Araxá

CBMM projeta R$ 13 bilhões em investimentos e explica impasse sobre terras-raras em Araxá

CBMM R$ 13 bilhões terras-raras Araxá
Divulgação CBMM

publicidade

A CBMM, líder mundial na produção de Nióbio sediada em Araxá (MG), informa em entrevista ao Jornal Clarim que prevê investir R$ 13 bilhões até 2031 em continuidade ao seu plano de crescimento. De acordo com a companhia, a exploração de terras-raras na sua jazida em Araxá não é economicamente viável, porém continua com as pesquisas diante da sua crescente importância. A CBMM também esclarece que tenta impedir a prospecção de terras-raras pela St George em sua propriedade próxima ao Complexo do Barreiro por questões ambientais.

Clarim – Quando e por que a CBMM iniciou o projeto visando à exploração e processamento de terras-raras em Araxá e até que ponto foi desenvolvido?

CBMM – Em 2011, a CBMM iniciou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia voltados ao aproveitamento das terras-raras. Ao longo desse ciclo, a empresa avançou internamente até a etapa de produção de óxidos de terras-raras a partir de sua própria jazida, consolidando competências técnicas na separação dos elementos de terras-raras, tendo inclusive na época implementado uma planta piloto.

Embora tenha desenvolvido tecnologia para o processamento do minério existente em Araxá, os estudos realizados até o momento não demonstraram viabilidade econômica para uma operação em escala industrial, principalmente em virtude dos altos investimentos que seriam necessários para tratamento adequado dos rejeitos que tal operação geraria em comparação com o valor de mercado dos elementos de terras-raras presentes no minério de Araxá. Existem projetos de terras-raras em desenvolvimento em outras regiões, cujos minérios apresentam características muito mais favoráveis pela maior facilidade de extração e menor impacto ambiental.

Clarim – Por que o investimento para a implantação desse laboratório visando os estudos à época não foram feitos em Araxá? O projeto terras-raras descartado pode ser retomado?

CBMM – Os investimentos da companhia nas etapas de concentração, purificação e separação dos elementos de terras-raras foram realizados no Complexo Industrial da CBMM em Araxá, incluindo a instalação de uma planta piloto. Com o avanço das atividades de pesquisa, instituições de ensino também foram inseridas no projeto como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e outras universidades, visando agregar conhecimentos específicos e em linha com a atuação da CBMM de trabalhar em cooperação com parceiros, clientes, instituições de ensino, universidades e os mais renomados centros de pesquisa do Brasil e do mundo.

A CBMM acompanha de perto a evolução desse mercado e mantém parcerias com instituições brasileiras para o desenvolvimento de pesquisas e estudos relacionados ao tema. Essas iniciativas incluem a avaliação de novas rotas tecnológicas que possam, eventualmente, viabilizar o aproveitamento desses recursos no médio e longo prazos, embora nesse momento a conclusão seja de que não é economicamente viável a exploração desse recurso.

Clarim – Onde é a mina, que tipo de jazida e de qual propriedade fez parte dessa pesquisa à época?

CBMM – A mina é a mesma utilizada pela CBMM para a produção de Nióbio. As terras-raras constituem um grupo de 17 elementos metálicos, geralmente classificados entre leves e pesados. Em Araxá, estudos mineralógicos identificam a ocorrência desses elementos associados, entre outros minerais, à monazita que apresenta predominância de terras-raras leves.

Na monazita, as terras-raras estão fortemente incorporadas à estrutura cristalina do mineral e apresentam baixa mobilidade, o que torna sua separação e extração mais complexas. Seu processamento pode exigir etapas químicas mais intensivas e condições específicas para decomposição do mineral, aumentando a complexidade tecnológica e os custos associados ao aproveitamento desses recursos.

Além disso, a composição das terras-raras é um fator determinante para o valor econômico de um depósito. Em Araxá, há predominância dos elementos cério e lantânio que, em geral, apresentam menor valor de mercado do que as terras-raras pesadas como disprósio e térbio, sendo este um dos fatores considerados nas avaliações de viabilidade econômica.

Assim, o potencial de um depósito de terras-raras não deve ser analisado apenas pelo volume de recursos existentes, mas também pela composição mineralógica, pela distribuição dos elementos presentes e pela complexidade técnica e econômica necessária para sua concentração, separação e processamento.

Clarim – Atualmente, existe uma corrida mundial pela produção dos óxidos de terras-raras, a CBMM volta a ter interesse em processá-las, o projeto foi retomado ou estão sendo feitos novos estudos? Se sim, qual tipo de jazida seria, em rocha alcalina ou argila iônica?

CBMM – A CBMM acompanha de perto a evolução desse mercado e mantém parcerias com instituições brasileiras para o desenvolvimento de pesquisas e estudos relacionados ao tema. Essas iniciativas incluem a avaliação de novas rotas tecnológicas que possam, eventualmente, viabilizar no futuro o aproveitamento desses recursos.

Minas Gerais está entre os Estados brasileiros com recursos de terras-raras ao lado de Goiás e da Bahia que também contam com depósitos conhecidos. Araxá está entre as cidades mineiras com ocorrências de terras-raras associadas a complexos alcalino-carbonátiticos. No entanto, a presença de terras-raras não implica, por si só, viabilidade econômica.

Os depósitos identificados na região são majoritariamente do mineral monazita e apresentam características mineralógicas e uma composição que de maneira geral exigem um alto custo de processamento e extração, sendo menos favorável em elementos de terras-raras de maior valor agregado, o que poderia impactar sua atratividade econômica.

Essa característica diferencia Araxá de outros depósitos encontrados em outras regiões do Brasil e do mundo, onde as terras-raras estão presentes em argilas iônicas que costumam apresentar composição e concentração mais favoráveis de elementos de maior interesse comercial e demandam um processamento de menor custo.

Clarim – O projeto de terras-raras mais recente em Araxá conduzido pela australiana St. George Mining baseia-se num minério de alto teor que começa logo na superfície. A companhia australiana detém direitos minerários sobre 38 hectares que pertencem à CBMM que, por sua vez, tenta impedir na Justiça o acesso a essa área, qual a razão?

CBMM – A preocupação da CBMM está relacionada à proteção ambiental da região do Barreiro, uma área de elevada relevância natural, histórica e turística para Araxá. A área situa-se sobre a Barragem B4 construída na década de 1970, quando ainda não se adotavam técnicas de impermeabilização para prevenção de contaminação ambiental. Por essa razão, a companhia conduz desde os anos 1990 um amplo processo de remediação ambiental com medidas de controle e monitoramento que mantêm a contaminação estabilizada e confinada dentro de sua propriedade.

Recentemente, a Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) declarou que atividades de sondagem na área são incompatíveis com a remediação em curso e com a estrutura existente. Além dos aspectos ambientais, a área está inserida em uma região de reconhecida importância hidromineral, paisagística e turística, parcialmente protegida por tombamentos estadual e municipal. Assim, a medida judicial adotada pela companhia busca assegurar a adequada avaliação dos riscos envolvidos, preservando tanto a integridade do processo de remediação quanto um patrimônio de interesse coletivo, representado pelas águas termais, pelo meio ambiente e pelo equilíbrio histórico entre mineração e turismo em Araxá.

Clarim – É verdade que se voltarem a minerar essa área que foi impermeabilizada de rejeito da exploração de Nióbio, onde está a Barragem B4 descomissionada pela CBMM como uma das medidas ambientais adotadas à época justamente para mitigar danos ambientais, podem resolver esse passivo como afirma a consultora ambiental da St. George, Rosângela Rios?

CBMM – Não. Essa afirmação não tem embasamento técnico. A área da Barragem B4 vem sendo objeto de remediação ambiental contínua desde a década de 1990 e atualmente conta com medidas de controle que permitiram concentrar, monitorar e manter sob controle a contaminação existente. Entre essas medidas está a instalação de uma manta de proteção sobre a estrutura, destinada a reduzir a infiltração de água e preservar as condições necessárias à remediação.

É importante destacar que o processo de remediação ambiental em curso é complexo e demanda análises multidisciplinares. Ao longo dos anos, os trabalhos têm sido conduzidos com o envolvimento de profissionais especializados, consultorias de reconhecida experiência, instituições técnicas e autoridades ambientais competentes que acompanham e validam as medidas adotadas. A conclusão desses especialistas é de que as ações vêm sendo desenvolvidas em conformidade com as melhores práticas disponíveis para a gestão da área e a proteção do meio ambiente.

Somado a isso, uma eventual remoção desse material para outra localidade não representaria uma simples transferência de área, mas exigiria a implantação de estruturas adequadas para transporte, armazenamento e disposição do rejeito de propriedade da CBMM. Na prática, isso demandaria intervenções relevantes em áreas hoje preservadas e sem histórico de impacto, criando novos efeitos ambientais que atualmente não existem e que também precisariam ser avaliados e licenciados pelos órgãos competentes.

Outro ponto de atenção é que a barragem possui uma cobertura impermeabilizante cuja função é impedir que a água da chuva penetre nos rejeitos. Caso essa proteção seja removida ou comprometida, a infiltração de água poderá ser retomada, favorecendo a solubilização e o transporte de substâncias presentes no material depositado, incluindo o bário, além de potencialmente alterar o comportamento da pluma de contaminação atualmente monitorada e controlada.

Segundo os estudos e avaliações técnicas da companhia, quaisquer intervenções que venham a ser realizadas na área, inclusive atividades minerárias, devem ser precedidas de análises rigorosas justamente em razão desses potenciais impactos. Esse entendimento é reforçado pelo fato de que o próprio órgão ambiental já se manifestou no sentido de que intervenções na área são incompatíveis com as atividades de remediação atualmente desenvolvidas.

Clarim – A CBMM está numa fase de expansão de projetos e atividades, quais são os principais investimentos e como impactam positivamente a economia de Araxá em curto, médio e longo prazos?

CBMM – Ao longo de mais de sete décadas de atuação, a CBMM tem sido pioneira em inovação e desenvolvimento tecnológico, impulsionando o mercado de Nióbio e contribuindo para o avanço de empresas de vários setores. Para o período de 2026 a 2031, a companhia prevê investir ao redor de R$ 13 bilhões, dando continuidade em seu ciclo de crescimento com foco em três frentes principais: expansão da capacidade produtiva, desenvolvimento de novos materiais e aplicações e investimentos em tecnologia, inovação e infraestrutura.

Desta forma, tais investimentos refletem a estratégia de longo prazo da companhia de garantir o fornecimento de produtos de Nióbio a mais de 500 clientes em 50 países. Cabe mencionar que em 2026 já foram investidos R$ 2 bilhões em seu complexo industrial, considerando a expansão em novas linhas e plantas, além da aquisição e modernização de equipamentos.

No curto prazo, esses investimentos contribuem para movimentar a cadeia de fornecedores e serviços e fortalecer as atividades relacionadas à operação da companhia. Nos médio e longo prazos, a expansão e a modernização da estrutura produtiva, associadas ao desenvolvimento de novas aplicações do Nióbio, ampliam o potencial de geração de negócios e de desenvolvimento tecnológico.

Esse movimento está alinhado ao modelo de negócio da CBMM, baseado em inovação, garantia de fornecimento e desenvolvimento de novas tecnologias em parceria com clientes, universidades e centros de pesquisa do Brasil e do mundo, contribuindo para fortalecer a posição de Araxá como referência na cadeia de valor do Nióbio.

É importante ressaltar que a CBMM tem sua trajetória entrelaçada ao crescimento da cidade, apoiando iniciativas e projetos, especialmente em Araxá, nos pilares de educação, saúde, esporte, cultura e empreendedorismo, além de ações de voluntariado, sempre com foco na geração de impacto positivo, significativo e duradouro para a comunidade.

Em 2025, a CBMM destinou R$ 42 milhões, por meio de investimentos diretos e incentivados para mais de 90 iniciativas e cerca de 70% destes projetos foram executados em Araxá, reforçando o compromisso contínuo da companhia com o desenvolvimento socioeconômico local.

A companhia promove a geração de emprego e renda, assim como a formação de mão de obra local, priorizando a contratação de profissionais e fornecedores da comunidade e investindo em iniciativas que fomentam o empreendedorismo. Em 2025, foram contratados 261 fornecedores de Araxá – o que gerou R$ 555 milhões em produtos e serviços adquiridos. Para atuação na planta, a CBMM contou com mais de 5 mil colaboradores de empresas parceiras em 2025.

Cabe mencionar ainda que nos últimos dois anos (de setembro de 2024 a agosto de 2026), a CBMM realizou a contratação de 660 profissionais para atuação em seu complexo industrial em Araxá.

 

CBMM abre vagas de emprego para cargos de supervisão em Araxá; veja como participar

 

CONFIRA NOSSO PAINEL DE EMPREGOS

 

CLIQUE AQUI E PARTICIPE DO CANAL DO CLARIM NO WHATSAPP

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade