A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de 12 saneantes sem regularização sanitária e de origem desconhecida no mercado nacional. A medida acendeu um alerta no setor de higiene sobre a prática ilegal de comercializar matérias-primas puras como se fossem produtos de limpeza prontos para uso.
Dos itens atingidos pela determinação da agência reguladora, sete traziam o termo “percarbonato” na denominação. O composto químico é amplamente utilizado pelas indústrias como ingrediente base para a fabricação de tira-manchas e alvejantes, mas não deve ser aplicado de forma direta e isolada pelo consumidor final.
Matéria-prima versus produto acabado
A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA) reforça que a decisão da Anvisa não proíbe a substância percarbonato de sódio, que segue permitida como insumo industrial, mas sim a sua comercialização irregular e sem controle sanitário.
A diretora-executiva da ABIPLA, Jordana Saldanha, explica que a eficácia e a segurança de um tira-manchas dependem de uma fórmula desenvolvida em laboratório, que equilibra a concentração dos ingredientes, a estabilidade do produto e as formas corretas de aplicação:
“O percarbonato não é um tira-manchas. Ele é uma das matérias-primas que podem compor a formulação do produto. O problema é quando uma matéria-prima é simplesmente embalada e oferecida como se fosse esse produto pronto. Quando o consumidor compra um tira-manchas, está adquirindo uma formulação desenvolvida com dosagem, advertências e controles de qualidade”, pontua Jordana.
Cuidados nos marketplaces e comércio eletrônico
A oferta desses insumos tem crescido em plataformas digitais e e-commerce, onde produtos químicos são anunciados sob os rótulos de “alvejante” ou “tira-manchas caseiro”, acompanhados de receitas ou instruções para uso direto na limpeza do lar, o que representa risco de acidentes domésticos e reações químicas indesejadas.
A entidade defende que as plataformas de vendas aprimorem seus filtros de fiscalização para impedir que matérias-primas sejam vendidas como saneantes acabados sem o devido registro.
Como o consumidor pode se proteger?
Para garantir a segurança da família e a eficiência na higienização da casa, a orientação principal ao consumidor é verificar as informações contidas no rótulo das embalagens:
- Registro na Anvisa: Todo produto de limpeza formalizado no Brasil obrigatoriamente exibe o número de Registro ou Notificação na Anvisa no rótulo;
- Dados do fabricante: Verifique a identificação clara e o CNPJ do fabricante responsável pelo produto;
- Instruções e segurança: Siga estritamente as recomendações de dosagem, modo de uso e advertências de segurança prescritas na embalagem;
- Atenção a insumos isolados: Evite adquirir substâncias químicas vendidas como matérias-primas isoladas com promessas de milagres na limpeza doméstica.
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