A Câmara Municipal perdeu o protagonismo nas principais decisões políticas e acontecimentos que impactam a comunidade há várias gestões. Ao invés de se destacar positivamente nas causas coletivas, o colegiado de vereadores tem sido lembrado pelo fisiologismo ao querer reajustar o próprio salário, reaver as férias de julho, aumentar o número de cadeiras dentre outras pautas na contramão das expectativas da população.
O exercício da vereança parece vir atrelado ao ganho pessoal e partidário em detrimento da defesa dos interesses coletivos, enquanto antigas demandas se arrastam travando o desenvolvimento do município. Não faz muito tempo que a imagem do Poder Legislativo local chegou a remeter à corrupção, falta de transparência e subserviência ao Poder Executivo.
Tanto que a renovação na Casa foi de dois terços dos vereadores nas últimas eleições, demonstrando que ainda prevalece a insatisfação popular com o trabalho dos vereadores. A frustração quanto ao bom senso, conhecimento e eficiência do legislador contribui para essa expressiva vontade de mudança do eleitorado.
Houve um tempo em que a Câmara Municipal levantou importantes bandeiras como para a reforma e reabertura do Grande Hotel e Termas de Araxá junto ao então governador de Minas Gerais, Itamar Franco (de 1999 a 2003), inclusive porque na época o chefe do Poder Executivo municipal não tinha interlocução com o governo do Estado.
Já numa conjuntura de união política entre o govenador Romeu Zema que inclusive é araxaense e o Poder Executivo municipal desde a gestão passada, as pendências continuam junto ao Estado quanto ao Barreiro e ao desenvolvimento econômico de um dos municípios mineiros que mais contribuem para a sua arrecadação.
Araxá era muito mais forte politicamente através da coesão suprapartidária dos vereadores em relação às primordiais questões para a cidade, exercendo importante papel social independentemente de serem situação ou oposição política à administração municipal. O conjunto se relacionava bem ao ponto de assumir a responsabilidade por relevantes ações apesar do posicionamento político do Poder Executivo.
Por um tempo mais recente, essa conduta foi substituída pela prática do escancarado apadrinhamento, da satisfação de interesses pessoais ou partidários mesmo em detrimento da coletividade, não só de representantes eleitos pelo povo como de outros servidores públicos.
Esse clientelismo na busca de vantagens pessoais, cargos, recursos e influência mesmo que recentemente desmascarado continua velado na cultura política local ao ponto de ser o eleitor o primeiro a cobrar favores para votar em determinado candidato. A mudança nesse comportamento do eleitorado é gradual à medida em que os representantes do povo abracem necessárias causas dentro de sua competência e se recusem às antigas jogadas políticas com recursos públicos.
A revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) com suas leis complementares como os códigos de Edificações, Posturas, Ocupação do Solo e Ambiental, a adequação, destinação e manutenção adequadas do Complexo do Barreiro e outros bens que são do governo estadual como o Expominas Araxá e o Plano de Mobilidade Urbana são algumas medidas ainda em suspense.































