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EDITORIAL - Ponto nevrálgico
03/02/2015, às 07:48:32

 

A necessidade de estar saudável para viver bem é de todos. A grande maioria das pessoas desaba e aflige-se ao enfrentar algum problema de saúde por menor que seja, pois a sua preocupação pode ser tão grande que até suscita pensamentos negativos diante de qualquer sintoma ou dor que podem mesmo agravar a sua situação. A influência do emocional é tanta que uma dor de cabeça que poderia ser a princípio passageira pode transformar-se numa penosa enxaqueca; um cisto mesmo benigno pode levar à profunda depressão. É até certo ponto normal o ser humano somatizar os problemas e, por isto, a máxima “mens sana incorpore sano” (mente sã num corpo são).

 

Porém, essa visão holística da saúde pertence a poucos, o que mais ocorre são as pessoas levarem a vida sem pensar na própria saúde, além da falta de uma alimentação e hábitos saudáveis, comete abusos inconsequentes, o que num país como o Brasil - onde os ricos são uma minoria - vai desaguar no Sistema Único de Saúde (SUS). 

 

A falta de acesso ao tratamento de saúde pela rede pública que teoricamente deveria ser universal é o principal problema da população brasileira, que acompanha atemorizada e, então, até mais doente, a má qualidade dessa assistência quando é oferecida e a escassez desses recursos a cada dia com o fechamento de hospitais e a falta de abnegados profissionais. Em Araxá, o quadro não é tão dramático, embora o município seja parte desse sistema e não deixe de ser afetado de alguma forma pela conjuntura geral. É possível dizer que a estrutura física e humana na área da saúde no município não tem acompanhado o acelerado crescimento da população nos últimos anos, aumentando gradativamente a sua insatisfação. O que se soma à falta de uma cultura preventiva que estimule e dê oportunidade para que cada um se cuide mais para ter saúde.

 

Numa análise recente, constata-se que nos últimos seis anos a administração municipal investiu sim na infraestrutura física da rede pública de saúde: a mudança do Pronto Atendimento Municipal (PAM) da rua Calimério Guimarães onde praticamente não tinha resolutividade para junto da Santa Casa de Araxá; a construção de mais duas unidades integradas de saúde (Unioeste e Unicentro) e outras duas em andamento (Uninoroeste e Uninordeste); triplicou o número de equipes do Programa Saúde da Família (PSFs); reformou o Centro de Vacinação e o Laboratório Municipal; instalou um tomógrafo e modernizou alguns equipamentos na própria Santa Casa; etc. No entanto, o cerne das infindáveis reclamações estava na equivocada gestão e pode-se dizer que até na falta desta em alguns períodos, lógico que incentivadas pela oposição política. O próprio prefeito acumulou as funções de secretário de Saúde por mais de uma vez, o que não é salutar diante de tão importante e ampla demanda e, além dele, foram nomeados quatro diferentes secretários neste período.

 

Por isso, não houve solução de continuidade para vários problemas que foram postergados. O funcionamento da atenção básica, como a proporcionada pelas equipes de PSF, ficou muito comprometido com essa constante troca de comando. A falta de um bom relacionamento com a maioria dos profissionais médicos que atuava na rede foi um agravante que não pode ser subdimensionado em torno de questões salariais. A ingerência na área chegou ao ponto da secretaria passar a funcionar no galpão do almoxarifado do centro administrativo em construção, para onde foi transferida provisoriamente em 2011 e ali permaneceu em condições inadequadas de funcionamento até a mudança de governo, no final do ano passado. Portanto, apesar dos investimentos na área que sempre ultrapassaram o limite mínimo de 15% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o resultado foi pífio no final das contas. Diante da judicialização da saúde no país e da falta de habilidade da administração anterior em lidar com esta questão, que levou o município a estar ainda respondendo cerca de 200 processos na área.

 

Realmente, dois anos é muito pouco tempo para a atual administração implementar satisfatoriamente não só o atendimento, mas principalmente a saúde preventiva. O problema não é a saúde e sim a falta dela e, neste sentido, deve haver uma preocupação bem mais efetiva com a sua manutenção. Como o tempo urge, nos dois últimos meses houve algumas importantes decisões na área, como a mudança da secretaria do galpão para o anexo definitivo do centro administrativo; a reabertura do Laboratório Municipal que estava pronto para funcionar; a retomada do diálogo com a classe médica; a reestruturação das referências técnicas; a mudança do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para um lugar mais central, dentre outras. Talvez a principal, seja focar a efetividade do atendimento básico como o dos PSFs tendo como parâmetro o resultado disto na ponta que é o Pronto Atendimento Municipal, há muito tempo saturado por socorrer não só as urgências e emergências. Outra decisão acertada é manter o PAM onde está até que possa ser transferido para um local melhor e também definitivo, o que já foi anunciado. Resta torcer para que apesar de toda a burocracia do poder público seja possível construí-lo até 2016 e com o repasse de R$ 4 milhões pelo governo federal referente à emenda parlamentar do então deputado federal, Aracely de Paula, hoje prefeito.

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Clarim
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