Brasil

Atlas da Violência 2026: Brasil atinge menor taxa de homicídios da série histórica, mas enfrenta alta em mortes ocultas

O Atlas da Violência 2026 aponta que o Brasil atingiu a menor taxa de homicídios desde 2014

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O Brasil alcançou a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. Divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o relatório aponta que o país registrou 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2024 — uma queda de 7,4% em comparação a 2023.

Em números absolutos, foram contabilizados 42.590 homicídios, o que representa uma redução de 6,9%. O índice atual é também o mais baixo registrado no país desde 1998. Contudo, especialistas alertam que o avanço da subnotificação e o crescimento do sentimento de insegurança relativizam os dados positivos.

O alerta dos “homicídios ocultos”

O grande ponto de atenção do Atlas da Violência 2026 foi a explosão das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Em 2024, 17.207 pessoas morreram de forma violenta sem que o Estado identificasse a causa básica.

  • O modelo estatístico do Ipea estima que 41% desses casos (7.083 mortes) foram, na verdade, homicídios ocultos que ficaram de fora das estatísticas oficiais.
  • Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos saltaram 88,6%, um reflexo direto da falta de integração de dados entre os sistemas de segurança e de saúde.

Desigualdades regionais e territoriais

A redução da violência letal ocorreu de forma heterogênea pelo território nacional. As menores taxas oficiais de homicídio por 100 mil habitantes foram registradas em:

  1. São Paulo: 6,6
  2. Santa Catarina: 8,1
  3. Distrito Federal: 10,3
  4. Minas Gerais: 12,8

Na contramão, as maiores taxas de letalidade foram identificadas no Amapá (45,7), na Bahia (40,9) e em Pernambuco (37,3). Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, 17 dos 20 municípios mais violentos do país estão localizados no Nordeste.

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Racismo Estrutural: Jovens e Negros continuam sendo as maiores vítimas

A violência no Brasil permanece centralizada em recortes raciais, de gênero e de idade:

  • Pessoas Negras: Das vítimas de homicídio em 2024, 77% eram negras (32.820 mortes). A taxa de mortalidade entre negros é 170,3% superior à de não negros. Um cidadão negro tem 2,7 vezes mais chances de ser assassinado no Brasil.
  • Jovens: Os homicídios de jovens entre 15 e 29 anos caíram 33,9% na última década, mas a faixa etária ainda concentra 46,5% do total de assassinatos do país. A violência letal contra este grupo é predominantemente masculina (93% dos casos) e cometida por armas de fogo (84,1%).

Feminicídios estáveis e violência contra minorias

Embora o total de homicídios de mulheres tenha caído 27,7% entre 2014 e 2024, os crimes ocorridos dentro do ambiente doméstico permaneceram estáveis (taxa de 1,18 por 100 mil). Em 2024, 3.642 mulheres foram vítimas de feminicídio, provando que a violência de gênero não recuou. As mulheres negras seguem como o alvo principal, com taxa 66,7% superior às não negras.

O Atlas detalhou ainda o avanço da violência notificada contra outros grupos vulneráveis:

  • População LGBTQIA+: As notificações de violência contra homossexuais e bissexuais subiram 5,5% em um ano (10.250 registros), enquanto os casos contra pessoas trans e travestis cresceram 2,5% (5.575 registros).
  • Povos Indígenas: A taxa de homicídios na população indígena subiu para 24,6 por 100 mil em 2024, ficando 22% acima da média nacional. No Amazonas, os assassinatos de indígenas dobraram em apenas um ano devido a conflitos territoriais e socioambientais.
  • Idosos e PCDs: Casos de violência contra idosos somaram mais de 30 mil registros na saúde em 2024. Já entre pessoas com deficiência, a violência sexual se consolidou como uma das maiores ameaças, afetando majoritariamente mulheres com deficiência intelectual.

 

Fonte: Agência Brasil

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