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EDITORIAL - Até a exaustão
30/03/2015, às 07:10:03

A alternância no governo de Minas Gerais por um momento reacendeu as expectativas dos araxaenses em relação à revitalização da Estância Hidromineral do Barreiro, que nos últimos anos esteve cada vez mais relegada pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) que é a responsável por este patrimônio estadual. Ao ponto do complexo do Barreiro que carece de infraestrutura adequada para o turismo e da devida manutenção ter sido inundado em decorrência das chuvas ocorridas esta semana.

 

Proporcionalmente, Araxá tem uma contrapartida ínfima da Codemig, porque a grande parte da arrecadação que lhe permitiu investir mais de R$ 400 milhões em todo o Estado apenas em 2013 vem da atividade mineradora realizada aqui. Pela lei do nenhum esforço, como sócia-participante, a Codemig recebe 25% do resultado líquido da operação da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) pela exploração do nióbio no município. Assim como, a estatal recebe da Vale Fertilizantes pela exploração de minério de fosfato em duas minas também situadas em Araxá.

 

Ironicamente, a Codemig visa melhorar a infraestrutura nas estâncias hidrominerais mineiras e desenvolver ações de valorização do turismo de negócios e eventos. Mas, em Araxá o parque do Barreiro está abandonado da porta pra fora do Grande Hotel, corajosamente arrendado pela Rede Tauá que decidiu enfrentar o desafio de administrá-lo por 15 anos, depois de três tentativas frustradas da estatal. Se é que isso vai ser possível, porque enquanto a Rede Tauá tenta fazer de Araxá um destino nacional com o evento Páscoa Iluminada, o seu investimento corre o risco de ir por água abaixo.

 

De acordo com o seu perfil, a Codemig tem um papel complementar ao do Estado “no investimento de grande parte de seus recursos em obras e negócios que gerem o desenvolvimento econômico de longo prazo, com consequente melhoria da condição de vida da população de Minas Gerais”. Se for assim, Araxá então parece estar fora do Estado. A não ser em períodos eleitorais, quando comumente são apresentados projetos de melhorias no município pela Codemig, que nem sempre são realizados e, quando o são, costumam ficar na incompletude. Como por exemplo, os do Expominas Araxá e da av. José Ananias de Aguiar (do Comboio), que está bem pior do que antes da Codemig ter dado início às obras no ano passado para logo depois interrompê-las, largando-as na intempérie. O Expominas Araxá foi entregue em 2003 sem ter sido acabado e equipado e hoje está interditado. Mas, nos últimos anos, a Codemig reestruturou completamente o Expominas Belo Horizonte e construiu outros dois considerados dos mais modernos do Estado, em Juiz de Fora e Teófilo Otoni. Apenas o de Araxá não funciona dentro do propósito de ser um centro de feiras e exposições para incremento do desenvolvimento regional. Em 2013, a estatal começou a construção de mais um centro de feiras e eventos, o de São João del-Rei e, paralelamente, foi elaborado o projeto arquitetônico básico para o Expominas Pouso Alegre. Também em 2013, a Codemig investiu R$ 83,2 milhões no projeto Estação da Cultura Presidente Itamar Franco, para abrigar uma moderna sala de concertos e emissoras de rádio e televisão.

 

A nova diretoria da Codemig - que mantém alguns diretores de carreira - deu uma baita resposta a Araxá em janeiro passado, indicando que a população terá que reivindicar atenção até a exaustão, porque o município continua a passar longe dos vultosos investimentos que paradoxalmente viabiliza. Além de perder a vice-presidência da estatal, a concorrência 06/2014 para a construção da Vila do Artesanato na região do Barreiro, revindicada no decorrer dos últimos 12 anos de governo tucano, em janeiro passado foi adiada “sine die” (sem data fixa) pela diretoria do governo petista. Na mesma publicação, a Codemig informava a abertura das licitações para a restauração de luminárias do Cassino de Lambari que está sendo transformado em Museu das Águas e para a elaboração dos projetos para reforma e revitalização do Palace Hotel de Poços de Caldas e, como é público e notório, a grande parte dos recursos para fazer estes investimentos é oriunda de Araxá.

 

A precária situação da estância hidromineral piora a cada dia, tornando ainda mais distante a possibilidade de uma exploração bem sucedida do potencial turístico de Araxá. Como sugeriu um internauta no Facebook diante da constrangedora e triste imagem da estância inundada, quem sabe não seria o caso de se aproveitar essa onda de protesto da população brasileira para fazer um movimento local, chamando a atenção do Estado e do país para o caso? Não vão faltar páginas no Face para replicar tamanha  indignação. A única classe que parece conformada com a situação do Barreiro é a política, porque permanece calada diante dos problemas que persistem em extrapolar governos, como se realmente nada pudesse ser feito.

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Clarim
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