Justiça

MP de Santa Catarina diz que cão Orelha não foi morto por adolescentes

Caso cão Orelha arquivamento MP-SC

publicidade

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) protocolou nesta terça-feira (12) um pedido de arquivamento do caso envolvendo a morte do cão Orelha, ocorrida em janeiro de 2026. Após uma análise minuciosa de quase dois mil arquivos digitais, incluindo vídeos, fotos e mensagens, a promotoria concluiu que o animal não foi vítima de agressão por um grupo de adolescentes, conforme apontava a investigação inicial da Polícia Civil.

Segundo o MP-SC, a morte do cão, que era considerado comunitário, deveu-se a uma condição grave e preexistente de saúde, e não a atos de violência. A manifestação de 170 páginas entregue ao Juízo da Vara da Infância e Juventude esclarece que não houve encontro entre o animal e os jovens no período e local apontados como o momento das supostas agressões.

Inconsistências na investigação policial

A reviravolta no caso ocorreu após uma reconstituição da cronologia dos fatos. O Ministério Público identificou uma “defasagem de cerca de 30 minutos” nos horários registrados pelas câmeras de segurança, o que alterou a narrativa central do inquérito policial.

Além disso, análises de imagens mostraram que o cão mantinha capacidade motora e deslocamento normal quase uma hora após o suposto ataque, o que contradiz a tese de que o animal teria retornado da praia debilitado por agressões. Testemunhas também confirmaram que não houve registro da presença do cão na Praia Brava na manhã da ocorrência.

 

CLIQUE AQUI E PARTICIPE DO CANAL DO CLARIM NO WHATSAPP

 

Laudos periciais e exumação

A conclusão da promotoria foi fundamentada em laudos periciais realizados após a exumação do corpo do animal e no depoimento do médico-veterinário que o atendeu. Os exames comprovaram a inexistência de fraturas ou lesões compatíveis com ação humana.

O diagnóstico aponta que o cão sofria de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea crônica severa, possivelmente derivada de doença periodontal avançada. A inflamação, de evolução prolongada, explicava o edema (inchaço) na cabeça do animal, que anteriormente havia sido interpretado como trauma físico.

Desdobramentos e possível investigação interna

O MP-SC solicitou o arquivamento do inquérito principal e também da investigação que apurava suposta coação de testemunhas. Em um desdobramento administrativo, o órgão requisitou o envio de cópia dos autos à Corregedoria da Polícia Civil para investigar eventuais irregularidades na condução do inquérito, além de apurar a divulgação de informações sigilosas sobre adolescentes investigados.

Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina reiterou que concluiu o inquérito em seu tempo oportuno e que o encaminhamento ao Ministério Público faz parte dos ritos legais, destacando que ambas as instituições atuam de forma independente.

Fonte: Agência Brasil

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade