Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro revisou para cima a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (6), a expectativa para a inflação oficial subiu de 4,31% para 4,36%.
A pressão inflacionária é impulsionada, em grande parte, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam os custos globais. Apesar da alta, o índice permanece dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo teto de tolerância é de 4,5%.
Impacto na Taxa Selic e no crédito
Para conter o avanço dos preços, o Banco Central utiliza a Taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha iniciado um ciclo de redução de 0,25 ponto percentual na última reunião, a escalada do conflito entre Irã e Israel trouxe incertezas.
Analistas de mercado projetam que:
- A Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano.
- Para 2027, a previsão de queda acentuada foi ajustada para 10,5%.
- O próximo encontro do Copom, nos dias 28 e 29 de abril, será decisivo para definir se o ritmo de cortes será mantido ou interrompido.
PIB e Câmbio: o que esperar da economia
Enquanto a inflação preocupa, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano estabilizou em 1,85%. O resultado sucede um 2025 positivo, onde a economia brasileira avançou 2,3%, impulsionada pelo setor agropecuário.
No cenário cambial, a projeção para o dólar ao fim de 2026 permanece em R$ 5,40. A volatilidade da moeda americana continua sendo um fator de risco para os preços domésticos, especialmente em combustíveis e produtos importados.
Os dados oficiais de março, que devem refletir os primeiros impactos reais do conflito internacional, serão divulgados pelo IBGE na próxima quinta-feira (9).

































