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EDITORIAL - Último round
14/10/2014, às 08:05:18

Somados os votos em branco (3,84%), os nulos (5,80%) e a abstenção (19,39%), quase 30% dos 142,8 milhões de eleitores brasileiros não votaram em ninguém no primeiro turno das eleições para presidente do Brasil. Dos que fizeram a sua opção, 41,59% votaram em Dilma Rousseff (PT) e 33,55% em Aécio Neves (PSDB), que agora partem para o tudo ou nada até a vitória ou o nocaute nas urnas, no próximo dia 26. A diferença de 8% (7,88 milhões de votos) entre os dois no primeiro turno equivale a menos da metade dos que se abstiveram de participar do pleito, a grande maioria por desinteresse e desilusão com a política brasileira, sem identificação com as candidaturas postas.


No terceiro lugar, Marina Silva (PSB) obteve pouco mais de 21% dos votos válidos que agora têm sido perseguidos por Dilma e Aécio. Como boa parte desses eleitores a escolheram porque justamente não queriam votar no PT ou PSDB que têm polarizado a disputa pelo poder no país há vinte anos, o mais sensato para Marina seria uma postura de neutralidade nesse segundo turno, deixando os eleitores dela à vontade para apoiar um ou outro candidato ou mesmo para engrossar historicamente o número dos que não escolherão ninguém, pois mesmo que isto seja mais difícil num segundo turno devido ao calor do debate é bem provável. O número de votos brancos, nulos e abstenções mais uma vez pode ser significativo porque boa parte do eleitorado brasileiro gostaria de ter outra opção ao invés de mais uma vez escolher entre um tucano ou um petista para presidente.


No entanto, o PSB já declarou apoio a Aécio com poucas dissidências e tudo indica que Marina irá se posicionar no mesmo sentido nesta quinta-feira, 9, junto com a Rede. Marina não soube aproveitar o momento de ascensão que teve durante a corrida presidencial, não demonstrou a fortaleza cobrada pelo eleitor para que realmente pudesse fazer face ao desejo de alternância no poder e assim não conseguiu encarnar o papel de uma terceira via. Ela apanhou de todos os lados e quando tentou reagir já era tarde, além de ter mirado mais na Dilma (tudo indica que por mágoas) do que no Aécio, sem cogitar que talvez o seu eleitor estivesse mais próximo do PT por uma questão histórica do que do PSDB. 


A disputa no segundo turno é direta e mais justa em termos de espaço para propaganda eleitoral gratuita, que inclusive deve pesar mais do que no primeiro turno diante da renovada atenção do eleitor e mesmo por não referir-se mais às candidaturas proporcionais. Portanto, quem estiver com o melhor marqueteiro sem dúvida sai na frente. Mas, todos os pontos estarão em disputa numa árdua luta de vale tudo e o eleitor pode esperar ataques contundentes dos dois lados mais do que propostas de governo, infelizmente.


No afã de ter alcançado o segundo turno depois do sufoco da campanha, os tucanos parecem mais acelerados e motivados nesta semana do que os petistas, ainda mais em Araxá onde a própria votação para presidente no primeiro turno demonstra a preferência do eleitorado local pelo PSDB, provavelmente numa reminiscência ao velho discurso da elite versus o proletariado. No entanto, o já ganhou dos tucanos pode ser mais prejudicial do que benéfico ao candidato Aécio. Afinal, quem gosta de arrogância a não ser os que a praticam? Essa presunção prevaleceu na escolha de Pimenta da Veiga para ser o candidato tucano ao governo de Minas Gerais e deu no que deu.


Apesar do PSDB estar no governo mineiro há três mandatos, não só perdeu este comando, como Aécio não conseguiu a esperada boa margem de votos à frente de Dilma, para quem inclusive perdeu no Estado apesar da pequena diferença – Dilma obteve em Minas 4,82 milhões de votos contra 4,41 milhões de Aécio. Mas, São Paulo garantiu Aécio no segundo turno, onde venceu Dilma com uma diferença bem maior, de 5,92 milhões de votos. De qualquer forma, no cômputo geral Dilma passa para o segundo turno como vitoriosa, tendo a máquina a seu favor, inclusive como vantagem para angariar apoios no reposicionamento das forças político-partidárias visando o segundo turno. No entanto, ela pareceu um tanto quanto estafada no debate que antecedeu o término do primeiro turno, quando a sua performance foi pior do que a de Aécio. Ela foi prolixa e por não ter tido o poder de síntese ficava sem tempo antes de terminar o seu raciocínio. E os debates também pesam mais no segundo turno, quando ambos se enfrentam cara a cara na discussão, oportunizando ao eleitor uma preciosa avaliação.


É cedo para arriscar um resultado, porque apesar de curtas não deu tempo para sentir as campanhas dos candidatos ao segundo turno. Nem mesmo mediante as pesquisas, que mais uma vez demonstraram erros acima da margem, colocando em cheque a credibilidade dos grandes institutos do país. 

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Clarim
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