Araxá

St George esclarece que não houve alteração na previsão de investir R$ 2 bilhões em Araxá até 2030

St George
Diretores da St George, o Executivo Thiago Amaral e o de Operações Adriano Porfírio Rios

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Diretores da St George, o Executivo Thiago Amaral e o de Operações Adriano Porfírio Rios, esclarecem que não houve alteração no investimento previsto de R$ 2 bilhões no Projeto Araxá de terras-raras e nióbio até 2030. Eles apontam as áreas a serem mineradas, assim como a mitigação dos impactos ambientais e a importância para o mundo da qualidade do minério de terras-raras já prospectado no município.

Thiago explica que a empresa de minerais críticos constituída em Araxá em 2024 com matriz em Perth, na Austrália, vem obtendo seus recursos através da Bolsa de Valores Australiana. Ele acrescenta que o Projeto Araxá é o principal e mais avançando da St George, “é onde nós estamos recebendo o maior nível de investimento e de atenção do mercado”.

Segundo ele, o projeto foi adquirido da Itafos, antiga Mbac. “As terras raras de Araxá são conhecidas desde a década de 1970 e o Nióbio também já há muito tempo. E essa área que tem uma particularidade de ter altas concentrações de terras-raras, um teor de Nióbio considerável, permite que a gente desenvolva esse projeto que é de duas grandes commodities, dois grandes elementos importantes para a transição energética, para o futuro do mundo.”

Thiago conta que possui 19 anos de experiência em minerais críticos, principalmente em Araxá. “E essa experiência que eu já havia trazido do meu passado tanto na área de qualidade, de produção, de meio ambiente, licenciamento, comercial e de desenvolvimento de mercado me permitiu liderar esse projeto e convidar grandes amigos extremamente experientes e altamente reconhecidos que estão acostumados a transformar e a operar minas com grande competência.”

Ele diz que está na St George há dois anos e hoje a equipe já conta com quase 30 pessoas, “todos muito experientes e com um currículo e uma atuação altamente ética e responsável”. Ele aponta o diretor Adriano que também possui grande experiência em minerais críticos, tendo trabalhado em projetos de Nióbio e terras-raras em Araxá.

Adriano trabalhou na Prefeitura de Araxá e depois no ramo de minerais críticos na iniciativa privada por 24 anos. “Eu tive uma reestruturação de carreira, passei um período meio sabático em Portugal e, depois de cumprir este tempo todo, o Thiago me procurou com um projeto de terras-raras para desenvolver aqui em Araxá”, conta.

Segundo ele, acredita muito no projeto em desenvolvimento, “Araxá já conhece terras-raras desde a década de 70 e nunca pôs para produzir, para vender como produto final, é uma oportunidade de tentar fazer isto e vamos fazer”, afirma Adriano.

Direitos minerários

Thiago esclarece que o Projeto Araxá possui três direitos minerários, porém desde o início a empresa informou ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que um destes não pode ser explorado porque a área está dentro do Complexo do Barreiro, pedindo o seu bloqueio.

“Então, a gente já procurou o DNPM e falou, olha, esse bloco aqui não dá para ser explorado. A gente é araxaense, nascido, criados aqui, tem nossa família, então, uma responsabilidade muito grande nas nossas decisões como executivos da empresa e também com o legado que nós estamos construindo em Araxá”, afirma. Segundo ele, essa área com cerca de 15 hectares está próxima ao antigo Hotel da Previdência (Nacional Inn) dentro do Barreiro.

Thiago diz que então a St George tem dois direitos minerários a serem explorados que começam de um lado da estrada Araxá/Franca onde está a linha férrea até próximo à curva da antiga estrada do Barreiro. “Eu costumo dizer que eu divido essa área em três partes de mais ou menos 30 a 40 hectares cada uma. Dos 120, 130 hectares ali de área, o primeiro terço está do outro lado da antiga estrada do Barreiro que a gente chama de área Leste que está em prospecção. Ainda não tem um recurso gerado, mas nós estamos finalizando uma primeira prospecção de 10 mil metros para que a gente possa avaliar a presença de recursos.”

Ele acrescenta que a parte central tem a CBMM como superficiário, ou seja, é proprietária do solo acima da jazida mineral pertencente à União. “Na qual a gente ainda não obteve a possibilidade de acessar e fazer a pesquisa minerária, mas que traz todo o indicativo da mineralização dada a ocorrência tanto a Leste quanto a Oeste”, afirma.

Thiago acrescenta que abaixo à da CBMM e até a curva da antiga estrada do Barreiro é área de propriedade do Estado que já foi pesquisada pela St George. “É a área que a gente já tem a reserva de 111 milhões de toneladas de terras raras com um nível acima de 2%, ou seja, um material muito rico. É uma das maiores reservas do mundo.”

Segundo ele, nessa região já foram feitos cerca de 20 mil metros de sondagem. “Esses recursos comprovados apresentam os elementos de terras raras principais que é o neodímio e o praseodímio, utilizados nos ímãs de maior qualidade no mundo. Araxá se tornou referência com um nível desses dois elementos maior do que inclusive outras minas que estão em operação na Austrália e nos Estados Unidos.”

Thiago destaca a importância dessa pequena área devido a esses recursos minerais. “Essa é uma região com concentração muito alta, diferente de todas as outras áreas ali do Carbonatito em que o minério tem ocorrência de terras raras, mas de níveis muito mais baixos, o que torna o processamento deste material mais caro e mais difícil. Nessa pequena região, a gente consegue fazer um processamento de uma forma muito mais eficiente, muito mais competitiva, trazendo então a possibilidade de realmente transformar esse minério em produtos para o mercado”, esclarece.

O diretor diz que esse material já está sendo trabalhado para o desenvolvimento de novas alternativas e tecnologias que permitem reduzir muito o custo de produção. “Esse grande diferencial tem feito o Projeto Araxá ser tão importante e tem trazido atenção do principal acionista de terras-raras do mundo que é o grupo Hancock Prospecting. Eles são hoje o nosso maior acionista com 10,5% das ações do nosso grupo, dado os resultados e os processamentos que a gente vem apresentando ao mercado”, destaca.

O diretor Adriano aponta que o neodímio e o praseodímio são muito usados em ímãs permanentes para geração de energia eólica e nos carros elétricos. “Então, o projeto tem um apelo ambiental e global muito grande. O Projeto Araxá pode causar um impacto ambiental global, sendo um fornecedor fora da China de produtos importantíssimos nessa transição energética que hoje o mundo tanto aspira fazer”, afirma.

Impactos

Thiago assegura que não haverá impacto visual e barulho na atividade minerária próxima ao Barreiro. “Nós fizemos todos os estudos de impacto, todas as avaliações e a gente tem alguns compromissos bastante importantes quando se está próximo de uma estância onde realmente a paz, a tranquilidade é importante”, diz. Ele acrescenta que um dos compromissos assumidos com acionistas e investidores é utilizar 100% de veículos elétricos na operação, “justamente para evitar barulho de motor e fuligens”.

Thiago diz que também estão sendo feitos estudos visuais na região que será protegida com “cortinas verdes”. “E mais importante, nós estamos começando essa mineração com uma nova legislação cada vez mais forte na visão da proteção ambiental e social. Nós já estamos trabalhando, inclusive no que vai ser essa área pós mineração e como pode se integrar”, afirma. Segundo ele, o tempo estimado de exploração é cerca de 20 a 30 anos.

“Passa rápido, por isto é muito importante a gente já começar um trabalho desses pensando em como vai terminar, o que nós vamos deixar para a sociedade. E o principal, como que essa área que hoje é sem uso-fruto nenhum da população ou do próprio complexo do Barreiro pode se tornar uma grande vantagem futura de uso para aquela região, garantindo a água, garantindo todos os recursos que são importantes para aquele complexo e também pensando em possíveis atuações adicionais de turismo para a região, para trazer a economia pós mineração.”

Polêmica

O diretor Thiago diz que na área de propriedade da CBMM, onde existem rejeitos da mineração de Nióbio na barragem B4 já desativada, há interesses ambiental e minerário que hoje estão em discussão. “O que a gente vê hoje são duas opções para a solução do problema. Uma é fazer um encapsulamento, vamos dizer assim, da contaminação, o que já foi feito porque isto era uma obrigação no Termo de Compromisso de 2018 com o Ministério Público (MP).”

“A gente visualiza uma segunda opção que é retirar esse rejeito, tratar, recuperar inclusive o Nióbio, o que vai trazer ganhos ambientais. Você reduz o rejeito, transforma isto em produtos, em ganho para a sociedade, porque precisa tirar menos material da mina”, diz. Ele explica que embora a St George detenha o direito minerário dessa área, a barragem de rejeito pertence à CBMM e à Codemig.

Segundo ele, devido a esse impasse que está na Justiça ainda não foi possível prospectar essa área. Thiago rebate o argumento de que a prospecção da área possa provocar instabilidade na barragem. “Não por conta de uma pequena perfuração como a gente está falando. Um exemplo claro disso foram escavações enormes que foram feitas com a destoca de eucaliptos com mais de 30 metros de altura, completamente arrancados dos rejeitos que estavam lá dentro da barragem. Então, como falar que uma estrutura dessa é instável ou que fazer qualquer tipo de perfuração vai causar uma contaminação?”, indaga.

Segundo ele, existe um compromisso da CBMM junto à Agência Nacional de Mineração para remover esses rejeitos firmado em 1979. “Então, hoje esse é o compromisso firmado, mas é claro, dentro de um processo negocial, uma vez que a CBMM tenha a disponibilidade de sentar na mesa e conversar com a gente. A gente pode avaliar diferentes modelos de como fazer isso de uma forma técnica, segura e transformar de novo o que é rejeito em valor para a sociedade.”

Thiago afirma que nessa área da barragem não há risco de nova contaminação por bário em decorrência da chamada barreira hidráulica. “Então, existe ali todo um sistema que impede que qualquer água contaminada chegue ao Barreiro. Esse sistema vai continuar sendo utilizado durante a remoção do rejeito, garantindo que nenhum tipo de contaminação saia de dentro desta área.”

De acordo com Thiago, o Projeto Araxá já é viável independentemente da pesquisa que ainda não foi feita na área bloqueada. “O projeto já é viável economicamente só com aquele primeiro terço que eu comentei. Então, essa área é um potencial de aumentar o tempo de vida e tornar o projeto cada vez mais rentável. E nós temos a outra área a Leste que também pode complementar essa visão.”

Investimento local

Thiago informa que a St George já investiu cerca de R$ 80 milhões na região, a maior parte na aquisição de propriedades onde futuramente serão instaladas as indústrias e também a área de compensação vegetal. “Em todas as atividades necessárias para a gente entrar em operação, isto dá muita certeza e demonstra como realmente a gente quer tirar esse projeto do papel e transformá-lo em uma realidade econômica aqui para a cidade de Araxá.” Segundo ele, existe um cenário mais otimista de reaproveitamento de algumas estruturas na região para início da produção em 2028, o outro é começar um projeto do zero, o que demandaria um prazo até 2030.

A St George Mining Limited também firmou uma parceria de R$ 25 milhões com o Cefet-MG em outubro de 2025 para criar um centro tecnológico de pesquisas de processamento mineral e refino hidrometalúrgico que será implantado na área em frente ao campus da unidade de Araxá cedida pelo Dnit na av. Ministro Olavo Drummond, bairro Amazonas, onde as obras começam em breve.

Parceria em Uberlândia

Thiago diz que por uma questão estratégica do próprio negócio não houve informações ou contatos externos antecipados até a assinatura do protocolo de intenções entre St George com o Grupo Lima & Pergher apoiado pelo Governo de Minas Gerais para viabilizar um centro avançado de processamento de minerais críticos em Uberlândia.

Ele acrescenta que a iniciativa conecta Araxá a Uberlândia que abrigará uma futura unidade industrial de refino de terras raras em etapas posteriores ao projeto em andamento no município com investimento previsto de R$ 2 bilhões. “Além de atender à demanda do Projeto Araxá, o centro tecnológico de processamento de terras raras poderá prestar serviços de refino para outros projetos minerários em desenvolvimento no território mineiro. A St George atuará fornecendo tanto conhecimento técnico quanto a matéria-prima para o polo.”

 

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