No compasso sagrado dos patangomas, gungas e caixas de folia, a Vila São Pedro transformou-se no epicentro da fé e da identidade afro-brasileira em Minas Gerais. Realizada pelo Ministério da Cultura (MinC), pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura e pelo Instituto MOVART, a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e o Encontro de Congado e Moçambique de Araxá consolidaram-se como um dos maiores eventos de cultura popular do Estado.
A edição deste ano foi viabilizada pelo Termo de Fomento nº 997140/2026 (via Transferegov). O projeto é fruto da Emenda Parlamentar nº 44340011, destinada pelo deputado federal Miguel Ângelo e articulada pelo vereador Professor Jales. A ação contou com o apoio da Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá, do Instituto Inser e do Instituto Afrobeja.
Integração regional e resgate histórico
Durante quatro dias, as ruas da cidade viraram palco para o sincretismo e o louvor de milhares de devotos, turistas e pesquisadores. Como um poderoso polo de integração regional, a Festa do Rosário e Congado de Araxá 2026 atraiu mais de 115 grupos tradicionais.
Os cortejos reuniram comitivas de diversas cidades mineiras, como:
- Patos de Minas e Sacramento;
- Serra do Salitre e Lagoa Formosa;
- Ibiá, Cachoeirinha e Campos Altos;
- Patrocínio e Rio Paranaíba.
A anfitriã Araxá brilhou ao unir as vozes e as fardas de seus ternos locais: o Moçambique Império do Rosário de Araxá, o Grupo de Congado Moçambique Rainha de Araxá, o Moçambique Verde e Branco, o Moçambique Raiz Africana e o Moçambique Estrela Dalva. Capitães, reis e rainhas guiaram a celebração com maestria.
Infraestrutura e renovação geracional
O aporte de recursos federais supriu uma demanda histórica, garantindo a infraestrutura, a logística e a segurança alimentar necessárias para manter viva a tradição, que antes enfrentava a escassez de verbas.
Além de festejar o presente, o projeto foca na semeadura do futuro. O objetivo prioritário é a salvaguarda e a transmissão dos saberes orais para as crianças e jovens locais, garantindo a renovação geracional deste patrimônio imaterial. A iniciativa alinha-se às diretrizes do Plano Nacional de Cultura, descentralizando o recurso público e impulsionando o turismo religioso regional.
Amparo legal e patrimônio cultural
A grandiosidade da festa é respaldada por um sólido arcabouço legal. No âmbito federal, a celebração é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), integrando o rol de Expressões Culturais e Celebrações de matriz afro-brasileira protegidas como Patrimônio Cultural do Brasil.
Em nível local, a proteção ganhou um marco definitivo através da Lei Municipal nº 8.461/2025 (proposta pelo vereador Professor Jales). A legislação inseriu oficialmente a Festa do Congado no Calendário de Eventos do Município e consagrou o Congado e o Reinado como Patrimônio Cultural Imaterial de Araxá. O evento celebra o encontro entre a fé da comunidade e o dever do Estado em perpetuar uma história de 60 anos de resistência.
✅ CLIQUE AQUI E PARTICIPE DO CANAL DO CLARIM NO WHATSAPP


































