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Wilton Borges Bate.Papo.Com Adriano Pena
08/04/2015, às 07:07:59

 

Adriano Pena Ribeiro Lemos conheceu o Xadrez ainda criança, mas o interesse realmente pelo esporte só veio a acontecer em 2001, quando passou a entender as regras e a praticar com frequência. De lá pra cá, após torneios, conquistas e cursos, Adriano se tornou árbitro da Federação Mineira de Xadrez (FMX) e também da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX). À frente da Academia Araxaense de Xadrez, Adriano passou a colocar o esporte em evidência e constante crescimento em nossa cidade e região. Professor de Xadrez no Colégio São Domingos, trabalhando em diversas outras frentes, o agora árbitro da Super Liga do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas e também da Liga Brasileira de Xadrez (LBX) se diz muito feliz com o momento em que o esporte vive, não somente em nossa cidade, mas também em todo o Brasil. Esse cruzeirense de coração que, além do Xadrez, praticou outros esportes como o Basquete, é o nosso convidado de hoje do Bate-Papo.Com.

 

Wilton Borges: É um prazer ter você aqui Adriano.
Adriano Pena: É Wilton, o prazer é todo meu. Muito feliz pela oportunidade. Satisfeito com o crescimento do Xadrez na cidade, com o número de participantes.

 

Não só na cidade, como em todo o país. Um esporte que a cada dia que passa vai ganhando novos adeptos.
Isto. A gente fala Araxá por estarmos aqui. Mas, a nível nacional o Xadrez vem crescendo e já há algum tempo é o segundo esporte mais praticado, perdendo apenas para o futebol devido a sua grande importância. É um esporte que vem caminhando no crescimento na área da educação e do esporte. E Araxá vem acompanhando este crescimento.

 

Certa vez, eu vi uma matéria sobre Xadrez que mostrava alguns atletas de outros esportes praticando, como vôlei, basquete e, principalmente os técnicos o usavam muito, porque dava a eles uma visão melhor para o esporte em que eles competiam e trabalhavam. Realmente, o Xadrez aumenta a percepção do atleta, não é?
Isto. Na Rússia, após a Segunda Guerra Mundial, eles utilizaram o Xadrez para reconstruir o país. Os resultados foram fantásticos e transportaram isto para dentro das escolas e, lá hoje, já há muitos anos, o Xadrez é uma disciplina obrigatória que desde o início até a faculdade é importante. Inclusive, se o aluno passar em todas as disciplinas e não passar em Xadrez é reprovado. E dentro do esporte, ele foi aplicado para os treinadores e atletas porque aprendiam dentro da escola e tinham um desenvolvimento intelectual acima da média. E com isso, a União Soviética e até hoje a Rússia, podemos observar que dentro das Olimpíadas no quadro de medalhas fica atrás somente dos Estados Unidos, à frente de outros países de primeiro mundo da Europa.

 

Hoje, são 14 anos que você realmente se iniciou no Xadrez. Eu queria que você contasse um pouco sobre como começou a praticar o esporte.
Quando eu era pequeno, adolescente, sabia movimentar as peças, mas não sabia nem que Casa Branca ficava do lado direito do tabuleiro. Aí, fui para outras cidades e fiquei muitos anos sem jogar. Quando retornei a Araxá, em 2001, eu voltei a jogar, brincando. Me falaram do Sr. Arthur Rosa e, no dia seguinte, fomos ao escritório dele e estava organizando uma reunião com o pessoal que praticava na cidade (pouquíssimas pessoas), com o objetivo de reativar o Clube de Xadrez de Araxá que estava há mais de 40 anos desativado. E foi aí realmente que eu comecei a jogar xadrez constantemente e observei a importância do esporte no desenvolvimento, porque tinha de estudar muito.

 

De lá pra cá, o esporte somente crescendo e a academia com muitos atletas e eventos organizados ao longo do ano.
Araxá é hoje uma das principais cidades de Minas Gerais na realização de eventos, na formação de atletas. São vários enxadristas que estão sempre participando de torneios locais e do Circuito Minas Gerais, dentre outros eventos. E atletas de escolas participando do JEMG e outros eventos escolares.

 

Falando agora de alguns atletas que têm certo destaque na mídia, tanto em nível local como estadual. Queria que você falasse um pouco de alguns nomes, como Vitor Amorim Frois que é um candidato a mestre.
O Vitor começou comigo aos 6 anos e é um garoto muito inteligente, tem total apoio da família, bastante persistente. Estuda muito e é muito organizado. Ele tem muita facilidade e é um excelente aluno, foi crescendo, chegou a ser campeão brasileiro escolar por dois anos e, no ano passado, disputando o Sul-Americano da Juventude (na categoria dele) no Uruguai, ele conseguiu terminar em 3º lugar, conquistando o título CM que é Candidato a Mestre, isto aos 12 anos.

 

Outro garoto de destaque é Cesar Romero Júnior.
Outro excelente aluno. Cesar foi meu aluno desde o 5º ano no Colégio São Domingos e depois na academia e é superaplicado e dedicado. Teve grandes resultados, não somente nos tabuleiros, mas nos estudos. Recentemente, ele passou em cinco vestibulares de universidades federais e sempre comenta que uma das principais coisas na vida dele foi o Xadrez que o ajudou em tudo.

 

Outro nome que recentemente vem ganhando destaque é o de Lucas Cruvinel.
O Lucas é um enxadrista araxaense que começou também novo, ficou um bom tempo parado e retornou no ano passado. Ele conversou comigo que estava querendo retornar aos tabuleiros e voltou a treinar. É um jogador muito forte da cidade também e retornou bem, obtendo ótimos resultados. Inclusive foi o Campeão do Circuito Minas Gerais de 2014. Mais um título pra cidade.

 

Também sempre se destacando, mas já não é um garoto, porém apoia muito e quer ver o esporte crescendo na cidade, é o sargento da Polícia Militar, Marco Antônio Gonçalves.
O sargento Marco Antônio Gonçalves é outro enxadrista que começou a jogar na época de faculdade, quando cursava matemática, e é um forte jogador hoje na cidade. Joga de igual para igual com todos os demais atletas da cidade e, nos últimos anos, vem conquistando os maiores resultados em torneios locais, juntamente com o Vitor Amorim. Ele está com vários projetos no Batalhão da Polícia Militar também e está sempre buscando bons resultados.

 

Você, até recentemente, era professor de Xadrez no Colégio São Domingos. E o esporte fazia parte do currículo escolar do aluno. Como que funcionava e como que era a aceitação dos alunos, principalmente daqueles que chegavam de outras escolas que não tinham o esporte na grade escolar?
O Colégio São Domingos adotou o Xadrez na grade curricular há mais de nove anos e realmente tivemos grandes resultados, não somente como atletas, mas também no rendimento escolar dos alunos. E quando recebia alunos de outras escolas que se transferiam para o colégio, chegavam encarando o Xadrez e, nós ensinávamos e orientávamos, sempre trabalhando de forma que eles entendessem a importância e conseguindo igualar com a turma que já estava aprendendo e os bons resultados acabavam chegando.

 

Volta naquela história dos treinadores: amplia a percepção e o raciocínio vai ficando mais rápido.
É. Melhora muito. Podemos citar a questão da distração, o raciocínio rápido, raciocínio lógico, a concentração, a forma de pensar, a criatividade... tudo que usamos em nosso dia a dia. Então, jogando Xadrez você vai desenvolver essas qualidades em você e, por isto, é bastante importante.

 

Vou te fazer uma pergunta aqui, que a reposta é quase que óbvia, mas tenho de fazer porque muitos têm esta dúvida: qual é a diferença do Xadrez Rápido em relação ao Xadrez Pensado? O Rápido são embates mais curto e o Pensado mais demorado?
Esta pergunta todo mundo sempre está fazendo, porque vêem no jornal, nas notícias, nos eventos: O torneio foi disputado na modalidade Pensado ou Rápido? Por quê? Bom, no Xadrez existem três tipos de modalidades. Blitz, que vai até 15 minutos para cada jogador. Rápido, que vai de 16 a 59 minutos para cada jogador. E o Pensado que vai acima de 60 minutos com partidas nocaute com acréscimo de tempo. Têm partidas hoje em torneios importantes que duram até 4 ou 5 horas, com tempo de 1 ou 2 horas para cada jogar com acréscimo de tempo por lance.

 

Quando vai ser esses torneios fora de Araxá, como os que o Vitor Amorim disputa, principalmente os internacionais... Normalmente, em esportes que exigem esforço físico tem aquela preparação que antecede os eventos. E no Xadrez, no qual a pessoa também tem as desgastantes viagens, existe alguma preparação para esses eventos que envolvem somente o raciocínio?
Existe. Interessante, porque a preparação do Xadrez é importante e, por ser um esporte mental, desgasta muito. Por pensar bastante. Inclusive, têm jogadores que chegam a perder alguns quilos jogando partidas muito complicadas. A preparação é feita desde a alimentação à preparação física e psicológica. O Xadrez não é somente estudar, treinar e ficar no tabuleiro, não. Então, o atleta tem que fazer caminhada na parte da manhã. Acordar cedo e ter uma boa alimentação. Uma corrida leve antes de sentar-se à mesa, porque o esporte é muito desgastante. Pode ficar horas e horas às vezes em uma posição sentado, e o corpo sente aquilo. Tem de estar preparado fisicamente. E aí, se você tiver uma alimentação pesada vai refletir muito no seu pensamento e vai te atrapalhar e muito.

 

Adriano, um fato que muitos atletas do especializado reclamam muito é a falta de apoio das empresas locais. Vocês também enfrentam a mesma dificuldade?
Graças a Deus, o Xadrez tem a grande aceitação das empresas em relação ao esporte. Primeiro, eles alegam muito ser um esporte extremamente importante que está dentro das escolas e a maioria tem filhos que estudam e estão aprendendo o Xadrez e vê os resultados. E aí, eles valorizam muito. Não tive tantos problemas com relação ao patrocínio, não. Lógico que pequeno, sim. Falta algumas empresas se organizarem, planejarem e dar mais valor e patrocinar mais. Às vezes, patrocina um evento, outro não. E lógico que temos que ver a situação atual da empresa, mas com relação ao patrocínio, não temos muito a reclamar não.

 

Mas, e quando algum atleta vai disputar algum torneio fora de Araxá? As viagens, hospedagem e alimentação para esses torneios? Ele consegue patrocínio ou é tudo custeado pelo próprio atleta?
Hoje, temos apenas o Vitor Amorim que tem duas empresas que o patrocina, porque são viagens que, às vezes, é para o exterior. Ou mesmo para dentro do Brasil, com viagens mais longas. São torneios que às vezes duram até uma semana e são despesas bem maiores. E como ele tem apenas 12 anos, tem que estar acompanhado pelos pais ou pelo treinador. Diferente de outros atletas adultos que disputam torneios locais ou em cidades vizinhas.

 

Você já teve algum encontro com a assessora de Esportes Especializados, Jane Porfírio, para falar a respeito do esporte, mostrar algum projeto que possa ser realizado com o apoio da prefeitura?
Projetos têm aos montes, né? Inclusive, eu não tive foi tempo de ir lá sentar pessoalmente e conversar com ela para apresentar alguns desses projetos. Já me perguntaram isso, mas eu não tive realmente tempo. Mas, tenho certeza que quando eu tiver oportunidade vou ser muito bem atendido.

 

Há algum tempo, você também se dedicava a outros esportes, praticava basquete. E eu queria que você falasse um pouco desse esporte que já teve dois momentos em nossa cidade de crescimento, que foi na década de 90 e há três anos, mas que acabou não decolando.
Eu sempre gostei de Handebol e Basquete na época de escola. Mais um pouco do basquete. Sempre joguei, gostava e gosto muito. Não estou jogando mais, mas ainda gosto. E em uma época, nós montamos um time de basquete. Treinávamos e o pessoal que jogava na cidade começou a aparecer e eles alegavam a falta de incentivo, de apoio e, com isto, a maior parte deixou de jogar. E quando reativamos o esporte e montamos nosso time, chegamos até a realizar campeonatos na cidade com seis equipes e o pessoal voltando às quadras. Mas, a falta de apoio, pois esse esporte é diferente do Xadrez e exige mais incentivo, mais espaço físico com as quadras em condições de uso, com bolas e cestas, uniformes, coletes e uma série de coisas que acabava não tendo, o esporte acabou “morrendo” novamente.

 

Bom, pra encerrar e voltando ao Xadrez, quais os objetivos que ainda faltam ser alcançados pela Academia Araxaense de Xadrez, para ter o esporte ainda mais forte no futuro?
Graças a Deus, no momento o Xadrez na cidade está indo muito bem. Somos referência no Estado e, a cada ano, vamos elaborando projetos para estarmos sempre melhorando e aprimorando o que já está sendo feito. Estamos hoje coordenando aqui, através da Academia, o Circuito Minas Gerais que está indo para a sua 4ª edição. Nós temos vários projetos, como o projeto Extensão Cefet que foi aprovado este ano e que vamos dar início logo. Temos aulas no Centro Educacional Júlio Dário que começaram este mês e estão indo muito bem. Temos um projeto de Xadrez na escola do Sesc que está indo muito bem e é referência no Estado e teve seu início em 2012, aqui em Araxá. E nós estamos com as aulas na academia, com formação de atleta junto ao projeto multiplicador e vamos trabalhar a cada dia para estarmos aprimorando esses projetos. Como outro que vamos iniciar este ano que é o projeto “Xadrez no Batalhão Militar”, para a formação estratégica do militar e que vai ser muito importante para ele e a sociedade.


Após a entrevista, fomos informados por Adriano que em fevereiro deste ano Araxá ultrapassou Uberlândia e se tornou o município mineiro com o maior número de enxadristas com Rating Nacional da Liga Brasileira de Xadrez. Outra informação, o vereador Fabiano Santos Cunha está com o projeto de criar a Lei Municipal do Xadrez, que tornaria obrigatório o esporte dentro da grade curricular das escolas municipais.

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