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EDITORIAL - Minas indecisa e dividida
11/06/2014, às 07:37:32

O processo eleitoral em Minas Gerais assinala intensas disputas em torno da polarização nacional: PT X PSDB. A semana começou com a publicação de uma pesquisa* do DataTempo sobre a intenção de votos dos mineiros para a presidência da República e o governo do Estado. No cenário mais provável da pesquisa estimulada, neste momento o pré-candidato do PSDB, senador Aécio Neves, lidera a disputa presidencial com 45% dos votos, seguido pela pré-candidata do PT, presidente Dilma Rousseff, com 29,1% da preferência dos mineiros; enquanto que para o governo de Minas sai na frente o pré-candidato petista Fernando Pimentel que obteve 30,6% das intenções contra o tucano Pimenta da Veiga com 19,4%, sendo que ambos são ex-prefeitos da capital e ex-ministros do país. Portanto, neste mês em que se realizam as convenções partidárias para a efetiva escolha dos candidatos, em Minas a diferença entre os dois partidos para presidente é de 15,9% com vantagem para o PSDB e para governador de 11,2% a favor do PT.

O desafio é grande para o tucano Aécio que para ter chances de vencer a disputa nacional terá que ser ainda mais votado no seu Estado, aumentando essa diferença que por enquanto não deve deixá-lo tranquilo. O PSDB em Minas Gerais está no governo há 12 anos, 8 destes com Aécio e 4 com Antonio Anastasia que foi seu vice e depois o sucedeu antes mesmo de ser eleito governador numa estratégia que àquela época deu certo. Mas, é claro que se por um lado estar na situação há tanto tempo traz as vantagens inerentes ao comando, por outro, a rejeição e as cobranças também crescem, assim como a tendência do eleitor pela renovação. Existe uma dificuldade do eleitor em discernir o Aécio presidente daquele que foi o governador, pois essas imagens parecem muito coladas para o mineiro. E Anastasia além de abrir mão de disputar a reeleição em decorrência da estratégia anterior, ainda cedeu o cargo para o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP) oito meses antes de encerrar o mandato para disputar uma vaga no Senado. É certo que na pesquisa estimulada Anastasia aparece com mais de 45% para o Senado, liderando com folga em todos os cenários, mas a preocupação central é a vitória do PSDB nos governos do país e do Estado.

Para Aécio, ganhar com folga em Minas Gerais é dever de casa, onde já lidera em dez das doze regiões. Mas, as duas regiões em que perde para Dilma no Estado são sintomáticas: Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e Norte de Minas. Dois extremos do Estado, de maior e menor poder aquisitivo, dentre outras características que paradoxalmente se convergem nas diferenças. Na nossa região, as duas maiores cidades, Uberlândia e Uberaba, são governadas pelos adversários diretos do PSDB que repetem no Estado a aliança nacional formada pelo PT e PMDB nas chapas majoritárias. Essa situação quase se inverte na disputa pelo governo de Minas, com Pimentel à frente em 7 das 12 regiões, já Pimenta lidera em 4 e em uma (Campo das Vertentes) estão empatados. Nas duas importantes regiões do Estado em que Aécio perde para Dilma, o PT também lidera com Pimentel.

Aécio ainda não escolheu a candidatura a vice-presidente que continua como carta na manga para o fechamento do apoio partidário em torno dele, embora o PSDB também cogite uma chapa pura, o que é menos provável. Já para vice-governador, os tucanos fecham de novo com o PP, com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Dinis Pinheiro. Dilma e Michel Temer (PMDB) vão repetir a dobradinha nacional. E Pimentel ainda não anunciou o pré-candidato a vice-governador na sua chapa que virá em decorrência da aliança com o PMDB, que deve indicá-lo dentre os que não apoiam o lançamento de candidatura própria do partido no Estado.

A análise do diretor da CP2 - Consultoria, Pesquisa e Planejamento que realizou as pesquisas, aponta para a imprevisibilidade do quadro para o governo do Estado, onde o número de eleitores indecisos e que não conhecem os candidatos é muito alto – superior a 80% nas perguntas espontâneas e 40% nas estimuladas. “O posicionamento dos eleitores se dará mais para frente”, diz Antônio de Pádua na análise intitulada “Eleitores desestimulados”. Para o cientista político da PUC Minas, Moisés Augusto, também ouvido pelo jornal O Tempo (BH), as eleições deste ano serão marcadas por altos índices de eleitores indecisos. “Existe um movimento de descrença em relação à política”, disse ele, o que não é nenhuma novidade para o próprio eleitor.

* As duas pesquisas, para presidente (registro nº 60CC0609CE) e governador do Estado (registro nº 034AD B14E1E), foram contratadas pela Sempre Editora e realizadas pela CP2, com a aplicação de 2.062 entrevistas em 110 cidades de Minas Gerais, de 23 a 27 de maio passado, com margem de erro de 1,98 ponto percentual. Os dados aqui citados foram divulgados pelo jornal O Tempo (BH), nas edições de 02/06/14 e 03/06/14.

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