Editorial

Mais educação, mais saúde

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Araxá precisa melhorar a oferta de ensino técnico e superior porque está diretamente relacionada ao atendimento à saúde da população que também precisa evoluir em média e alta complexidade dentre outros segmentos. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece um teto mínimo de gastos com educação e saúde em relação à Receita Corrente Líquida (RCL) dos municípios, respectivamente de 25% e 15%, a fim de assegurar o essencial para o desenvolvimento da comunidade. No entanto, nem sempre isso acontece apesar da LRF.

Não adianta investir até acima desses limites sem ações estruturantes que balizam o futuro como no caso de Araxá. Pois sem oportunidades, a mão de obra jovem quando possível migra para outros centros urbanos para estudar e trabalhar, especialmente na área da saúde. E muitos dos que não podem ir permanecem na cidade com poucas perspectivas de aperfeiçoamento e crescimento profissional, reforçando um ciclo de estagnação que precisa ser rompido com resolutividade.

É preciso considerar o passado para não cometer os mesmos erros no presente e ainda planejar o futuro com metas exequíveis de curto, médio e longo prazos para não depender de soluções de continuidade. Para isso, existem os instrumentos que direcionam a gestão pública como as leis orçamentárias e os planos plurianuais. Porém, podem ser seguidos ou não dependendo de cada administração municipal.

Outro exemplo é a formação de conselhos municipais atuantes que ajudam a gestão no atendimento à população de forma democrática ou daqueles que são apenas pro forma e geralmente complacentes com a vontade dos gestores independentemente de outras questões. O fato é que nas últimas três décadas Araxá não conseguiu enfrentar e superar importantes desafios no tempo certo como o de tornar-se polo regional na educação e, consequentemente, na saúde.

É verdade que não faltaram iniciativas como a do grupo de professores que conseguiu implantar a unidade do Cefet-MG em Araxá com os cursos técnicos de Eletrônica, Mecânica e Mineração em 1992. Contudo, em quase 34 anos não houve apoio suficiente para que a unidade alcançasse todo o seu potencial. Hoje, conta com apenas mais um curso técnico e três graduações das 17 ofertadas pelos campi do Cefet-MG.

Houve vãos esforços para a ampliação dessa unidade como a cessão de área do antigo Dnit para a implantação do campus de graduações que continua inutilizada. Ou seja, o almejado ensino público federal existe em Araxá há décadas através do Cefet-MG, mas não foi implementado e valorizado como poderia ter sido feito. E nem mesmo a partir da lei de 1986 que autorizava a implantação de uma universidade federal no município e nem de outra que previa um campus da UFTM na cidade em 2013 – assim como outro em Iturama que foi devidamente implantado. Pelo menos a iniciativa privada através da Uniube investe no atendimento a essa demanda com a implantação do seu campus em Araxá, inclusive com autorização para ofertar o curso de medicina dentre outros.

A demanda na educação existe há anos, pressionando cada vez mais o poder público municipal principalmente na oferta dos serviços de saúde que também ficaram estacionados na gestão básica durante uns vinte anos até ser plena a partir de 2016. A construção inacabada de um hospital regional pelo município em 1999, anos depois transformou-se numa unidade básica de saúde, a Unisa.

Enquanto isso, a população continua aguardando os tratamentos de alta e até média complexidade na fila do SUS prestados fora de Araxá, cujos recursos destinados pelas esferas de governo poderiam circular no próprio município, incrementando a oferta na área da saúde pública que inclusive se reflete na privada.

 

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