Projeto de iniciação científica de Engenharia Química busca reduzir o uso de cal no processo de clarificação em usinas sucroenergéticas.
No Dia Nacional da Ciência, celebrado em 8 de julho, um projeto inovador desenvolvido na Universidade de Uberaba (Uniube) ganha destaque no setor agroindustrial. Os estudantes de Engenharia Química, Ingrid Ribeiro e Luiz Dutra, criaram uma pesquisa de iniciação científica que investiga o uso de ozônio (O3) como alternativa sustentável para o branqueamento e clarificação do caldo de cana-de-açúcar.
Orientado pelo professor José Roberto Delalibera Finzer, o estudo avalia a eficiência da ozonização em comparação ao método tradicional das usinas, que utiliza grandes volumes de cal.
Da usina para o laboratório: como surgiu a ideia
A iniciativa nasceu da vivência prática. Durante um estágio em uma usina sucroenergética, Ingrid observou o impacto ambiental e logístico do processo convencional.
“Percebi que chegavam muitos bags de cal para serem utilizados na indústria. A partir dessa observação, comecei a pensar em alguma alternativa que pudesse exercer a mesma função de clarificação. Com a ajuda do professor Finzer e dos conhecimentos do curso, tivemos a ideia de pesquisar sobre o uso de ozônio na cana-de-açúcar”, explica a acadêmica.
No laboratório da Uniube, a pesquisa seguiu critérios rigorosos:
- Moagem da cana-de-açúcar e filtragem do caldo para eliminar fibras interferentes.
- Aplicação do processo de ozonização em amostras controladas.
- Comparação direta com o método tradicional de tratamento por cal.
Para garantir a precisão científica, os testes foram padronizados utilizando cana de terceiro corte, após os alunos identificarem variações físico-químicas em amostras de cana-planta e de quinto corte.
Resultados e reconhecimento acadêmico
A metodologia permitiu uma análise clara do potencial do gás. “Separamos a amostra em três partes: o caldo bruto, o caldo tratado com ozônio e o caldo tratado com cal. Assim conseguimos comparar, tanto visualmente quanto por análises laboratoriais, a eficiência de cada processo”, destaca Ingrid.
O impacto da inovação rendeu ao grupo o prêmio de destaque durante o XXVII Seminário de Iniciação Científica (SEMIC) da Uniube, consolidando a viabilidade técnica do projeto para o mercado sucroenergético.
O papel da ciência na formação profissional
Para o orientador do projeto, professor José Roberto Delalibera Finzer, o desenvolvimento de soluções sustentáveis como o uso de ozônio na cana-de-açúcar reforça o papel da academia no avanço tecnológico do país.
“A participação dos estudantes na iniciação científica permite que eles apliquem, desde a graduação, os conceitos fenomenológicos e de engenharia no desenvolvimento de processos. Essa experiência prepara profissionais muito mais competentes para os desafios reais das aplicações industriais”, conclui o docente.
































