Saúde

Síndrome do Coração Partido: como fortes emoções podem simular um infarto real

Síndrome do Coração Partido

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O Dia dos Namorados é tradicionalmente marcado pela celebração de vínculos afetivos. No entanto, especialistas em cardiologia aproveitam o período para fazer um alerta sobre uma condição médica real, séria e potencialmente grave, cuja causa está diretamente ligada a fortes impactos emocionais: a Síndrome do Coração Partido.

Conhecida cientificamente como Síndrome de Takotsubo, a patologia pode se manifestar após eventos de grande estresse, como o término traumático de um relacionamento, o luto pela perda de um ente querido, conflitos familiares severos ou sustos extremos.

O grande perigo está na semelhança dos sintomas com os de um ataque cardíaco tradicional, o que leva pacientes às pressas para as salas de emergência.

Diferença entre a Síndrome de Takotsubo e o infarto

No Hospital Costantini, referência em cardiologia na América Latina, os médicos apontam que os casos têm avançado devido à sobrecarga emocional da rotina moderna. O Dr. Marcio Moreno Luize, cardiologista e chefe da UTI da instituição, explica como a medicina diferencia as duas condições no momento do diagnóstico:

“A pessoa chega ao hospital com dor intensa no peito, falta de ar e alterações nos exames iniciais que sugerem um infarto. A diferença é que, ao realizarmos exames mais aprofundados, como o cateterismo, percebemos que não existe obstrução das artérias coronárias. Ainda assim, o coração está sofrendo e precisa de cuidados imediatos.”

A doença foi descrita pela primeira vez no Japão, na década de 1990. O nome Takotsubo faz referência a uma armadilha usada por pescadores para capturar polvos, formato que o ventrículo esquerdo do coração assume temporariamente devido a uma descarga maciça de hormônios do estresse (como a adrenalina) na corrente sanguínea.

Mulheres na pós-menopausa são as principais vítimas

Dados de registros internacionais de saúde revelam um perfil específico de maior vulnerabilidade para a condição:

  • Grupo de risco: Mais de 80% dos casos registrados ocorrem em mulheres;
  • Faixa etária: Concentra-se majoritariamente entre 60 e 75 anos (período pós-menopausa).

A queda nos níveis de estrogênio no organismo feminino após a menopausa é apontada por cientistas como um dos fatores que diminuem a proteção vascular, tornando o músculo cardíaco mais sensível às oscilações hormonais provocadas pelo estresse crônico ou agudo.

Apesar de ser considerada uma condição temporária e reversível na maior parte das vezes, a síndrome não deve ser subestimada. Estima-se que entre 1% e 3% das pessoas que dão entrada em hospitais com suspeita de infarto preencham, na verdade, os critérios para Takotsubo. Se avaliado apenas o grupo de mulheres, essa taxa sobe para até 6%. Sem o suporte médico adequado, o quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca e arritmias graves.

Quando a dor emocional vira sintoma físico?

Os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata incluem:

  • Dor ou aperto forte no peito;
  • Falta de ar e dificuldade para respirar;
  • Suor frio excessivo e palpitações;
  • Tontura ou sensação de desmaio iminente.

O Dr. Marcio Luize reforça que o diagnóstico precoce salva vidas:

“O problema é que ninguém consegue diferenciar os sintomas em casa. Toda dor no peito deve ser encarada como uma emergência médica até que o diagnóstico correto seja confirmado.”

O tratamento hospitalar costuma durar de uma a quatro semanas e envolve o uso de medicamentos protetores cardíacos. Para prevenir o problema, sociedades médicas recomendam a adoção de hábitos voltados à saúde mental, como a prática regular de exercícios físicos, técnicas de relaxamento e o fortalecimento de redes de apoio social e psicológico.

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