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Entrada no teatro municipal gera polêmica
13/04/2015, às 12:34:39

 

A leitora Maria Aparecida de Faria foi uma das centenas de pessoas que apesar de estarem na fila com antecedência para assistir a peça “Palavra de Mulher”, não conseguiram entrar no Teatro Municipal de Araxá. O produtor cultural Joãozinho Uirapuru, explica que 100 dos 300 ingressos foram distribuídos com antecedência para apoiadores e os 200 restantes foram entregues no hall do teatro, exatamente na hora marcada, às 19h, para quem estava na fila. Ele acrescenta que às 20h foi liberada a entrada de todas as pessoas que conseguiram o convite e, 15 minutos depois, das pessoas que estavam na fila de espera até a lotação do teatro que é de 300 lugares.


“E para provar que foi democrática a ocupação desses lugares no teatro, até mesmo apoiadores ou ilustres pessoas que receberam esse convite perderam a sua vaga porque não chegaram a tempo de começar o espetáculo e, assim, permitiram a entrada de outras pessoas que compareceram ao evento e não conseguiram os convites”, destaca Joãozinho.

 

 

Os questionamentos - Porém, Maria Aparecida alega que não foi cumprido o que foi divulgado ao público. “O acesso ao teatro se daria através de ingressos a serem distribuídos uma hora antes do início do espetáculo. Pois bem, mais uma vez, nós fomos feitos de bobos, pois, apesar de ficarmos na fila por mais de uma hora e meia, não vimos a distribuição dos ingressos e, por volta das 20h30, fomos informados que a lotação do espaço já estava completa. Então, questionamos a equipe do Sr. Joãozinho como isto podia estar acontecendo, sendo que não presenciamos a distribuição dos ingressos”, afirma. Ela diz que resolveu procurar a imprensa porque não é a primeira vez que passa por essa situação. “Fatos semelhantes a esse estão sempre acontecendo quando o espetáculo é de maior projeção, eu cito as apresentações do Alexandre Borges, Du Moscovis e Letícia Sabatela ocorridas recentemente”, cita.


Ela destaca que esses grandes espetáculos são patrocinados através da Lei de Incentivo à Cultura justamente para democratizar o acesso da população em geral. “Essa lei é mantida por nosso dinheiro, nossa contribuição de impostos, justamente para dar acesso democrático e igualitário às pessoas. Principalmente, àquelas que não possuem condições para irem aos grandes centros para ter acesso aos eventos”, afirma. Maria Aparecida acrescenta que ficou indignada ao perceber que são as mesmas pessoas que têm acesso aos espetáculos. “Quando vemos as fotos pelas redes sociais e até mesmo pela imprensa, sempre são os mesmos que estão tendo acesso. Ou seja, nós que não somos funcionários da empresa patrocinadora, da prefeitura, não somos da diretoria da Acia, do Poder Judiciário, do Legislativo, ficamos a ver navios”, diz.


Maria Aparecida reconhece a importância desse incentivo cultural, mas sugere que a distribuição dos ingressos para os espetáculos seja revista. “Que ocorra de forma transparente, honesta, sem favoritismo e com respeito ao povo de Araxá. Pedimos que a imprensa não faça somente a divulgação dos eventos, mas também acompanhe a distribuição e registre a entrada das pessoas no dia dos eventos, pois assim estaremos evitando situações semelhantes”, destaca.

 

 

As respostas - Joãozinho ressalta que cumpriu “a risca” as regras estabelecidas para a entrada no teatro, porque a maior parte dos ingressos foi distribuída às 19h, em ponto, para quem já estava na fila. Ele acrescenta que mesmos os apoiadores que já tinham o ingresso e chegaram ao teatro a partir das 20h não puderam entrar, sendo que esses lugares foram ocupados por quem ainda estava na fila. Segundo ele, o problema tem ocorrido justamente porque se esforça para proporcionar espetáculos de qualidade à população através da Campanha Vá ao Teatro, mas para isto enfrenta várias dificuldades. “Na última sexta feira (10), tivemos uma apresentação que entra para a história da Campanha Vá ao Teatro, uma proposta que há 22 anos lutamos para manter em atividade. Mas para realizar tal façanha, temos muitos obstáculos a enfrentar. À vezes, falta apoio financeiro. Outras vezes, espaços inadequados para grandes produções como esta que acabamos de trazer”, afirma. 


Segundo ele, se sente realizado. “Com o espetáculo ‘Palavra de Mulher’, realizamos o sonho de ver novamente a nossa iniciativa sendo valorizada e os convites sendo disputados. O motivo é que desde o início sempre procuramos fomentar a formação de plateias apresentando atrações de qualidade e sucesso e que possam integrar nossa cidade ao circuito cultural do país”, explica. Mas, ele acrescenta que ainda preciso superar os problemas. “Quando não se tem apoio via lei de incentivo, podemos arriscar uma bilheteria e fazer quantas apresentações necessárias. Mas, quando estamos avalizados por esse incentivo para uma apresentação gratuita, temos que adequar aos ditames da lei. Nesse caso, o espaço escolhido, o Teatro Municipal de Araxá, comporta apenas 300 pessoas, o que não possibilitou a entrada do número de pessoas duas vezes maior que compareceu ao evento que, por ser gratuito, não teria distinção. Salvo apenas um número de convites para apoiadores, o restante em número bem maior foi entregue no hall”, afirma.


Joãozinho diz que gostaria que todas as pessoas tivessem tido acesso ao espetáculo que é um dos mais aplaudidos e premiados do ano e vem sendo apresentado com lotação de público nas capitais do país. “Mas, se isso não foi possível, o que podemos sugerir é a volta do espetáculo ainda neste ano e, desta vez, de comum acordo com os parceiros, realizar uma apresentação no palco de fora do teatro. O que vai possibilitar o acesso para um número bem superior de pessoas e atender a frustração daqueles que não conseguiram a entrada na apresentação da sexta-feira passada”, sugere. Para o palco de arena do Teatro Municipal de Araxá, a lotação prevista é de 2,5 mil lugares na grama em frente.

 

Ele afirma que outra medida que pode ser seguida daqui pra frente é a cobrança de ingressos com valor simbólico. “E que esse valor possa ser direcionado a uma instituição de caridade e, assim, diminuir a sensação de que não houve uma distribuição a contento de todos”, diz. Joãozinho acrescenta que outra possibilidade é a de realizar mais de uma apresentação de um mesmo espetáculo. “Agora, o que nos conforta e nos deixa animados é que temos conseguido bom êxito, enquanto sabemos que muitos espetáculos não conseguem nem atingir a metade da casa. Isso nos impele a seguir adiante e buscar novas formas de realizar a nossa principal proposta que é justamente popularizar as artes cênicas e fomentar a cultura local de forma democrática, promovendo acima de tudo a inclusão em todas as esferas da comunidade. Espero que tenha conseguido em nome de toda a organização da Campanha Vá ao Teatro explicar como foi realizada a distribuição dos convites para o espetáculo ‘Palavra de Mulher’ e de que forma poderemos melhorar o esquema das próximas apresentações”, destaca. Ele informa que a campanha conta com uma programação muito interessante para este ano, como o próximo espetáculo, “O Filho da Mãe”, em homenagem ao Dia das Mães. “Para qualquer dúvida ou sugestões, temos a nossa Fan Page www.facebook.com/uirapurusarteecultura e também a página da campanha www.facebook.com/vaaoteatroaraxa é só acessar”, informa.

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