O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o ex-secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Amim, estão entre os principais alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, pela Polícia Federal (PF) na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A ação tem como objetivo desarticular uma forte organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio como plataforma para lavagem de dinheiro, contando com a participação ativa de agentes públicos.
Ao todo, os policiais federais cumprem nesta terça-feira 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Além do ex-prefeito e do delegado, figuram entre os investigados um policial civil e um ex-policial militar.
Sequestro de bens e depoimento na Polícia Federal
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão imediata das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo sob investigação. Em decorrência dos mandados, o político da Baixada Fluminense, Márcio Canella — que cumpriu mandato como prefeito entre 2025 e 2026 e deixou o cargo em abril para se candidatar nas próximas eleições —, foi levado para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal, no Centro do Rio.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a Corregedoria-Geral da corporação já instaurou uma investigação disciplinar interna:
“A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno, voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade”, concluiu a nota.
Movimentação bilionária e apreensão de fuzil e carros de luxo
O estopim para a nova fase da operação partiu de um Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à PF. Os dados fiscais apontam que o esquema do grupo criminoso movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
Durante as buscas na casa de um dos alvos, no bairro nobre de Camboinhas, em Niterói, os agentes apreenderam um verdadeiro arsenal e itens de alto valor:
- 5 revólveres e 1 fuzil;
- Farta quantidade de munição;
- Relógios, joias e dinheiro em espécie (notas de Real, Dólar, Libra e Euro);
- 4 veículos de luxo.
Em outro endereço de Niterói, no bairro de Piratininga, os policiais federais apreenderam mais dois carros de luxo.
A ofensiva integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa coordenada pela Polícia Federal para asfixiar financeiramente as quadrilhas e milícias que atuam no estado do Rio de Janeiro, em estrita conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.
A Agência Brasil e a Radioagência Nacional não conseguiram contato com as defesas dos alvos da operação.
Fonte: Agência Brasil
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