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EDITORIAL - Saturação
08/07/2015, às 08:30:29

 

Os pretensos candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador têm que estar filiados no partido em que vão disputar as Eleições 2016 até 2 de outubro próximo, ou seja, um ano antes do pleito. Então, nos próximos três meses intensificam-se as conversas políticas, com vistas à formação do rol de candidatos de cada uma das 20 legendas existentes em Araxá, das 32 no país. Não deve haver mudanças significativas nas regras da disputa que devem ser praticamente as mesmas das Eleições de 2012, como a possibilidade de reeleição dos atuais prefeitos para mais quatro anos de mandato. Mas, já em relação ao Poder Legislativo, pode ser que os atuais vereadores, como dantes, queiram aumentar de 15 para 17 o número de cadeiras na Câmara Municipal. O que é possível, porque Araxá mudou de faixa ao ultrapassar os 100 mil habitantes, mas não é obrigatório, sendo que de novo o tiro pode sair pela culatra. Diferente mesmo está apenas a cabeça do eleitorado araxaense.

O eleitor está esgotado com a política local, sem ânimo e descrente. Não é só a situação do país que contribui para o clima de desmotivação, mas especialmente o desgaste político decorrente da disputa das Eleições 2012 e da descontinuidade de governo. Primeiro, os últimos dois anos num clima de acirrada disputa judicial pelo comando da cidade, que por isto saiu completamente da normalidade. Depois, a falta de transição adequada de governo, agravada com a não prestação de contas anteriores junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e por um Orçamento Municipal superestimado em uns R$ 110 milhões, ou seja, projetaram as receitas e despesas anuais para 2015 em cerca de R$ 330 milhões e, na realidade, devem fechar nuns R$ 220 milhões, menos do que o efetivamente arrecadado em 2014. Essas questões desestabilizam completamente o eleitor, mesmo num município que não tem sido tão assolado pela crise quanto à grande maioria do país. O problema aqui é a crise política, que tem sido muito maior do que a econômica.

As perspectivas eleitorais são um pouco diversas para os cargos a prefeito e a vereador. Como o povo está esgotado com as turbulências decorrentes das mudanças no governo municipal, que necessariamente precisa voltar a planejar e agir em curto, médio e longo prazo, se a atual administração fizer o dever de casa, evitando cair no desagrado popular e cumprir com o básico ansiado há algum tempo, sem soluções mirabolantes e desperdício de tempo e recursos, mantendo a segurança e resgatando a confiança do eleitor, será mais do que meio caminho andado para continuar pelos próximos anos. O problema mais difícil nessa direção pode ser mais uma vez o descontentamento da classe política entre si, muito mais do que do povo. Gente que não quer perder espaço ou quer ascender na carreira política e considera que o quanto pior para todos, melhor para ele. Embora já estejamos a praticamente um ano da disputa eleitoral e não há nada de novo no front em termos de candidaturas majoritárias.

Quanto à Câmara Municipal, já foi um erro aumentar de 10 para 15 o número de cadeiras e, pode ser ainda mais grave, se quiserem ocupar as 17 possíveis. Um aumento que chega a ser provável dada à pressão dos próprios partidos políticos e de quem está fora e acha que fica mais fácil pleitear a vereança. Nesse imediatismo, os próprios vereadores fiam-se apenas na ilusória vantagem que terão com a diminuição do coeficiente eleitoral se forem aumentadas as vagas. Ledo engano, porque por outro lado acirra-se a disputa com um número maior de candidatos ao cargo. Assim como fica muito mais difícil administrar a Casa depois e também diminui mais uma vez o peso de cada eleito, um voto entre dez vale muito mais do que um em quinze, imagina em 17. Além dos fatores políticos que abalaram a cidade nos últimos tempos, o aumento de cadeiras provocou um corporativismo maior na Câmara em detrimento das relações externas, que na hora do voto pesam muito mais do que o companheirismo entre eles. Portanto, os atuais vereadores vão sentir mais dificuldade em buscar a reeleição do que antes por uma série de fatores conjugados que hoje pendem mais para uma maior renovação na Casa. A não ser que também se beneficiem do desânimo geral em relação à classe política, o que afasta novas candidaturas.

De qualquer modo, os políticos precisam resgatar a autoestima de Araxá, promovendo uniões de verdade a favor da cidade, pelo menos até as eleições de fato.

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Clarim
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