O perfil do eleitorado araxaense especialmente quanto ao grau de escolaridade desnuda a dificuldade da população em ter acesso ao Ensino Superior ainda hoje em 2026. O que se reflete na vulnerabilidade do eleitor que diante da falta de mais conhecimento opta pelos candidatos que lhe prestam favores pessoais em detrimento do bem coletivo.
Há mais de cem anos que milhares de jovens de Araxá vão estudar em outras cidades diante da falta de oportunidades para continuar os estudos, especialmente quanto à oferta de cursos públicos gratuitos. Diferentemente de cidades da região inclusive menores que nas últimas décadas se desenvolvem mais através do ensino, consequentemente, impulsionando outras importantes áreas de atendimento à população como a da saúde.
A primeira autorização para a implantação de uma universidade federal no municĂpio Ă© de 1986, depois houve outras como a vinda da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) que há uns 15 anos chegou a publicar o edital de contratação de professores para a abertura do campus local. O que nĂŁo foi viabilizado em Araxá, mas aconteceu em Iturama que conta com o seu campus avançado da UFTM implantado Ă Ă©poca.
Dos 82.035 eleitores araxaenses aptos a votar este ano, apenas 8.530 (10,40%) possuem Ensino Superior Completo e 3.469 (4,23%) Incompleto. Enquanto 21.953 eleitores (26,76%) possuem o Ensino Médio Completo e 18.498 (22,55%) Incompleto, ou seja, quase 50% não continuaram os estudos, parando antes da graduação.
Os eleitores com Ensino Fundamental Completo sĂŁo 6.132 (7,47%) e Incompleto 18.091 (22,05%), somando quase um terço (29,52%) dos votantes da cidade ou 24.223 pessoas. Já os que apenas LĂŞ e Escreve sĂŁo 3.978 eleitores (4,85%) e os analfabetos 1.365 (1,66%), juntos expressivos 6,51% (5.343) do eleitorado mais suscetĂveis Ă s falsas ou indevidas promessas polĂticas.
Uma realidade inaceitável para um municĂpio como Araxá que economicamente está entre os principais de Minas Gerais. PorĂ©m, explicável atravĂ©s das ingerĂŞncias polĂticas que muito prejudicaram o desenvolvimento do Uniaraxá como a primeira faculdade da cidade e que se estagnou como centro universitário.
Apesar do MinistĂ©rio PĂşblico de Minas Gerais (MPMG) ter impedido a continuidade dos desmandos polĂticos junto Ă mantenedora do Uniaraxá, a Fundação Cultural de Araxá (FCA), o arraigado protecionismo leva a sua difĂcil situação econĂ´mica nĂŁo sĂł para se manter como ter competitividade diante do moderno e crescente mercado do ensino. O centro universitário Ă© incontestável patrimĂ´nio educacional da cidade que precisa de todo apoio para continuar o seu legado de ensino de qualidade e expandir apesar de tudo.
E Araxá mais uma vez tem a chance de tornar-se importante polo educacional através da implantação do campus da Uniube, a maior universidade privada de Minas Gerais que no decorrer de toda a sua existência recebe alunos da cidade em Uberaba e, mais recentemente, também no campus de Uberlândia. Assim como de ter a sua universidade pública através do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Minas Gerais que já oferece duas engenharias no campus de Araxá e terá autonomia e mais incentivo para expandir a oferta local de graduações com essa transformação.
Uma iniciativa chama a outra e não está descartada a retomada das negociações para a vinda da UFTM que já tem uma área cedida pelo Estado para a implantação do campus em anexo à Expominas Araxá.
Não existe outro caminho sólido de desenvolvimento sustentável que não seja pela cultura da educação. Esse retrocesso local está refletido não só no eleitorado como na falta de mão de obra qualificada e de representatividade de órgãos estadual e federal, inclusive já perdida como nos casos da Copasa, Cemig, Epamig etc. A reversão desse quadro é urgente, no entanto, é longo o processo.






























