Golpe do sósia: nova fraude usa biometria e inteligência para burlar reconhecimento facial

Golpe do sósia Serasa Experian
O golpe do sósia usa tecnologia de comparação facial para fraudar cadastros e contas.

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Uma nova modalidade de crime cibernético utiliza ferramentas de comparação facial para localizar vítimas fisicamente parecidas com os próprios criminosos. Batizado de “golpe do sósia”, o método foi identificado pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e publicado na edição do Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026.

A tática explora sistemas de reconhecimento facial para tentar fazer com que o fraudador se passe por outra pessoa durante processos de validação de identidade em cadastros e aberturas de contas bancárias.

Como funciona o golpe do sósia

Na fraude tradicional, o criminoso rouba os dados de uma vítima específica e tenta se passar por ela. No golpe do sósia, a lógica se inverte: o fraudador usa motores de comparação facial para cruzar a foto do próprio rosto com bancos de dados (inclusive vazados) até encontrar uma pessoa física parecida.

Ao encontrar uma vítima com alto grau de semelhança, o criminoso seleciona essa identidade para tentar burlar a validação biométrica das instituições.

“A nova tática demonstra como os criminosos também podem explorar tecnologias desenvolvidas para aumentar a segurança”, alerta Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

Biometria isolada não é suficiente

Diante desse cenário, a Serasa Experian defende que o reconhecimento facial não seja utilizado como única camada de segurança. Para barrar a ação dos golpistas, as empresas devem combinar a biometria com outros mecanismos de verificação:

  • Validação de documentos e cruzamento de dados cadastrais;
  • Prova de vida e identificação de padrões de comportamento;
  • Análise do dispositivo e da jornada digital do usuário;
  • Avaliação de outros sinais de risco na operação.

Prejuízos bilionários evitados

Apesar da sofisticação dos ataques, as soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e bloquearam 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026 — um crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025.

O volume equivale a uma ocorrência de alto risco detectada a cada 5,5 segundos, evitando um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões no período.

Como se proteger da nova fraude

Para evitar a exposição de documentos e dados biométricos, a Serasa Experian orienta que os consumidores adotem os seguintes cuidados:

  1. Proteja suas fotos e documentos: Não compartilhe imagens de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais ou aplicativos de mensagem.
  2. Valide a origem: Forneça dados pessoais e biométricos apenas em sites e aplicativos oficiais.
  3. Reforce a segurança digital: Use senhas fortes, ative a autenticação em dois fatores e mantenha o sistema do celular atualizado.
  4. Desconfie de abordagens diretas: Não autorize que desconhecidos fotografem seu rosto ou documentos e recuse solicitações de biometria enviadas por links, e-mails ou códigos QR suspeitos.
  5. Monitore seus dados: Acompanhe a movimentação do seu CPF regularmente e contate os canais oficiais das empresas ao notar qualquer atividade estranha.

Estratégia em camadas para empresas

Para o setor corporativo, a orientação é adotar uma arquitetura de prevenção em camadas. O cruzamento contínuo entre biometria facial, prova de vida, análise do dispositivo e monitoramento de comportamentos suspeitos permite identificar inconsistências em operações onde o rosto do fraudador é semelhante ao da vítima, mas os dados da navegação apontam risco.

Fonte: Agência Brasil

 

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