Opinião

Editorial 🔸 Efeito cadeia

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A construção de um hospital público em Araxá foi e ainda é a principal proposta de governo da gestão anterior e atual do prefeito Robson Magela. Após quase seis anos, depois de muita polêmica, hoje é grande o consenso em torno dessa necessidade diante do estrangulamento dos atendimentos de média e alta complexidade na região.

Nesse período, o município avançou muito no atendimento básico à saúde da população de 14 para 23 equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) divididas em várias unidades pela cidade que abrangem 80 mil pessoas e dispõem de 30 procedimentos nesta cobertura. Na outra ponta, para ampliar o acesso às especialidades foram implantados dois Ambulatórios Municipais de Emergência (Ames Norte e Leste) que dão suporte à Unidade de Pronto Atendimento (Upa).

Por outro lado, essa melhora na saúde pública cria uma crescente demanda que se soma a antigos problemas ainda não resolvidos como o próprio credenciamento ao SUS dos serviços de urgência e emergência prestados pela Upa, porque desde a sua abertura são custeados somente pelo município, sem contrapartidas dos governos estadual e federal.

Também é preciso questionar porque o município foi um dos primeiros a aderir ao Plano Nacional de Saúde implantado ao final dos anos 1990 na gestão básica, mas um dos últimos a conquistar a plena há cerca de 10 anos. Realmente, existiu uma descontinuidade de ações na rede pública municipal de saúde que foram retomadas a partir dessas últimas gestões.

A construção do hospital público municipal ainda está em fase de viabilização, apesar de avanços como as parcerias com o governo do Estado e a iniciativa privada. Finalmente, há convencimento não só dessa carência como da necessária união de esforços nas três esferas do poder público e de recursos privados para enfrentar esse desafio.

Araxá perdeu o bonde há 30 anos, quando começou a construção do hospital público regional que depois ficou abandonada por anos até ser transformada na Unisa que hoje presta atendimentos médicos especializados, exames e serviços de odontologia pelo SUS à população.

A falta de gerência e de investimentos públicos e privados tornaram o município cada vez mais dependente dos serviços prestados ao SUS pelos hospitais filantrópicos Santa Casa e então Casa do Caminho, enquanto os prontos atendimentos particulares se desinteressaram pela baixa remuneração do sistema.

Essa situação piora a cada dia com o estrangulamento da rede regional de saúde em Uberaba e Uberlândia que são referência para os municípios menores, mas estão incapacitados de absorverem a própria demanda. Ao ponto do paciente de Araxá permanecer por até semanas na Upa à espera de uma vaga pelo SUS Fácil, embora sejam casos urgentes.

Para agravar, a Central de Regulação do Estado que analisa o pedido e procura a vaga mais próxima tem enviado pacientes da Upa de Araxá para municípios longínquos. O que cria mais dificuldades para os responsáveis e onera o programa municipal Tratamento Fora do Domicílio (TFD) que garante transporte, hospedagem e alimentação para pacientes do SUS que precisam de atendimento médico em outras cidades. A transferência hospitalar pelo SUS Fácil é um processo automático, o município não tem como interferir e o paciente também não consegue vaga por conta própria.

Também está pacificado que a Santa Casa de Araxá que absorveu o Hospital Casa do Caminho como Unidade II precisa avançar nos serviços mais complexos como de Hemodinâmica que está em implantação com o apoio do Estado. Além de outros que dispensam o TFD como oncológicos, oftalmológicos, neurológicos etc. Essa é a solução de curto prazo devido ao tempo que será preciso para o funcionamento do hospital municipal previsto e, ainda assim, a Santa Casa continuará a ser fundamental para a rede de atendimento SUS na microrregião.

 

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