por isto, a mobilização proposta pelo MPMG.

Em Araxá, a campanha foi lançada nesta terça-feira, 6, quando mais de 50 pessoas representando os diversos segmentos aderiram à ação que possui uma agenda única e socializada. Do conjunto de peças elaboradas pelo MPMG para a divulgação da campanha, um vídeo muito bem feito e breve toca profundamente quem assiste, porque mostra que todos são responsáveis pela corrupção generalizada existente no país, a partir de pequenos atos cometidos no dia a dia até a prática do voto. Quem nunca furou fila, colheu espigas de milho na beira da estrada, colou numa prova, mentiu e tantas outras atitudes corriqueiras que embora não sejam corretas acontecem com certa naturalidade? A campanha propõe um exame de consciência como o primeiro passo à frente: “Será que de alguma forma eu contribuo para a corrupção?”. Não é nada fácil, especialmente para quem foi criado mediante a “lei da corrupção que é a de ganhar a qualquer preço” ou a “lei de Gérson que é a de sempre levar vantagem em tudo” – um jogador de futebol que foi campeão da Copa do Mundo de 1970 dizia isto num comercial de cigarro. Essas gerações foram bombardeadas pelo consumismo, principalmente em relação ao cigarro e à bebida, pela destruição indiscriminada do meio ambiente, pela competitividade do “capitalismo selvagem”, pela comunicação de massa a favor da ditadura, ou seja, pessoas que foram mal educadas no exercício da cidadania.

E essa geração criou outras alienadas, descrentes, acomodadas, mas que já estão saturadas de si mesmas e consequentemente dos outros, então, diante de tantas mazelas se despertam para mudar a realidade. Se grande parte dos jovens de hoje não quer saber de política, por outro lado, tem hábitos muito mais saudáveis, é mais crítica, discerne melhor o certo do errado e começa a se indignar com o status co, a querer virar o jogo. Nesse sentido, campanhas como essa são fundamentais porque não só buscam a reflexão dos já viciados com o sistema reinante conclamando-os a mudar o comportamento, como a participação daqueles que ainda não valorizam o voto como instrumento de mudança num regime democrático. Ao focar o cerne da corrupção, a campanha descortina as possibilidades de mudança a partir do indivíduo, como diz o slogan “o voto não tem preço, tem consequências”.

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Clarim
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