Editorial

Editorial – Em meio às ruínas

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A preservação ou não dos históricos imóveis que restam em Araxá divide opiniões, enquanto se esvaem na falta de todos pensarem um pouco mais sobre em qual paisagem urbana querem de fato viver. Quais vantagens e desvantagens de preservar as referências da memória histórica da cidade que felizmente ainda compõem seu especial ambiente e como será no futuro perante as ruínas do descaso hoje presente.

Se a população não entende, vê apenas a imediata questão econômica e não se apropria do que de fato interessa para a qualidade de vida proporcionada pela cidade em que mora, estabelece-se uma inerte cumplicidade com o poder público. Embora seja essa uma tacanha visão já descoberta pelas principais cidades turísticas não só mineiras como do mundo e que são exemplares da proveitosa convivência entre o antigo e o novo em respeito à importância da história construída pela população local e para a que vem pela frente.

O principal atrativo dessas cidades é sem dúvida o patrimônio histórico com imóveis preservados pelo menos quanto às fachadas e totalmente readaptados em seu interior para cumprirem a atual finalidade.

É justamente essa oportunidade de singular transformação que tem imensurável valor, muito maior do que uma mera e repetitiva construção que possa substituir esse imóvel apesar da nobre localização. Essa sustentabilidade naturalmente é acrescida de valores não só emocionais como também financeiros.

Para isso, o município precisa priorizar a existência de uma efetiva política pública que conduza com o próprio exemplo e da melhor forma a conservação, proteção e preservação dos valiosos e poucos imóveis que ainda resistem perante a essa polêmica que precisa ser pacificada.

O Centro histórico de Araxá está aceleradamente sendo tomado pelas atuais construções em forma de caixote que vão avançando e apagam a memória do tempo em que eram esmeradas e fortes, justamente para vencê-lo resistindo ao longo dos anos. Ainda bem que não foi permitida a construção de grandes edifícios na região central da cidade a partir do primeiro Plano Diretor (PD) de 2002.

Imagine essa privilegiada paisagem horizontal do Centro da cidade substituída por uma vertical e ainda mais estrangulada em sua infraestrutura básica e no trânsito. As avenidas Antônio Carlos, Aracely de Paula, Getúlio Vargas e Imbiara sem a beleza e a história que ainda guardam que positivamente surpreendem visitantes e, principalmente, para usufruto dos moradores.

Esse crescimento sustentável com respeito à histórica memória que é a referência de um povo é fundamental em qualquer tempo, especialmente para as cidades turísticas como Araxá que ainda tem rico acervo a ser preservado e explorado enquanto marco cultural.

Diante dos rasos impasses, constata-se que a prefeitura ainda mantém em sua propriedade grandes áreas urbanas e rurais, inclusive imóveis abandonados que poderiam ser vendidos e os recursos designados para um fundo municipal específico, não só visando essa questão como outras culturais, a exemplo da falta de sede permanente para importantes equipamentos como a biblioteca municipal e a necessária implantação de outros como o arquivo público.

Araxá por visão e vontade de alguns gestores públicos com apoio da iniciativa privada ainda conserva relevante parte da sua histórica memória. Porém, até quando se a população não tiver compreensão da sua importância e continuar faltando vontade política?

 

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