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EDITORIAL - A cronicidade do problema
22/04/2015, às 08:19:20

Será que as pessoas que estão à frente das manifestações pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff, dentre outras palavras de ordem, acreditam mesmo que o cerne do problema brasileiro é ela e o PT? Lógico que não, apesar da ignorância em relação às muitas mazelas que acontecem no país, já é senso comum que a raiz da corrupção cresce sem parar no solo brasileiro desde a sua colonização. Ao ponto de hoje tratar-se de uma questão cultural, espelhada em hábitos e até no próprio linguajar do povo, como na “lei de Gérson que gosta de levar vantagem em tudo” e no tal “jeitinho brasileiro”. Especialmente a classe política, seja a que está na situação ou a que hoje faz oposição, claramente age por obscuros interesses.



Nos oito anos do governo tucano à frente do país, anteriores aos doze dos petistas, também não faltaram escândalos, como o das privatizações e o do mecanismo da reeleição. A diferença é que se a corrupção continuou ou foi até aprimorada como dizem por aí, está muito mais descoberta nos dias atuais. Nestes vinte anos, também houve avanços a partir do aprendizado democrático tão cerceado durante outros duros vinte anos de ditadura e do alcance da comunicação. Esses avanços tornam mais difíceis corromper e ser corrompido, seja pelo conhecimento e consciência, pela transparência e pela mobilização. As injustiças sociais, com tanto nas mãos de poucos e quase nada nas de muitos, além do achatamento da classe média que está em descendência, também estimulam a população a sair do conformismo. Esses crimes que têm vindo à tona, como os apelidados “mensalinho”, “mensalão”, “petrolão” e “zelote”, são antigas práticas que não acontecem apenas em níveis de bilhões e milhões, como existem aos milhares nos próprios municípios. Assim como, não estão restritas a um só poder.



Se ao invés de achar culpados para esconder as próprias culpas, a população passar a exigir mudanças que possam sinalizar realmente uma transformação cultural será possível gradativamente superar essa crise social. A começar pelo desmantelamento dos esquemas políticos, porque qualquer um desses escândalos envolve o que é público sendo desviado para o privado. A política deixou de ser a arte de bem governar em prol do coletivo, se é que um dia já foi assim no Brasil. Até o momento, essa habilidade parece imperar a favor do próprio poder, que ao invés de ser exercido para cuidar dos negócios públicos é usado para se manter a custas da corrupção. A proposta de uma reforma do sistema político-eleitoral só seria legítima e eficaz se partisse de baixo pra cima, com ampla discussão pela sociedade, e não como tem sido desenhada até agora pela classe política.



Essa seria causa digna das maiores manifestações populares, de um movimento suprapartidário envolvendo todos os segmentos e classes sociais. Realmente, com ampla maioria mobilizada não só para exigir, como também propor as mudanças no sistema político-eleitoral. Assim, seria um começo. Não o que tem sido visto até então, como inclusive aponta as pesquisas, um amontoado de gente apenas bradando contra a corrupção e na onda pelo impeachment de Dilma.



Se ela perder o cargo, o que mudaria neste país sob o comando do PMDB, tão quanto ou mais fisiologista do que os demais partidos? De acordo com o Datafolha, o perfil de quem foi às ruas nessa última manifestação: 82% votaram em Aécio no 2º turno, 29% acreditam que Dilma será afastada da presidência, 42% sabiam que o vice-presidente (Michel Temer/PMDB) assumiria em caso de impeachment e 69% se declaram brancos. Quanto à renda dos manifestantes: 27% ganham de R$ 3.940 a R$ 7.880; 22% de R$ 7.880 a R$ 15.760; 19% mais de R$ 15.760; 15% de R$ 2.364 a R$ 3.940 e apenas 14% até R$ 2.364. É o caso de perguntar, o perfil desses manifestantes reflete o dos brasileiros? Não. Esse perfil é muito mais próximo dos que estão se sentindo ameaçados, acuados, preocupados com a própria situação face ao poder.


Tanto é que nesta semana líderes de 15 grupos que coordenam as mobilizações deixaram as ruas e foram ao Congresso Nacional entregar uma pauta de reivindicações aos parlamentares, de oposição, é claro. Na pauta está o óbvio, o pedido de impeachment da presidente lidera a lista; o combate à corrupção, como se não estivesse ocorrendo por forças legítimas como a Polícia Federal e o Ministério Público, e algumas questões relativas à reforma política, sendo as defendidas pelos próprios políticos e partidos. Lembrando que, à frente do Congresso Nacional estão dois exemplos de questionáveis políticos brasileiros.

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Clarim
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