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EDITORIAL - Sucateada imprensa
12/01/2015, às 07:08:29

A quem interessa uma imprensa subserviente? Especialmente, à classe política que deseja manter-se no poder a qualquer custo, criando uma imagem junto ao eleitorado que não corresponde à realidade, sonegando e distorcendo informações para esconder escusas ações, sempre manipulando o que gostaria ou não de ver público. Na medida em que se fortaleceu a imprensa séria conduzida por pessoas com formação para tal, as articulações políticas tornaram-se ainda mais contundentes no sentido de minar as boas práticas jornalísticas que contrariam os seus interesses. Tanto, que o Congresso Nacional acabou com a exigência do diploma de jornalista para o exercício de tão importante profissão, que num ultrapassado jargão é chamada de “quarto poder”. Talvez seja no sentido de que as concessões de rádio e televisão dependem da aprovação política e, por isto, boa parte destes veículos na prática pertence aos próprios parlamentares.

 

Os jornalistas que se importam com a ética, que dominam as técnicas para fazer um reconhecido trabalho junto à população - por mais sujeitos que sejam como todo mundo aos erros e acertos - incomodam muita gente. Quem não coaduna com a demagogia entende perfeitamente que “imparcialidade”, “verdade” e “isenção” não existem, a não ser para aqueles que não compreendem que qualquer ser humano faz as suas escolhas diante de tudo e de todos e sempre tem uma opinião ou postura em relação a qualquer coisa, mesmo quando está em silêncio. O que existe é o conhecimento em prol do domínio das tendências pessoais, de forma a predominar a consciência do jornalista em exercitar lições como ouvir todas as versões porque cada um tem a sua “verdade” e, em ser claro, para que o leitor, ouvinte, telespectador ou internauta possa distinguir o que é informação do que é opinião e assim não ser facilmente manipulado.

 

E o que se vê em todo país, não só em Araxá, são as mentiras propagadas como “verdades”, as especulações visando exaltar ou denegrir alguém, publicações sem a anterioridade dos levantamentos e comprovações, pessoas que se julgam sabedoras e melhores do que as demais, a falta de humildade para reconhecer os erros, a vontade de buscar o Ibope das más notícias ao invés das transformações positivas proporcionadas pelo bom exemplo. Nesse universo que chega a ser insuportável para quem quer se conduzir no bem, existem os proprietários dos veículos de comunicação que não precisam ser necessariamente jornalistas e os trabalhadores que são a parte mais fraca dessas relações e, por isto, mais fácil de ser usada para acobertar o que não querem que a população saiba de forma geral ou para pregar inverdades. Tanto é que se não têm formação jornalística no sentido literal da palavra, mas apenas a prática nesse distorcido mercado, são ainda mais suscetíveis às vontades de quem tem o poder. Aliás, os cursos de Jornalismo estão cada vez mais restritos e o mercado cada vez mais cheio de gente com interesses alheios ao exercício profissional.

 

Os veículos de comunicação são uma empresa como as outras, mesmo os que dependem de uma concessão pública para se estabelecerem. Então, pagam impostos, empregam e contribuem efetivamente para o desenvolvimento econômico e social das localidades onde atuam. Esses meios não conquistam credibilidade da noite para o dia, que está diretamente relacionada ao seu alcance e penetração e, quanto mais antigos no mercado, mais conhecidos do público. Cada um com a sua capacidade e especificidade, por isto o surgimento da televisão não eliminou o rádio, que por sua vez não extinguiu o precursor jornal impresso, assim como a Internet não acabará com tudo. As mudanças estão restritas às plataformas, provavelmente as notícias não serão mais publicadas impressas num papel como ainda são hoje pelos tradicionais jornais que têm um elevado custo gráfico, mas não deixarão de existir e quanto mais confiáveis mais poderosas. Essas profundas transformações da tecnologia da informação demandam tempo por mais aceleradas que estejam hoje em dia e a confiabilidade do público ainda depende do elaborado trabalho jornalístico que confere autenticidade à informação. O que é acessível a todos indiscriminadamente e não passa por qualquer filtro, como a Internet, onde não é preciso assinar embaixo e a responsabilização é incipiente, sujeita os menos informados às situações até criminosas. Justamente por isso, os sites jornalísticos dos tradicionais veículos impressos ainda são os mais acessados por quem busca informação procedente via online, ou seja, um complementa o outro, imediatismo e conteúdo. 

 

O processo de sucateamento da imprensa araxaense considerada uma das melhores do interior de Minas Gerais ocorre nesse tortuoso mercado e com as suas peculiaridades. Os recursos de mídia públicos e privados que sustentam os veículos de comunicação da cidade têm sido indiscriminadamente pulverizados, conforme questionáveis parâmetros que têm valido muito mais do que o tempo de circulação, a periodicidade, o esmero do trabalho, a cobertura jornalística, o funcionamento legal da empresa e, especialmente, a confiabilidade. Pessoas investidas de veículos têm captado esses recursos em detrimento dos tradicionais meios de comunicação e sabe-se lá de que forma - que dada à falação nos bastidores chega até às chantagens.

 

Os poderes Executivo e Legislativo araxaenses têm reduzido a imprensa à massa de manobra e os que não se sujeitam passam a ser minados. Essa desvalorização agrava-se a cada gestão, pois até o momento a imprensa vem sendo ignorada no conjunto, enquanto prevalecem as benesses pessoais. Quiçá, os que merecem reconhecimento pela coragem e lealdade ao bom exercício jornalístico consigam se reinventar sem se descaracterizarem, não só fazendo jus à história, mas principalmente assegurando um futuro mais promissor enquanto empresas que também geram emprego e renda e, principalmente, em decorrência da necessidade desse trabalho perante a comunidade.

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Clarim
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