Transformar o momento da vacinação infantil em uma experiência mais acolhedora, humanizada e livre de traumas para as crianças. Esse é o principal objetivo de um projeto inovador desenvolvido pela professora do curso de Odontologia da Uniube, Maria Angélica Hueb de Menezes Oliveira. A pesquisadora criou um revestimento lúdico em formato de jacaré para seringas e agulhas, projetado especificamente para reduzir o medo e a ansiedade dos pequenos durante procedimentos médicos e odontológicos.
Maria Angélica é detentora da patente do dispositivo, que foi desenvolvido pela INOPREV – Inovação e Tecnologia Ltda, empresa fundada por ela e incubada na Unidade de Tecnologia e Negócios (Unitecne) da Uniube. Atualmente, por meio de contratos estratégicos de transferência de tecnologia, o produto já ultrapassou as barreiras acadêmicas e é comercializado com sucesso no Brasil e no exterior.
Da odontologia para as campanhas de vacinação infantil
A pesquisadora explica que a ideia do revestimento surgiu inicialmente voltada para a anestesia odontológica. No entanto, o cenário mudou drasticamente com a recente substituição da vacina oral contra a poliomielite pela versão injetável no país. Diante disso, a tecnologia ganhou uma nova e fundamental aplicação para o setor de saúde pública: o incentivo à vacinação infantil.
“Durante muitos anos, o grande símbolo da vacinação infantil foi o Zé Gotinha. Com a mudança da vacina contra a poliomielite para a aplicação injetável, percebemos a oportunidade de criar um projeto que ajudasse a incentivar a imunização e, ao mesmo tempo, diminuísse o medo das crianças em relação às agulhas. Assim nasceu a Turma do Jacarezinho, uma iniciativa que utiliza personagens inspirados em animais da fauna brasileira para tornar o momento da imunização mais lúdico e estimular a adesão às campanhas”, pontua Maria Angélica.
Como funciona a tecnologia da Turma do Jacarezinho
O primeiro personagem desenvolvido para a linha de frente da imunização é um jacaré confeccionado em biopolímero atóxico, retrátil e com um agradável aroma de tutti-frutti. O grande trunfo do design é que o revestimento envolve completamente a seringa e a agulha, impedindo de forma eficaz que a criança visualize o equipamento clínico antes e durante a aplicação da dose.
Além do impacto visual imediato que elimina a fobia, o dispositivo integra uma robusta proposta pedagógica. Após receber a vacina, a criança leva o personagem para casa como um “prêmio de coragem”, acompanhado de um jogo da memória físico e de encartes com QR Codes. Essas ferramentas digitais dão acesso direto a histórias, animações e jogos interativos em realidade tridimensional (3D) focados na importância de se vacinar e na preservação da fauna brasileira.
“Após o sucesso da versão odontológica, comercializada nacional e internacionalmente, iniciamos o desenvolvimento da versão destinada às vacinas. Atualmente, o projeto está na fase final dessa etapa e prevê o lançamento de 11 personagens inspirados em animais da fauna brasileira, cada um associado a diferentes campanhas de imunização. A nossa ideia é humanizar a vacinação infantil, pois tornar esse momento mais acolhedor também contribui para uma importante estratégia de saúde pública”, destaca a professora.
Reconhecimento científico e premiação na Fapemig
A relevância social e o potencial de mercado da iniciativa renderam frutos recentes. O projeto conquistou o segundo lugar no Demoday Centelha, uma prestigiada iniciativa vinculada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). O evento integra o Programa Centelha, voltado justamente ao fomento e incentivo de empresas inovadoras e de base tecnológica no estado.
Na oportunidade, os 11 projetos de maior destaque em Minas Gerais foram reconhecidos e participaram de uma rodada seleta de apresentações na sede da instituição, em Belo Horizonte. A premiação conquistada chancela o apoio e o fomento científico da fundação mineira, com ênfase para o projeto APQ 04128-23, que visa fortalecer as frentes de inovação tecnológica dentro da estrutura de incubação da Uniube.
Para Maria Angélica, o reconhecimento oficial reforça o papel da ciência aplicada como ferramenta de transformação social direta e serve de estímulo para novas soluções em saúde.
“A pesquisa só faz sentido quando consegue melhorar a vida das pessoas. Nosso propósito é desenvolver tecnologias que tornem os procedimentos de saúde mais humanizados, ao aproximar a ciência das necessidades da sociedade. Ver uma ideia que nasceu dentro da Universidade chegar ao mercado e beneficiar tantas famílias mostra como a pesquisa tem potencial para transformar realidades”, conclui a pesquisadora.
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