Opinião

Editorial 🔸 No descortinar de um novo ciclo

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Assim como a vida das pessoas, a história das cidades é cíclica com mudanças positivas ou negativas movidas por circunstâncias colhidas pela coletividade não só pelo que planta, mas principalmente pelo cuidado que tem para chegar às produções. Araxá está num novo momento de semeaduras depois de colheitas muito aquém das esperadas, quiçá agora tantas experiências levem aos melhores caminhos.

O município acomodou-se em cima de suas riquezas que num primeiro momento vieram da atividade rural, da imigração e do turismo gerados pela busca por suas já famosas águas radioativa e sulforosa que atraiam pessoas de todo o mundo, seja para cuidar da saúde ou mesmo residir e prosperar economicamente em privilegiadas terras.

Outro ciclo sucedeu a gradual decadência das atividades turísticas, marcado pela desenfreada exploração mineral em detrimento do meio ambiente natural. O turismo local ainda hoje não se recuperou como importante segmento econômico da cidade, ora incentivado ou esquecido. A Vila do Artesanato construída pelo Estado há oito anos e ainda inacabada e fechada retrata esse descaso.

A despreocupação ambiental da época diante dos lucros da mineração levou à destruição de boa parte do entorno do Grande Hotel e Termas do Barreiro que estavam em franca decadência sob a propriedade do Estado. Ao ponto da necessidade de canalizar o que restou das minas d’água para abastecer as fontes, porém insuficiente para dar continuidade ao engarrafamento da água mineral.

O acordo Pró-Araxá firmado em 1984 entre o governo do Estado e as mineradoras que atuavam no município junto ao aprimoramento da legislação ambiental do país minimizaram impactos de outrora no decorrer do tempo como a revegetação da área minerada no Complexo do Barreiro a exemplo do Projeto Cascatinha.

Porém, o município não conseguiu provar na prática que é possível conciliar as atividades mineradora e turística dentro de um conceito de desenvolvimento sustentável. Além disso, ao invés de acompanhar a evolução das demandas em saúde e educação como aconteceu em municípios da região, a exemplo de Patos de Minas e Patrocínio, Araxá ainda enfrenta gargalos que exigem grandes desafios apesar da significativa receita municipal.

Não há mais espaço para acomodação face às facilidades de uma arrecadação municipal ainda muito dependente da atividade mineradora. Um novo ciclo começa a partir da crescente demanda mundial não só pelo nióbio como terras raras e fertilizantes – apesar do pontual fechamento da Mosaic -, mais uma vez criando ímpares oportunidades de desenvolvimento.

A questão é como integrar a cidade nesse ciclo progressista a partir de atrasada realidade, pois apesar de sediar indústrias com tecnologia de ponta no mundo, Araxá ainda precisa se consolidar como polo microrregional especialmente em saúde e educação. Mais de 40 anos depois do Pro-Araxá, urge o tempo em busca do melhor futuro.

 

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