Notícias de Araxá e região!

Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu

Digite pelo menos 2 caracteres!
cbmm (1)
banner_pma
EDITORIAL - Acreditar na vocação
18/02/2015, às 07:11:24

 

É comum ouvir por aí afora, quando contamos que moramos em Araxá: “Que cidade linda, turística...” “O Grande Hotel é maravilhoso...” “Eu tenho a maior vontade de conhecer lá...”. Façam esse teste e vai ser muito difícil alguém de fora dizer que não gosta ou não tem vontade de conhecer Araxá. No entanto, os próprios araxaenses não dão valor à natural vocação turística do município. É mais fácil alguém negar essa vocação, dizendo que a cidade está longe de ser turística, que falta isso, aquilo etc., do que defendê-la. 

Assim, com tanta propaganda negativa partindo de quem mora na cidade, quando deveria ser o contrário, é muito difícil avançar nessa área. Essa pecha foi ficando cada vez mais forte com o passar dos anos e, em contrapartida, o turismo relegado ao segundo, terceiro, quarto plano pelos governos e população. Não é fazer vista grossa para os problemas e sim acreditar no que já existe de diferencial turístico na cidade e buscar as soluções. A falta de prioridade em relação ao desenvolvimento da atividade turística em Araxá vem de longa data e essa depreciação ficou ainda maior depois dos oito anos de fechamento do Grande Hotel para a reforma e o seu posterior arrendamento à iniciativa privada, para as redes Tropical e Ouro Minas que desistiram do negócio. Somente agora no final de 2014, a Rede Tauá de Hotéis superou a etapa inicial de cinco anos de contrato colocando um fim nessa instabilidade ao assinar o termo definitivo de concessão por 15 anos, renovável por igual período. Mas, mesmo depois de decidir ficar à frente do empreendimento, a Rede Tauá ainda enfrenta boatos de que jogará a toalha, o que é ruim para qualquer negócio apesar de ser uma especulação.

 

É só fazer um inventário do que a cidade tem e do que pode vir a ter em termos de atividade turística para chegar à conclusão de que compensa apostar nesse segmento econômico. Araxá é uma estância hidromineral com águas radioativa, sulfurosa e lama para uso medicinal e estético, uma edificação esplendorosa de hotel e termas, piscinas e quadras de tênis com parques criados por Burle Marx e que ainda poderia ser incrementada pelo proprietário – o governo do Estado - com investimentos como os que já foram projetados: Vila de Artesanato com praça de alimentação e loja de conveniência, além de um bureau de informações turísticas com um bom receptivo, espaços adequados para os aluguéis de cavalos, charretes e bicicletas. Assim como cabem outros projetos nesse espaço, como campo de golfe, esportes de aventura, revitalização do bosque etc.

 

E Araxá não é só o Barreiro, conta com nada menos do que cinco museus, a antiga estação ferroviária com a Escola Municipal de Música e os teares, a Árvore dos Enforcados com o Centro de Cultura Negra, o Parque do Cristo e, mais recentemente, o teatro municipal, vários pontos como bares e restaurantes e um forte comércio, além dos 2 mil leitos de hotéis sem contar com os do Grande Hotel. Parte desse patrimônio está deteriorada ou não tem utilização. Os leitos de hotéis disponíveis poderiam ser mais ocupados se houvesse uma infraestrutura melhor para o turismo de negócios e eventos, como um centro de convenções - mais uma vez, o governo do Estado poderia ter participado entregando um Expominas condizente e não aquele prédio adaptado e sem equipamentos adequados. Dá para expandir o raio desses atrativos para a zona rural, com as históricas fazendas e a famosa gastronomia araxaense, como fez Dona Mercedes com o Horizonte Perdido que se tornou um grande atrativo por esforço de uma pessoa que acreditou e trabalhou muito pelo turismo local.

 

Sem falar no acervo cultural da cidade, com uma rica história que remonta aos índios e negros, aos bandeirantes, aos pecuaristas, à lendária Dona Beja, imigrantes de várias partes do mundo, à mineração. E por que não o Carnaval? Araxá tem cinco escolas de samba que ainda conseguem reunir de 100 a 300 componentes cada uma no desfile de rua, embora estejam aí por insistência porque sempre que o poder público resolve apoiá-las como uma expressão de cultura popular as críticas são contundentes, muito mais ainda este ano porque resolveu dar visibilidade ao evento realizando-o no Centro. Aliás, esse enfrentamento é um indício de que o governo municipal pretende sim dar mais atenção ao turismo local, assim como a anunciada reforma do Parque do Cristo e a própria constituição da Secretaria Municipal Especial de Turismo e Eventos diretamente afeta ao Gabinete. Quiçá a população mude o foco e passe a acreditar e valorizar o que Araxá já tem de bom, com a prevalência de um discurso positivo em relação a esse importante filão.

Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Tecnologia