O Brasil alcançou um marco histórico em seu desenvolvimento social. Pela primeira vez, o país ingressou na categoria de nações com desenvolvimento humano “muito alto”. De acordo com a pesquisa Radar IDHM, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud Brasil), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país atingiu 0,805 em 2024.
O avanço é significativo se comparado a 2012, quando o índice do país era de 0,744. Na escala da ONU, que varia de 0 a 1, pontuações acima de 0,800 são classificadas no topo do desenvolvimento global. Para fins de contexto, há 30 anos, quando a medição começou, o Brasil amargava um IDHM considerado “baixo” (inferior a 0,555).
Educação e Bolsa Família impulsionam o índice
O motor principal para o salto do IDH do Brasil 2024 foi o setor da educação, que disparou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024. A coordenação do Pnud atribui esse resultado diretamente ao impacto de longo prazo de programas sociais de transferência de renda.
De acordo com Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, os efeitos da concessão do Bolsa Família (criado em 2003) ficaram evidentes nesta análise:
“É o Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição e a obrigatoriedade de estar na escola. A política pegou um grupo que estava excluído e o colocou para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente”, explica Betina.
A especialista reforça que a melhora nos indicadores educacionais foi mais expressiva entre as famílias negras e de baixa renda, destacando que a inclusão de raça e gênero é peça fundamental para o futuro do crescimento brasileiro.
Desempenho em Saúde e Renda
O relatório da ONU também analisou os outros dois pilares do desenvolvimento humano:
- Saúde e Longevidade: É a área com a performance mais consolidada do país, reflexo da estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1988. Já registrava “muito alto desenvolvimento” em 2012 (0,829) e seguiu em crescimento lento, chegando a 0,860 em 2024.
- Geração de Renda: É o pilar que avança em ritmo mais lento. Passou de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, mantendo-se no patamar de “alto desenvolvimento” (uma categoria abaixo do índice geral).
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Regiões Metropolitanas do Nordeste puxam média para cima
Historicamente, os estados do Sul e Sudeste lideravam os índices nacionais. No entanto, o levantamento inédito revelou que as regiões metropolitanas do país — incluindo áreas antes consideradas periféricas — foram as grandes responsáveis por puxar a média nacional para cima.
Na Região Nordeste, um fato inédito: sete regiões metropolitanas romperam a barreira e alcançaram o nível de IDH muito alto:
| Região Metropolitana | IDHM 2024 |
| Natal (RN) | 0,822 |
| Grande Teresina (PI) | 0,809 |
| Aracaju (SE) | 0,809 |
| Recife (PE) | 0,806 |
| São Luís (MA) | 0,806 |
| Salvador (BA) | 0,803 |
| João Pessoa (PB) | 0,803 |
O impacto da Covid-19 e os desafios pendentes
Apesar do resultado histórico em 2024, o Pnud faz um alerta sobre os anos de 2020 a 2022, período em que o Brasil enfrentou um colapso sistêmico em função da pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM chegou a recuar para 0,757.
A lentidão do poder público em criar respostas rápidas para a crise atrasou a recuperação do país. Segundo o Pnud, o Brasil ainda não se recuperou totalmente do baque da pandemia no quesito esperança de vida, sendo a mortalidade infantil o indicador de saúde que mais exige atenção urgente das autoridades.
Os dados do Radar IDHM foram calculados com base na Pnad Contínua do IBGE, em uma parceria técnica com a Fundação João Pinheiro.
Fonte: Agência Brasil
































